quarta-feira, 13 de abril de 2022

No rumo do Titanic

Alexandre Garcia

Num 12 de abril como hoje, há 110 anos, o Titanic seguia sua rota, rumo a Nova York, orgulhoso e confiante, certo de sua supremacia sobre o mar. Estava a três dias do choque com um iceberg à deriva, mostrando apenas um décimo de seu volume acima da linha d’água. Seu poder submerso rasgou o casco de aço do presunçoso navio e o mandou para o fundo do mar.

Boston está a uns 700 quilômetros a oeste do local daquele naufrágio, e a 8 mil quilômetros de São Paulo, o maior contingente eleitoral do Brasil. Num encontro em Boston, políticos brasileiros manifestaram-se tão confiantes em seus objetivos quanto o Titanic, quando zarpou da Inglaterra. Com a supremacia da verdade, embaçados por suas certezas, assumem o risco de não perceber os riscos abaixo da linha d`água.

Sergio Moro, por exemplo, insistia em permanecer candidato à presidência da República, negando expressamente que vá aceitar uma vaga para concorrer a deputado federal. A senadora Simone Tebet, em Boston, deixou claro que o seu partido, MDB, mais o PSDB e o União Brasil vão indicar um candidato único, dia 18 de maio, a ser escolhido entre ela, Doria e Luciano Bivar - excluindo expressamente Moro.

Será que o ex-juiz vai ficar com a chance de disputar uma vaga na Assembleia de São Paulo? Porque no seu Paraná, ao abandonar o Podemos de Alvaro Dias e Oriovisto Guimarães, as escotilhas se fecharam. Ciro Gomes estava nos Estados Unidos também, vendo afundar seu concorrente de terceiro posto, pois não quer ficar a ver navios.

Eduardo Leite estava no tombadilho em Boston. Por quê? Só para suscitar mexericos na primeira classe? Que ficaria como imediato no caso de o comandante abandonar o navio e isso seria o sinal para se unirem todos ante o perigo do gigantesco iceberg?

O comandante, por sua vez, está fazendo manobras estranhas. Indispôs-se com a classe média, queixando-se que gasta demais; com os religiosos, pregando aborto para quem não quiser ter filho; com os militares, dizendo que vai tirar todos de seus postos no governo; com os deputados federais, ensinando a assediar suas famílias; com 600 mil proprietários legais de armas, ameaçando desarmá-los, ao tempo em que daria poder ao MST e ao MTST; prometeu desfazer privatizações, teto de gastos e modernização das leis trabalhistas. A própria tripulação não entendeu as manobras e está preocupada que seja leme perigoso, com intenção de afundar.

Juízes supremos, que vão arbitrar eleições e julgar questões envolvendo o governo estavam lá, como estão por toda a parte, como se estivessem em campanha política, deixando aqueles que acreditavam na distância olímpica da isenção, de cabelo em pé. E, ironicamente, eles discorrem sobre os riscos da democracia, elogiam o comandante sem rumo, não seguem o mapa de 1988, sem noção dos perigos num oceano de orgulhos, vaidades e voluntarismos.

E a banda vai tocando. A orquestra de bordo sabe que vai afundar, mas tocar é preciso, navegar não é preciso. A banda vai elevando o volume para impedir que os passageiros percebam os perigos da rota; os sons saem desesperados, porque conhecem a verdade, mas não querem ser liberados. Têm que tocar até o fim. E a nave segue seu rumo.

Título e Texto: Alexandre Garcia, Gazeta do Povo, 12-4-2022, 12h24 

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Um comentário:

  1. Não querendo, mas já sendo sumariamente pessimista, incrédulo, esmorecido e debilitado, o jornalista Alexandre Garcia no seu texto "No rumo do Titanic", me fez lembrar o Brasil de Cabral, de José Lins do Rego, de Érico Veríssimo e outros vultos de intumescente valor histórico, ou mais precisamente, me trouxe à mente, a "Capital do Capital" Brasília. Brasilia, ou carinhosamente a Casa de Mãe Joana, Terra de Espertalhões", ou “Puteiro de Sanguessugas e Mamadores dos colhões dos honestos”, segue a mesma rota do Titanic. Logo o imenso transatlântico conhecido como o “Berço das Grandes Decisões Nacionais” (o certo seria “Indecisões Nacionais”) afundará incrivelmente num mar proceloso e interminável de votos comprados, adulterados e corrompidos, bem ainda "aderivará" numa chuva torrencial de urnas trapaceadas e deturpadas, "putrefatadas" e viciosas, sem falar nos trocentos candidatos bandalheiros e trapaceiros, malandros e canalhas, que farão de tudo para sentar o rabo da bunda, ou a bunda do rabo, na cadeira do PODER. A cadeira do Poder é charmosa, chamativa, próspera, prometedora (promete inclusive, coisas que até Deus duvida), enfim, o assento do PODER é uma Máquina gigantesca de fazer dinheiro rápido sem precisar imprimir muita força aos braços. Desde que me entendo por gente, percebo que todo mundo quer o PODER. O PODER, no dizer do palhaço Tiririca, “GERA FODER”, perdão, PODER. Ser presidente, pois, num país falido e contaminado, apodrecido e envilecido, é dar asas e imaginação à salafrários e bocós, birbantes e sicofantas... e o mais engraçado, fazemos isso com as nossas caras de merda, de Manés bostas fedorentas, e otários de bundas de regos sujos. Por não conhecermos nossos direitos, nos fizemos humildes e mansos, miseráveis e inglórios. A bem da verdade, ainda acreditamos num “pleito eleitoral” sério e sem interesseiros nos fodendo por debaixo dos panos. Desde sempre (ou a sessenta e nove anos passados) alimento a ideia de que ninguém quer trabalhar. Ninguém quer pegar no batente. Todo mundo quer moleza. Vida fácil, farta, sem horário, sem patrão, sem ter que pegar condução... e ser político, ou de maneira mais transparente, SER PRESIDENTE, é ter todas as vantagens e benesses de uma vida fácil e farta, sem horário e sem patrão, sem ter que depender de ônibus lotados com gente saindo às carreiras pelas pontas “entinteiradas” das canetadas dos “Urubus Poderosos” do STF. Lembrando, STF é aquela pocilga de baratas e ratos que apregoa manter límpida e intocável, como uma “virgem não deflorada,” e a sete chaves, em nome do diabo, a guarda sem armas para se defender dos bandoleiros, ou seja, a linda e fogosa CONSTITUIÇÃO. Ser presidente dá status, viagens de graça, mundo à fora, bem ainda o conhecimento de novos países e culturas, enquanto o nosso povinho chafurda na lama da ignorância. Os candidatos ai estão. Fazem de tudo, para serem eleitos. Se duvidar, vendem a mãe, o pai, os filhos... esse é o nosso Brasil, digo, o nosso Titanic. O iceberg maior que a lata velha do Lula Mula Fula Gula, ou meigamente, o “Dezenove dedos”, está logo à frente, escondido, esperando a hora certa para dar o bote. Com bote ou não, o “Naviarrrrrrão” irá para o fundo... senhoras e senhores, pulem, caiam fora, piquem a mula, antes que o “Sérgio Chapeleta Morro”, o “Janjão Escória”, o “Espirro Tomes”, a “SiSemNome Temet”, o “Lucicano Peidar”, o “André Jacome”, e outros cachorros sarnentos, ‘PELA AI” se transfigurem no mais famoso Capitão do século, o inoxidável e desenferrujado Edward John Smith. Edward está de volta e a todo vapor. E o BRASIL VAI AFUNDAR.... “VIVA, VIVA, ESTAMOS À "AFUNDAIRE...".

    Aparecido Raimundo de Souza
    De Brasília, Capital Fedemal Pátria Cagada, Brasumil

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