domingo, 26 de agosto de 2018

Eu vou

Vitor Cunha

Alguns amigos entretêm-se com partidos, tentando descobrir se há uma matriz liberal na Iniciativa Liberal ou se o país é mais socialista ou mais o raio que o parta. Fui perdendo paciência para essas conversas ao perceber que estavam a falar a sério. Poucas coisas faladas a sério me entusiasmam, principalmente na política: estou sempre disposto a depositar a minha confiança e energia a apoiar pessoas, não a apoiar o que parecem ideias, mas não passam de toscas recauchutagens do velho conceito “eu é que sei, eu é que tenho os livros”. Apoiei Passos Coelho porque apanhou um país na lama e, contra tudo e todos, resistiu a navegar por onde lhe foi possível nas turvas águas dos instalados, por entre a gritaria dos peões organizada por bispos, cavaleiros e torres de um xadrez que tolera (e incentiva) a triste ideia de haver “cultura de esquerda”.

Assim, surja aí alguém que proponha fazer diferente – ou seja, que não ande a reboque das causas esotéricas de um grupo de azeiteiros que fingem preocupação com as causas alheias (sim, as Câncios, os Daniéis Oliveiras, as Catarinas Martins, os Rui Tavares, os trepadores académicos da doutrina e as filhas da podridão lisboeta que acabam em apresentadoras de “televisão”), alguém que compreenda que o país são pessoas e não “massas” e que saiba que conservadores somos todos, em particular do que possuímos (ainda estou para entender como é que alguém que defende propriedade pode ser não conservador, mas sei que, a obter resposta, será necessário compartimentar comportamentos, como se toda a economia não fosse comportamentos de pessoas), então terá o meu apoio de todas as formas possíveis.

Até agora não surgiu nada que o mereça, só o pitoresco faduncho da política interna que preenche o espaço mediático com entretenimento rasca, como um hotel de uma estrela em Benidorm e a sua magnífica atracção da noite, a estonteante Soraia, diretamente de Las Vegas (Las Vegas como subúrbio de Albacete, não a do Nevada).

Venha ele, não o D. Sebastião, só o gajo ou gaja que me trate como pessoa e não como conceito. Venha ele, que eu vou.
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 26-8-2018

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, evite o anonimato! Mesmo que opte pelo botãozinho "Anônimo", escreva o seu nome no final do seu comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente.
Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-