quarta-feira, 10 de março de 2021

“Nunca deixámos de acreditar. Este é o verdadeiro ADN do FC Porto”

Sérgio Conceição realçou o espírito do Dragão após a qualificação para os “quartos” da Champions


O FC Porto é uma das oito melhores equipas da Europa. Para o demonstrarem, os Dragões foram a Turim eliminar a eneacampeã italiana Juventus reduzidos a dez jogadores durante mais de uma hora na segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. No final dos 120 minutos em Itália, que perdurarão na gloriosa história azul e branca uma enorme demonstração do que é ser Porto, Sérgio Conceição fez questão de frisar que comanda “um grupo de jogadores bravos” que foi capaz de ir “buscar o ADN do FC Porto” para “sofrer, para passar dificuldades, mas também para criar dificuldades à Juventus”. Quanto ao tratamento dado pela imprensa lusa aos campeões de Portugal, o timoneiro portista lamentou: “Dei uma olhadela aos jornais desportivos hoje e, se não estivesse com muita atenção às letras pequenas, não sabia que o FC Porto jogava hoje em Turim. Mas na região Norte e no FC Porto é nessas situações que encontramos a nossa força e que nos fazem orgulhar todos os portugueses. É pena haver esta diferença de tratamento por parte de algumas pessoas”.

Bravos e prontos para sofrer
“Tenho um grupo de jogadores bravos que interpretaram da melhor forma o que queríamos para o jogo, perante uma grande equipa com jogadores de um nível altíssimo. Tínhamos que estar preparados para sofrer, para passar dificuldades, mas também para criar dificuldades à Juventus. Foi isso que se passou em diferentes momentos do jogo. Tanto na organização defensiva como no processo ofensivo fomos uma verdadeira equipa. Os jogadores estão de parabéns porque fizeram um trabalho fantástico. Não é fácil depois de, praticamente aos 55 minutos, o Taremi ser expulso. Fomos buscar o ADN do FC Porto, além de toda uma organização, determinação e ambição no jogo que não é fácil. Sofremos os golos, estávamos a perder 2-1, mas nunca deixámos de acreditar. Este é o verdadeiro ADN do FC Porto.”

Expulsão de Taremi
“Nós nunca preparamos a equipa para ficar reduzida. Obviamente que já sabíamos, porque neste período temos sido mais massacrados com as tais expulsões que em Portugal nos custaram resultados positivos quando estávamos confortáveis no jogo. Acabámos por empatar esses jogos. Além do espírito de sacrifício é preciso inteligência para perceber o que o adversário está a fazer, porque tem muita qualidade e chega com muita facilidade aos corredores laterais e tem gente muito forte no jogo aéreo dentro da área. Era preciso estarmos precavidos para isso. É normal sofrer contra uma equipa destas, mas o que mais realço é que além disso, e mesmo com dez, também criámos oportunidades para fazer golos. Isso é bem demonstrativo da competência e da competitividade desta equipa.”

Orgulhosamente Nortenhos
“Além da nossa organização era preciso ir buscar um bocadinho mais de cada um, naquilo que é a essência e a paixão que eles têm pelo jogo e por estarem a disputar uns oitavos de final da Liga dos Campeões. Eu sei que em Portugal foi muito pouco publicitado o facto de estarmos nos oitavos de final da Liga dos Campeões e de defrontarmos uma equipa como a Juventus. Eu dei uma olhadela aos jornais desportivos hoje e, se não estivesse com muita atenção às letras pequenas, não sabia que o FC Porto jogava hoje em Turim. Mas na região Norte e no FC Porto é nessas situações que encontramos a nossa força e que nos fazem orgulhar todos os portugueses. É pena haver esta diferença de tratamento por parte de algumas pessoas.”

Bomba de Sérgio Oliveira
“A nossa função é observar ao máximo todos os pormenores das equipas adversárias. Naquele livre frontal tínhamos três situações diferentes para bater o livre. O Sérgio optou, porque são eles lá dentro quem toma essas decisões, e foi uma decisão acertada. A bola indo na direção da baliza é mais fácil fazer golo, é preciso rematar, é preciso perceber o comportamento dos adversários nos esquemas táticos e nós, equipa técnica, vamos ao pormenor para dar todos os elementos aos jogadores. Temos muitas combinações que, este ano um bocadinho menos, mas normalmente criam dificuldades ao adversário.”

O coletivo sempre em primeiro lugar
“O Pepe e o Sérgio Oliveira são jogadores que comigo jogaram algumas vezes na Liga dos Campeões, o Pepe está habituadíssimo devido ao seu passado… mas eu quero frisar todos os outros. Não nos podemos esquecer de que o Zaidu há dois anos estava no Mirandela, o Loum teve muito poucas oportunidades de aparecer na Liga dos Campeões, o Sarr estava na equipa B do Chelsea. Temos muitos jogadores jovens e inexperientes, mas isso só valoriza mais o nosso trabalho. O trabalho da equipa, porque eu não realço individualmente. A equipa é o mais importante.”

120 minutos de esforço
“Fiz praticamente um jogo, em termos de desgaste. É preciso estar sempre atento, como os jogadores estiveram. Focados, ligados, isso é fundamental. Hoje foi preciso ir buscar a cada um de nós, no grupo de trabalho, uma determinação incrível e um espírito de sacrifício que me tocou. Não é fácil ficar reduzido a dez jogadores aqui aos 55 minutos e ter que montar a equipa de novo, ir olhando para o que o jogo estava a pedir. Fizemos um jogo muito competente, os jogadores estão de parabéns, estes jogos ficam marcados para sempre na história do clube. As incidências do jogo foram incríveis, por isso os jogadores estão de parabéns. Mais uma vez o FC Porto dignificou aquilo que é como clube e dignificou os seus adeptos. A paixão deles hoje foi transportada para dentro do campo. Não é fácil, começamos a olhar para a equipa da Juventus e vemos Cristiano Ronaldo, Bonucci, Morata e por aí fora… e nós temos o Zaidu, o Manafá, o Sarr. É preciso as pessoas meterem a mão na consciência e darem o devido valor. Não ao treinador, porque eu não preciso nem gosto disso, mas sim a estes jogadores que só não dão mais porque não é possível. Eu sou daqueles que acredita que é sempre possível fazer mais um bocadinho e isso hoje foi conseguido. Por isso é que estamos nos quartos de final da Champions.”

Diferentes momentos da temporada
“Basta olharem para saídas do clube e para o que foi investido. Ainda estamos no campeonato, na Liga dos Campeões e não atiramos a toalha ao chão. Nós acreditamos sempre e vamos dar luta. Agora temos uma viagem e a partir de amanha começamos a preparar o jogo de domingo. Esse é o nosso foco. Em três anos ganhámos cinco títulos e queremos ganhar mais. Nem sempre é possível, mas há que olhar para o contexto do FC Porto, para a grande dificuldade que é competir na Europa contra estas grandes equipas, apetrechadas de jogadores em que um só jogador equivale a três vezes o investimento do FC Porto. Nós aceitamos isso e vamos à luta com essas dificuldades. Por vezes não é possível ganhar, mas acreditem que eu e o meu grupo de trabalho somos os primeiros a sentir essa desilusão. Não pensem que aqui se festejam segundos lugares ou meias-finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga. Aqui festejam-se títulos, nem sequer são vitórias.”


Título e Texto: FC Porto, 10-3-201, 0h08

Relacionados: 
É Porto, carago! 
Mehdi Taremi eleito o melhor avançado da Liga em fevereiro 
Futre emocionado com o FC Porto: "Se fosse preciso morriam dentro do campo" 
Mourinho: «Grande noite para o FC Porto, estou muito feliz por eles» 
Apuramento do FC Porto foi de Itália ao Brasil: "titã" em campo e "desastre" da Juve

Um comentário:

  1. Marchesín fez defesas incríveis...

    O luso-brasileiro, Pepe, (38 anos!) foi assombroso!

    A jogar como jogou ontem à noite, o FC Porto vai longe, muito longe...

    Vale salientar o lado financeiro da participação na Champions, que já terá rendido ao clube algo como 78 milhões de euros!

    ResponderExcluir

Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.

Se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-