segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Na dúvida, a culpa é do presidente Bolsonaro

Pedro Henrique Alves


O mundo acabou de descobrir a crise da qual o Bolsonaro havia falado em março do ano passado. Sim, os jornalistas e analistas das redações, num ritmo de Barrichello, começam a descobrir que têm uma dantesca crise econômica batendo em nosso bumbum coletivo, impulsionada pela pandemia e pelos lockdown eternos ― obviamente deste último eles não falam.

​Entretanto, o que afeta a úlcera progressista da mídia, nesta semana, é a fala do presidente: “o país está quebrado”. De fato, essa fala é altamente contestável enquanto estratégia, dado que o mercado é “mais vapor de especulação do que gasolina de investimento”. Essa simples frase dita pelo presidente pode impossibilitar empréstimos futuros à União, desestabilizar indústrias e afastar investidores. Com certeza, Bolsonaro, mais uma vez, teria feito um favor ao universo se tivesse ficado calado; mas, cá entre nós, fecha a porta aí e senta aqui para eu falar uma coisinha: “ele mentiu”?

​Se formos analisar certos indicadores, pode ser que ele tenha exagerado: a queda vertiginosa do nosso PIB, prevista pelo FMI, não se concretizou, não na sua apocalíptica previsão; a indústria cambaleante de antes da pandemia continua, ao que tudo indica, resilientemente cambaleante também agora, sem pioras gritantes; o desemprego não está num patamar tão grotesco como as visões futurísticas previam em junho e julho.

Porém, nem tudo é tão simples. Há mais elementos no cálculo que levou o presidente a dizer o que disse. Alguém aí tem sérias dúvidas de que o governo já está com a corda no pescoço em relação aos gastos? Só com os gastos da pandemia, o Governo garfou 8% do PIB, 650 bilhões em menos de um ano. Para termos uma ideia, o governo, após a Reforma da Previdência, previa economizar 800 bilhões de reais em DEZ anos. Isso mesmo: em um ano, o governo gastou com medidas emergenciais quase 90% do que se esperava economizar em 10.

A conta não fecha mesmo. Os impostos subirão, sim senhor, cedo ou tarde. O auxílio emergencial, é sempre bom dizer, não sai nos moldes de Ciro Gomes, isto é, de uma impressora HP Deskjet; quem pagará esse auxílio seremos eu, você, a Joana, o Rodrigo, o Bastião, o Bolsonaro, o Amoedo, até a Manuela D’Ávila e o Boulos. O almoço continua não sendo grátis.

A novidade é que, após o Bolsonaro declarar que o país está quebrado, o povo descobriu que é ele o culpado por esses resultados, assim como pela invasão ao Capitólio americano e pela derrota vergonhosa do São Paulo pelo Bragantino, ontem.

Façamos aquela retrospectiva global, ao meu modo, é claro: pressionaram todos os governadores pelos lockdown, fecharam quase todos os comércios e até algumas indústrias, dos pequenos aos grandes; quando corajosamente alguns determinados comerciantes abriam as portas, eram multados e até presos. Das cidades mais conhecidas aos lugares mais distantes do nosso Brasilzão, viam-se filas de lojas fechadas. Pediram para todos ficarem em casa para sempre, enquanto pressionavam para que o auxílio emergencial fosse estendido indiscriminadamente. Qualquer aumento de alíquota, a fim de aconchegar minimamente esse rombo estelar, prontamente era seguido de um bombardeio orquestrado de críticas; ao mesmo tempo, os jornais vendiam uma imagem escabrosa do país no exterior, para Estados e investidores, o que obviamente afetou e afetará as exportações…

Sério que o problema dessa crise econômica é todo do governo e do Bolsonaro? No início da pandemia, quando todos os políticos estavam tremendo em seus trajes pijamais de bolinhas, portando um linguajar sofisticado de pseudocientistas, num rompante de amor humano que nem Madre Teresa um dia ostentou, talvez o Bolsonaro tenha sido o único retardado do mundo que teve a coragem para afirmar que a crise econômica posterior seria gigantesca e avassaladora…

O ódio a alguém não pode impedir as pessoas de julgarem os fatos pelos fatos. Bolsonaro com certeza tem muito o que rever, pois errou até à exaustão em 2020, assim como muitos governadores, deputados e senadores. Novamente foi um homem impulsivo, que media o Brasil sob a ótica de sua ideologia, fincado nos arredores de seu cercadinho.

Porém, não, a crise econômica que chega como uma onda ainda no horizonte não pode ser colocada no bolso do presidente. Ser crítico não é ser canalha e analisar com o mínimo de isenção ainda é preciso. Se me permitem uma dica: olhem o mundo pelos próprios olhos antes de abrir o primeiro link do Facebook ou WhatsApp. Acreditem nos seus olhos antes de repetir a visão de terceiros.

Título e Texto: Pedro Henrique Alves, Instituto Liberal, 7-1-2021

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