domingo, 7 de fevereiro de 2021

[As danações de Carina] Negativos revelados com imagens diferentes

Carina Bratt

Minha melhor amiga de infância, a Lidiana da Costa, virou homem, passou a se chamar Pedro Paulo. Casou com a Alice Bezerra. Meu melhor amigo, o José Roberto, também não ficou inerte no desvio da linha. Da noite para o dia, saiu do armário e virou Flávia Cristina. Cerimoniou, de papeis assinados em cartório, padre, daminhas de honra e festa com tudo o que tinha direito, para duzentos convidados com a reunião simultânea das famílias (sua e a do Anselmo Bevilláqua), hoje seu marido e a algazarra esfuziante dos mais chegados companheiros de ambos.

Apesar de tudo o que está acontecendo ao meu redor, ainda não consegui digerir bem estas transformações do mundo moderno e confesso, publicamente, mesmo que passem trezentos anos, ou quinhentos, morrerei maluca, desvairada, sem entender bulhufas. Olhando assim, sem colocar muita percepção, tenho a impressão, ou o falso registro que tudo gira belo e charmoso, num imenso carrossel. Ledo engano!

Para euzinha, vinda de um berço considerado esplêndido, ou seja, de uma família tradicional, com vovô, vovó, papai, mamãe, titia, titio, primo, prima, irmão, irmã, sogro, sogra, (não necessariamente nesta ordem), absolver estas ‘aberrações,’ ou interpretar os despropósitos, as anormalidades e as irregularidades, para mim, simples mortal Carina Bratt, tem sido como topar com um cotidiano grotesco, desajuizadamente estúrdio, lunático e por que não heteróclito e toscamente ridículo?

Quando paro para pensar nestas aloprações do dia a dia, Lidiana-versus-Pedro Paulo-versus Alice Bezerra, José Roberto-versus-Flavia Cristina-versus Anselmo, exerço a capacidade de pensar ou imaginar estar vivendo num chão riscado de giz, às avessas e contrário, sem as características do senso normal comum. Me pego totalmente desafeiçoada daquilo que meus pais me ensinaram e eu trouxe como bagagem, na mala, para uso constante da minha vida adulta.

Me imagino, por exemplo, num planeta estranho, hostil, antagônico aos meus princípios e aos nascedouros de minhas consanguinidades. Gostaria que minhas leitoras e leitores entendessem meu ponto de vista. O fato é que vim para a vida plena, nascida, gerada, idealizada por conta de uma união papai-mamãe, num enlace coeso, fruto de uma linhagem antiga e sem erros. A minha árvore genealógica prisma, desde sempre, pela acuidade, pela perspicácia do coerente, pela finura do harmonioso em sua melhor essência.

A minha estirpe, lado outro, zela tenazmente pela sutileza do politicamente padronizado e, igualmente, pelo engrandecimento sem manchas, ou nódoas, distante, pois, de nenhum deslustre ou coloração indesejada, pelo menos, a ponto de pôr ou vir criar dúvidas na cabeça de quem quer que seja, aí sendo incluído, do mais novo recém chegado ao seio dos novatos ao mais caduco e tresloucado pela intrepidez dos anos.

O que vejo, em dias de agora, me deixa pasma, abobalhada, sem palavras. Me repudia e, por conta, me belisco, ao mesmo tempo em que me policio e me vigio, porque tudo o que me chega, aos trambolhões, vai aos trancos e barrancos ao inverso, ao coibitivo, ao invertido dos bons costumes. E acredito mais: tudo o que vivo e percebo, provo e vivencio, sentindo na pele e na carne, seja devastadamente aterrador e calamitoso, danoso e fatal se eu levar em conta às sagradas Leis do Criador.

Outro dia, naquele quadro do Programa do Raul Gil, “Pra Quem você Tira o Chapéu” (a convidada -, convidada ou convidado??!! -, a Thammy Miranda -, ou o Thammy Miranda -, filha, ou filho da Gretchen??!! -, casada, ou casado com a Andressa Ferreira e, cujo nome, o veterano apresentador errou por diversas vezes seguidas, confundindo Andressa com Vanessa, me deixou com um punhado de minhocas na cachola.

Grosso modo, igual ou pior que se atrapalhar entre uma maçaroca de alhos e bugalhos espalhados, assistir ao show imbecilizado do SBT, com o Raul Gil no comando, devo dizer que serviu, o programa e seu âncora que ‘enrola pra caramba’ (quando deveria melhor aproveitar o seu horário, para assuntos mais proveitosos e instrutivos), auxiliando bastante e fartamente no sentido de corroborar o óbvio frontalmente, friamente, objetivamente, mostrando ao seu público, uma galera igualmente robotizada, que a loucura desenfreada que estamos vivendo e vivenciando, bem ainda, a insanidade e o desvairamento que pairam no ar e que envolve as nossas cabeças, mexe tenazmente com as nossas mentes de modo assustador e atemorizante.

Devo dizer, entretanto, à guisa de esclarecimento, nada tenho contra o cidadão-cidadã sair do armário, ou se desalojar de debaixo da cama ou se debandar de trás da geladeira, ou pular, assustado feito um rato, do oco do sofá da sala. Não sou Deusa, nem juíza. Nego veementemente ter parentesco direto ou indireto com a preconceituosidade. Tampouco alimento ideias discriminatórias para quem nasceu Ele, e, de repente, resolveu ser Ela e vice-versa.

Entendo, dentro da minha estupidez galopante, que cada um é cada um, e acredito mais, TODOS -, agora GENERALIZANDO, TODOS -, devem saber exatamente o que estão fazendo. A mim, simples escrevinhadora, as criaturas não terão que prestar contas, ou dar maiores explicações, mas, com certeza, ao Altíssimo, um dia. Em contrapartida, devo lembrar que nós, os seres humanos e pensantes, dispomos de uma opção ao alcance das mãos. Desta porta dos fundos, todos podem fazer uso do que conhecemos por Livre-arbítrio, ou Livre-alvedrio.

Eles estão aí para isto. Para serem usados. Ambos os conceitos sinalizam uma só definição, um só objetivo: as decisões nascidas dentro de cada coração batendo dentro do peito, são de cunho pessoal. Sobrevivem sem a pecha do constrangimento, ou mais explicitamente, com todas as possibilidades abertas para que cada um escolha e ponha em prática (em função da própria vontade e, portanto, isenta de condicionamentos, motivos ou causas determinantes), qual ou quais, os melhores caminhos e sendas a serem seguidos.

É bom que eu deixe esclarecido, outrossim, não são somente os casos dos (das) transexuais que me tiram o foco. No mesmo chute do destino, me causa um pavor maior e tri-medonho, os rumos obscuros que os filhos e adoradores de Deus (somos todos filhos D’Ele) estão tomando.

Um assunto está interligado ao outro. Falo, agora, do Leonardo Bonifácio da Silva, de vinte e quatro anos, que matou o pai numa simulação de assalto, o comerciante José Nilton da Silva, de cinquenta e oito anos, em União dos Palmares, na pacata e pitoresca cidade de Joaquim Gomes, em Alagoas. Este filho (filho?) agiu desta forma, para que seu genitor não viesse a descobrir que ele, Leonardo, vendera o carro que havia ganho de presente. Uma aberração sem tamanho, sem precedentes, à luz do quadro que estes novos pintores do destino estão nos impondo através de uma exposição demoníaca e satânica.

Outro crime brutal e hediondo, sem motivação aparente. Não deixou, porém, de entristecer o Brasil, de ponta a ponta. Falo do menino de onze anos, completamente nu, jogado às traças, sem comer, sem beber, acorrentado pelo pai, dentro de um barril, na cidade de Campinas, enquanto ele (o pai), mantinha relações com a namorada e a filha da namorada. No mesmo tom, um procedimento espúrio e não condizente com um ser temente à alguma coisa que se diz, ou que possa ser rotulado de normal. Se alguém, em sã consciência acha que esta pintura não está interligada diretamente ao belzebútico, farei como Pilatos: lavarei as mãos.

As relações das desgraças as mais fúteis e banais, vulgares e infames, inexplicáveis e complexas, todos os dias alimentam os jornais e os programas de televisão. Não há um dia, sequer, em que não se mencione um amontoado de mortes violentas, outros tantos de crimes sem razões aparentes, tipo pai matando filho, filho assassinado pai e mãe, maridos agredindo as suas esposas, enfim... Aqui mesmo, onde estamos agora, Pompeia, região de Marília, interior de São Paulo, mãe e filha foram enterradas no quintal de casa, enquanto o kikikiki pai de família (pai de família?), mantinha relações com a enteada, menor de idade.

O rol das incoerências despenca, se agigante e se perde de vista. Deixa a todas nós, mulheres de bem e de espírito em sintonia com os agrados de Deus, boquiabertas e assombradas. Algumas perguntas eu gostaria de deixar no ar: Seria o fim dos tempos? Estamos vivendo um apocalipse enrustido maquiado, deformado? Alguns engraçadinhos asseveram que as coisas que vemos cotidianamente são bíblicas. Sim, ou não??!! Quais seriam as opiniões de vocês que me leem, sobre os itens aqui questionados?

Entre tapas e beijos, Pablos Vittares e Negos do Borel, legiões de LGVT’s, feminicídios, desonras e arbitrariedades cometidas contra às nossas vidas, notadamente os percalços pelos quais passam os ditames insculpidos nas Leis Maria da Penha, e Estatuto da Criança e do Adolescente, e, de roldão, a justiça sendo pisoteada e a injustiça, a cada minuto, mais e mais se fortalecendo dentro dos bueiros... Deveríamos ter vergonha de sermos um bando de parasitas e incompetentes que ainda param para ver Raul Gil, e seus chapéus e, no mesmo fluxo, assistir ao Big Brother Brasil. Se existe um povo culto, ilustrado, letrado, sábio e de visão plena de futuro, certamente este povo é o nosso.

Enquanto isto, à deriva e crescendo, a olhos vistos, se multiplicando vertiginosamente pelos descasos dos vagabundos que deveriam, acima de tudo darem, exemplos vivificantes e acolhedores, só me resta (ou só nos resta) colocar os joelhos no chão e orar. Pedir à Deus, veementemente, misericórdia e que por milagre, nos liberte do Capeta. O inferno aqui está, a todo vapor e de portas escancaradas.

Título e Texto: Carina Bratt, de Pompeia, região de Marília, interior de São Paulo, 7-2-2021

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