sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O Estado policial fascista de Wilson

Thomas Woodrow Wilson (Staunton, 28 de dezembro de 1856 — Washington, D.C., 3 de fevereiro de 1924) foi um político e acadêmico americano que serviu como o 28º Presidente dos Estados Unidos de 1913 a 1921. Nascido na Virgínia, ele passou os primeiros anos de sua vida em Augusta, Geórgia e em Colúmbia, Carolina do Sul.

Wilson tinha um PhD em ciências políticas pela Universidade Johns Hopkins, e serviu como professor e acadêmico em várias instituições antes de ser escolhido para ser presidente da Universidade de Princeton, uma posição que ele teve de 1902 a 1910.

Nas eleições de 1910, ele foi eleito governador de Nova Jérsei pelo Partido Democrata, servindo nesta posição de 1911 até 1913. Ele concorreu à presidência do país nas eleições de 1912, se beneficiando da divisão do Partido Republicano, vencendo por uma margem confortável.

Ele foi o primeiro sulista a ser presidente da nação desde Zachary Taylor em 1848. Wilson era um dos líderes do Movimento Progressista, encorajado com os ganhos dos Democratas em 1912, quando ganharam controle da Casa Branca e do Congresso.

O Estado policial fascista de Wilson

Jonah Goldberg

E então veio a inevitável repressão progressista contra as liberdades civis dos indivíduos. Os liberais de hoje tendem a reclamar do período McCarthy como se fosse o mais escuro da história americana após a escravidão.

É verdade: sob o macarthismo, alguns escritores de Hollywood que haviam apoiado Stalin e mentido sobre isso perderam seus empregos na década de 1950. Outros foram injustamente intimidados. Mas nada do que aconteceu sob o reinado enlouquecido de Joe McCarthy remotamente se compara ao que Wilson e seus companheiros progressistas impuseram à América.

Sob a Lei de Espionagem de junho de 1917 e a Lei de Sedição de maio de 1918, qualquer crítica ao governo, mesmo em sua própria casa, poderia lhe render uma sentença de prisão (uma lei que Oliver Wendell Holmes manteve durante anos depois da guerra, argumentando que falas desse tipo poderiam ser proibidas se representassem um “perigo claro e presente”).

Em Wisconsin, um funcionário do Estado pegou dois anos e meio por criticar uma campanha de levantamento de fundos da Cruz Vermelha. Um produtor de Hollywood recebeu uma condenação de dez anos de cadeia porque fez um filme mostrando tropas inglesas cometendo atrocidades durante a Revolução Americana. Um homem foi levado a julgamento por haver explicado em sua própria casa porque ele não queria comprar os Títulos de Liberdade.

Nenhum estado policial merece o nome se não tiver um amplo suprimento de policiais. O Departamento de Justiça prendeu dezenas de milhares sem justa causa. O governo Wison emitiu uma orientação para procuradores e chefes de polícia americanos dizendo: “Nenhum inimigo alemão neste país que, até o momento, não esteve implicado em complôs contra os interesses dos Estados Unidos precisa ter qualquer receio de ações do Departamento de Justiça, desde que observe o seguinte aviso: Obedeça à lei, mantenha a boca fechada”. Esta linguagem direta e grossa poderia ser perdoável, não fosse pela definição assustadoramente ampla daquilo que o governo entendia como um “inimigo alemão”.

O Departamento de Justiça criou seus próprios fascisti quase oficiais, conhecidos como a Liga Protetora Americana (American Protective League, ou APL, na sigla em inglês). Eles receberam braçadeiras – em muitas delas escrito “Serviço Sexreto” – e foram encarregados de ficar de olho em seus vizinhos, colegas de trabalho e amigos. Usados como espiões privados por promotores fanáticos em milhares de casos, recebiam amplos recursos governamentais.

A APL tinha uma divisão de inteligência na qual os integrantes faziam um juramento de não revelar que eram parte da polícia secreta. Integrantes da APL liam a correspondência dos vizinhos e ouviam seus telefonemas, com a aprovação do governo. Em Rockford, Illinois, o exército pediu à APL para extrair confissões de soldados negros acusados de terem assaltado mulheres brancas.

A Patrulha Vigilante Americana (American Vigilante Patrol) da APL reprimia a “oratória sediciosa das ruas”. Uma de suas mais importantes funções era espancar “desertores” que evitavam o alistamento. Na cidade de Nova Iorque, em setembro de 1918, a APL deslanchou seu maior ataque contra desertores, detendo cinquenta mil homens. Mais tarde, provou-se que dois terços eram totalmente inocentes. Ainda assim, o Departamento de Justiça aprovou a ação. O procurador-geral adjunto notou, com grande satisfação, que a América nunca tinha sido policiada com tanta eficácia.

Em 1917, a APL tinha ramificações em quase seiscentas cidades e vilas, e o número de associados era de quase cem mil. No ano seguinte, havia ultrapassado os duzentos e cinquenta mil.

Uma das poucas coisas desse período que os leigos ainda retêm na memória é um vago sentimento de que aconteceu algo ruim chamado Batidas de Palmer – aquela série de batidas policiais inconstitucionais, aprovadas por Wilson, contra grupos e indivíduos “subversivos”. O que em geral se ignora é que essas batidas eram imensamente populares, sobretudo perante a base de classe média do Partido Democrata.

O procurador-geral A. Mitchell Palmer era um progressista esperto que derrotou a máquina republicana na Pensilvânia depois de criar um forte vínculo com os trabalhadores. Seu plano era cavalgar a onda de popularidade das batidas para chegar ao Salão Oval, e talvez tivesse conseguido se não sofresse um ataque do coração que o tirou de campo.

Também é necessário observar que a Legião Americana nasceu em 1919 sob circunstâncias nada auspiciosas, durante a histeria da Primeira Guerra Mundial. Embora seja hoje uma organização admirável com uma história da qual se orgulha, não se pode ignorar o fato de que foi fundada como uma organização essencialmente fascista. Em 1923, o comandante nacional da Legião Americana declarou: “Se alguma vez for necessário, a Legião Americana estará de prontidão para proteger as instituições e os ideais de nosso país tal como os fascistas fizeram com os destruidores que ameaçavam a Itália.” Mais tarde, FDR tentaria usar a Legião como uma nova Liga Protetora Americana para espionar dissidentes internos e hostilizar potenciais agentes estrangeiros.

Durante o americanismo cem por cento de Wilson, o vigilantismo era frequentemente encorajado e raramente dissuadido. E como poderia ser de outro modo, dadas as próprias advertências de Wilson sobre o inimigo interno? Em 1915, na terceira mensagem anual ao Congresso, ele declarou que “a mais grave ameaça contra nossa paz e segurança nacionais tem brotado dentro de nossas próprias fronteiras. Há cidadãos dos Estados Unidos, e eu ruborizo ao admiti-lo, que nasceram sob outras bandeiras... que têm derramado o veneno da deslealdade dentro das próprias artérias de nossa vida nacional; que estão buscando trazer o desprezo à autoridade e ao bom nome de nosso governo, destruir nossas indústrias onde quer que considerem ser eficaz para seus propósitos vingativos, e degradar nossa política em proveito de intrigas estrangeiras”.

Quatro anos depois, o presidente ainda estava convencido de que talvez a maior ameaça à América viesse de americanos “com hifens”: “Nunca é demais repetir – qualquer homem que carregue um hífen leva consigo uma adaga e está pronto a mergulhá-la nos órgãos vitais desta República quando quer que se apresente o momento. Se, nesta grande disputa, eu puder pôr as mãos em qualquer homem com um hífen, saberei que terei agarrado um inimigo da República.”

Era essa a América que Woodrow Wilson e seus aliados bucavam.

Título e Texto: Jonah Goldberg, in “Fascismo de esquerda – a história secreta do esquerdismo americano”, Editora Record, 2009, páginas 131 a 133.

Um comentário:

  1. Enquanto Stalin matou milhões de pessoas no Gulag e Sibéria, uns degenerados idiotas uteis burgueses perderam os empregos por causa do McCarthy! Uma piada de pederastas-liberastas que nunca viram ditadura comunista!

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