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domingo, 1 de fevereiro de 2026

[As danações de Carina] Onde foram parar os bons tempos de ontem que não voltam mais?

Carina Bratt

POR ACHAR DEVERAS interessante e de certa forma bem atual, adaptei o texto abaixo de um e-mail que me foi enviado por um leitor e amigo, o senhor Joel, a quem prezo muito como amigo e pessoa. Fiz algumas modificações colocando os diálogos mais ao gosto dos meus leitores, amigos e amigas que me acompanham todos os domingos em minhas ‘Danações’, publicadas aqui na revista ‘Cão que Fuma’. 

Tenho certeza absoluta que todos entenderão e concordarão comigo que no tempo de nossos pais e avós, no tempo em que éramos crianças a vida, as coisas, o dia a dia se faziam mais bonitos e tranquilos e obviamente não tínhamos os atropelos que hoje invadem o nosso cotidiano de forma brutal e às vezes até com ares severos da mais pura destruição. Aliás, a devassidão em nosso hoje é a chave que abre e escancara todas as portas de um amanhã sem talvez.


A enxurrada de desgraças e dissabores de podridão e mazelas que encontramos em dias de hoje nas redes sociais, muitas vezes levam os nossos jovens a descambarem para caminhos tortuosos. Na maioria, um fato se tornou comum, corriqueiro. Sem a benignidade da volta. Ficou meio apagado, meio desusado, aquela ideia de que ‘o bom filho à casa torna’, não sei de quem é o texto. Procurei na Internet, o autor, não obtive êxito*.

Todavia, o diálogo que segue abaixo, (como disse, acrescido sem sair do original) fala muito de nossa atualidade. Diz muito claramente do nosso ‘hoje’, onde o que manda, o que dá as regras, o que dita as normas e nos move, como marionetes, não outra doença sem cura, a Internet. Espero que os meus leitores gostem.

‘No domingo, em um almoço familiar, um jovem adolescente perguntou aos pais, tios e avós:
— Como vocês viviam no tempo em que tinham a minha idade?
— Como assim, meu querido filho, quis saber o avô?
— Seja mais claro e objetivo, observou o pai, com um leve sorriso nos lábios;
— Simples, pai: no tempo em que o senhor era criança e tinha a minha idade, como vivia o dia a dia sem televisão colorida, sem Wi-Fi, sem essa tecnologia de ponta, sem internet banda larga, não sei de quantos gês, sem computadores modernos, sem drones cortando os céus, sem bitcoins, sem celulares que só faltam nos colocar uma tornozeleira na cabeça e controlar nossos pensamentos? Da mesma forma, como era a vida sem Gmail, Facebook, Linkedin, Twitter, YouTube, WhatsApp, Messenger, Instagram e outras drogas que ainda nem sabemos como lidar com elas? 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

[Aparecido rasga o verbo] O futuro do “Hoje” pode ser um “Amanhã” sem talvez

Aparecido Raimundo de Souza

‘O amanhã não existe. É apenas um futuro imaginário que criamos dentro de nós com esperanças de um porvir que talvez nunca chegue’. Carina Bratt, de ‘Bastidores’.

O RELÓGIO na parede do meu quarto marca as horas que não sei se quero me fixar nelas. O hoje já me pesa nos ombros, mas é o Amanhã que me assusta. Ele se esconde e se asila atrás da cortina do tempo, como uma criança travessa que prepara uma surpresa inesperada só que eu não sei se vou rir ou chorar quando ele aparecer.

Penso nas promessas que fiz a mim mesmo: escrever mais, ler mais, amar melhor, cuidar da saúde, fazer os exames para me livrar da próstata inchada, e ser menos ansioso. O Amanhã é o cobrador dessas dívidas silenciosas. Ele chega com a fatura na mão, e eu, sem um centavo para fazer um cego cantar “eu não sou cachorro não”, tento negociar com mil desculpas esfarrapadas.

O Amanhã me inquieta, me desassossega porque é desconhecido. E tudo o que é incógnito e misterioso, amedronta, depaupera, faz subir o grau do medo e o buraco da insegurança. Me deixa com os nervos em frangalhos pelo motivo de poder trazer a notícia que mudará tudo, o encontro que virará destino, ou apenas me mostrará a mesa pobre abastecida com um café frio e um pão sem manteiga, e, para variar, uma nova “rotina repetida” com a fuça escarrada de ontem.

O Amanhã é o palco onde atuo sem ensaio, improvisando falas que não decorei. Talvez o medo seja também uma forma de esperança. Se temo o Amanhã, é porque ainda acredito que ele existe, que virá, que me dará outra chance. O medo mórbido é a prova irrefutável de que ainda quero estar com ele, mesmo sem saber o que me espera.

E assim, nesse tom meio escuro, entre o susto e a expectativa, a comoção e o enojamento, vou aprendendo que o Amanhã é mesmo um monstro sem cabeça, e mais que um simples encarar o espelho: ele reflete o que faço hoje. Se o meu hoje é pequeno, o Amanhã me horripila. Se o meu hoje é inteiro, talvez o Amanhã me surpreenda na próxima esquina.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

[Aparecido rasga o verbo] Pesadelos da noite de Natal

Aparecido Raimundo de Souza 

A NOITE DE NATAL sempre me chega trazendo um brilho estranho, um quadro sistêmico, meio que desumano. Apesar das ruas da cidade, das praças e dos prédios se vestirem enfeitadas com luzes cintilantes, eu vejo em tudo o que me rodeia um vazio imenso. Um colossal e pegajoso precipício. Parece, este inaudito, ganhar vida própria dentro de uma solidão pesada e mesquinha que acompanha os meus passos o ano inteiro. Vislumbro árvores de Natal decoradas nas calçadas da praia, alimentadas com cuidado e carinho como se em cada ornamento carregasse uma memória especial. Existe, bem sei, um mundo ao meu redor, um universo paralelo que celebra o magnânimo. Todavia, há também, uma taciturnidade funesta e assoberbante, malfadada e insana que se instalou em meu peito. É uma espécie caricata de solidão pesada, diria sem medo de errar, uma desgraça obnubilada e incoerente, bárbara e hostil, que se faz mais presente exatamente nesta noite, quando todos parecem ter alguém com quem compartilhar sorrisos e abraços. 

Nesta hora em que escrevo, a ausência de companhia se torna mais palpável, e a saudade de tempos mais alegres se mistura com as luzes cintilantes. Longe dos familiares que não tenho e dos amigos que também não possuo, enfim, divorciado dos seres vivos que circundavam ao meu redor, incrivelmente tais criaturas criaram asas enormes e voaram para insulares e semotos lugares que desconheço. Esta sensação de distância e ausência é realmente dolorosa, especialmente em uma época em que normalmente associamos, num só contexto, a consanguinidade dos mais chegados, bem ainda os amigos e a celebração, tipo assim, de todos os demais irmanados e de mãos dadas agraciados em uma sustentação única de apoio um ao outro. A noite de Natal, em outros idos, sempre chegava trazendo consigo uma resplandescência de brilho diferente. Mamãe Ana, ainda viva (que o Pai Maior lhe dê o merecido descanso), se transformava no “pilar-base” que sustentava a prole. Não carecia de ruas enfeitadas, ou de árvores espalhadas pelo calçadão da praia. 

Só a presença dela se fazia bastante para dar vida e cor entrelaçando os pequenos mimos e tudo que orbitava ao redor, ou ao entorno de nós. O significado da plenitude ganhava vida própria. Não se fazia necessário, pois, ficar esmiuçando ou procurando belezas nas árvores de Natal, ou nos parques e jardins, porque ela era a árvore viva que decorava cada canto da casa, usque cada pedacinho de nós e o fazia repletada com um cuidado divinal –, uma espécie rara de efemeridade que em dias de hoje, está cada vez mais difícil e escasso de ser encontrado. Jorge, meu padrasto (que Deus igualmente o tenha), inebriava uma alma incomensurável. O cara fazia questão de reunir cada um dos seus e brigava, se na noite de Natal não estivéssemos todos ali, unidos e colados, para nos alimentarmos da sua emoção e da vida plena que emanava de dentro de seu coração. Apesar de seu corpo envelhecido, em face dos janeiros que vincaram fortemente seus anos vividos, se podia perceber em rugas latentes de seu rosto, o sorriso bonachão que nunca abandonava a sua amabilidade para dar lugar a uma tristeza, por mais fastidiosa que fosse. 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

[Observatório de Benfica] Boa noite, Professor!

Mário Florentino

E se o professor Marcelo, comentador político, tivesse feito um comentário televisivo na noite de ontem sobre a atualidade política em Portugal. Seria mais ou menos assim:

“- Boa noite, Professor!

- Boa noite, Judite. Então hoje temos muito para falar da atualidade política nacional. Mas você está muito elegante, parabéns. Então avancemos que isto foi uma semana de muitos acontecimentos. Já falámos na semana passada sobre o chumbo do orçamento, vejamos hoje a crise nos partidos da direita e o que pode o Presidente Marcelo fazer a seguir.

- Primeiro, o CDS. Ora bem, o CDS parece um saco de gatos em que ninguém se entende. Já sabemos que o Chicão fez aquele número de, primeiro queria antecipar o congresso, agora já quis adiar o congresso, enfim, uma grande trapalhada, que as pessoas não endentem. E depois há aquela gente toda à volta do Nuno Melo, que está a debandar e a deixar o partido. Mas, ó Judite, deixemos por agora o CDS, que já não conta muito, pois as sondagens só lhe dão um por cento, e por este andar – e com muita pena minha – parece que vai mesmo desaparecer.

E passemos para o PSD, o meu partido, partido do qual fui líder, há muitos anos. Ora bem, aqui o problema é o seguinte. O PSD estava preparado para ir a eleições em 2023, e não estava à espera disto. E haveria eleições normais, para a liderança do PSD, regulares, já marcadas. Ora Paulo Rangel, recorde-se, apresentou a candidatura normalmente, tudo regular, a essas eleições. E depois é que apareceu a crise política – um pouco precipitada pelo Presidente Marcelo, em minha opinião mal, mas já lá vamos. Ora, num contexto de crise política, e havendo quem se tenha candidatado, não faz sentido não haver disputa interna, e Rui Rio deve ir a votos. Deve deixar os militantes se pronunciarem, ó Judite, é assim, porque se não for assim ficará sempre a suspeita: “olha, o tipo não quis eleições, porque tinha medo de perder”, e fica fragilizado. É assim, em política é assim, é assim, é assim. Deve sempre dar-se a palavra aos militantes. Olhe quando eu fui líder do PSD, lembra-se? Quantas vezes é que eu fui a votos internamente? E fiz muito bem, porque depois saí sempre dos congressos reforçado. Rui Rio deve fazer o mesmo agora. E eu acho que o Rui Rio ainda não percebeu isso, dá um pouco a ideia – e isso é mau – que ele está agarrado à cadeira. Olhe, ele aí está um pouco a lembrar-me o António Costa, que também é muito agarrado ao poder, olhe, já desde o tempo da associação de estudantes de direito ele era assim…

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

[O cão tabagista conversou com…] Mário Florentino: “Em Portugal, claro que todo o debate de ideias está enviesado, mas isso vem de trás, da revolução de 74.”

Nome completo: Mário Alberto Arango Florentino

Nome de Guerra: Mário A. Florentino (ou Mário Arango, ou MAF, consoante as guerras)

Onde e quando nasceu?

Em Lisboa, no dia 13 de maio de 1969.

Onde estudou?

Na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

O que cursou?

A licenciatura que tirei inicialmente foi Economia, mas depois fiz vários outros cursos. Na realidade, sou uma espécie de colecionador de cursos, gosto de estar sempre a estudar. Ainda no tempo da licenciatura, tirei também muitas cadeiras de Gestão de Empresas, e depois, no último ano, fiz parte de um MBA, em Antuérpia, na Bélgica, ao abrigo do programa Erasmus. Mais tarde, fiz um mestrado em Investigação Operacional e Engenharia de Sistemas, no Instituto Superior Técnico. Passado uns anos, fiz um outro mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, com a especialidade em Política Comparada. Nestes dois mestrados, fiz só a parte letiva, não fiz a tese, pelo que não tenho o título de Mestre. Depois fiz ainda uma outra pós-graduação, em Gestão de Empresas de Telecomunicações e Tecnologias de Informação. Enfim, já tirei muitos cursos, o próximo terá de ser um doutoramento, vamos a ver quando consigo. Falta decidir em que área do conhecimento, porque tenho interesses muito diversos. 

Onde passou a infância e juventude?

Passei a infância e juventude em Lisboa, nos Anjos e no Lumiar. Durante as férias, passava grandes temporadas numa aldeia na Galiza, chamada Ermida, que fica no concelho de Covelo, na província de Pontevedra. Os meus avós tinham lá uma casa, que ainda é da família, e eu e os meus irmãos passávamos lá todos os anos, pelo menos, um mês, às vezes dois. Na adolescência, comecei a ir também por vezes ao Algarve com a família, normalmente ficávamos na praia de Monte Gordo.


"Com os meus pais e meus irmãos; eu sou o 1º à esquerda"

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?

Tive uma infância feliz, sem grandes sobressaltos. Recordo com saudade as férias de Verão, sempre divertidas, eram os melhores momentos, sempre com grupos de amigos, jogávamos muito futebol de rua, com duas pedras a fazer de balizas. Recordo as longas viagens que fazíamos no início de agosto, de Lisboa para a Galiza. O carro do meu pai não era muito grande, mas cabíamos todos, ele e a minha mãe, e nós, os quatro irmãos, e uma gata, mais a bagagem para férias de um mês.

"A Ermida, aldeia dos meus avós, na Galiza, onde ainda temos casa de família"

Parte dessa bagagem era colocada em cima do tejadilho do carro. Ainda não havia autoestrada até ao Porto, fazíamos o caminho pela Estrada Nacional e levávamos horas, com longas filas de trânsito. Como saíamos tarde de Lisboa, tínhamos que dormir a meio do caminho, normalmente na zona da Cúria, e no dia seguinte arrancávamos de novo, para chegar à Galiza de noite. Durava dois dias uma viagem que hoje fazemos em cinco horas. Era uma aventura. Mas era muito divertido, apesar de andarmos sempre à bulha, eu e os meus irmãos.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

[O cão tabagista conversou com…] – 100ª! – Lourenço Bray: “Temos um problema de independência dos media em Portugal, agravado com a penúria financeira e perda de relevância…”

Nome completo: Lourenço Farrajota Cristina Bray

Nome de Guerra:  Lourenço, mas na playstation e outras plataformas de gaming online é aguia77

Onde e quando nasceu?

Bruxelas, Bélgica, 1977.

Onde estudou?

Instituto Superior de Economia e Gestão, curso de Matemática Aplicada à Economia e Gestão.

Onde passou a infância e juventude?

Passei a infância numa pequena aldeia a 12km a sul de Torres Vedras, as Carreiras [foto abaixo], vindo de Bruxelas com 5 anos. Depois, com 9 ou 10 anos fui para Torres Vedras onde fiquei até ir para a universidade.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?

Na infância, salientaria mesmo a transição de vida de uma grande metrópole europeia, num país rico e desenvolvido como a Bélgica em 1981, para um contexto de aldeia no Portugal rural pós-revolucionário. Nem falava português. Tinha apenas 4 ou 5 e anos e recordo-me com grande nitidez da mudança, da viagem, das primeiras interações com miúdos da minha idade, de ouvir português e não entender nada. Felizmente tinha um amigo, o Marco, filho de emigrados em França regressados à aldeia, que sabia falar francês e foi intérprete.

Foram sempre todos muito amistosos e ainda hoje os considero amigos e sigo-os - vantagens de plataformas como o facebook. Nem me recordo de aprender português, em poucas semanas ou meses estava a falar. E com pronúncia local, para desespero do meu pai que me corrigia. Foi um período muito feliz. A vida na aldeia nessa época era algo mágico.

Depois há uma série de acontecimentos, como na biografia de toda a gente… Por exemplo, a morte do meu primeiro cão, o Garoto, algo trágica, abatido pelo meu próprio pai. Era um cão muito mau, muito perigoso, já me tinha atacado uma vez e arrancado uma unha de um dedo, embora eu tenha sido palerma ao fazer-lhe uma festa enquanto comia.

Adorava o cão, toda gente tinha medo ele. Um dia atacou uma vizinha, felizmente sem gravidade, mas teria de ser abatido e o meu pai recusou-se a levá-lo a um matadouro ou ao veterinário e fez o serviço ele próprio. Ainda me lembro de o ver com o corpo do cão num lençol, nos braços.

Enfim, tenho mais memórias, penso que as crianças registam “cenas” assim.

A juventude teve muitas memórias, saliento ter saído de Torres Vedras para Lisboa e, portanto, começado a viver sozinho. Também salientaria a primeira vez que beijei uma rapariga, foi muito tarde, porque sou uma pessoa das que vai para cursos de matemática, faz parte.

Vai frequentar que faculdade?

ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão, curso de matemática aplicada à economia e gestão. Era uma universidade bastante simpática no centro de Lisboa, convenientemente perto dos bares da 24 de julho e do Bairro Alto.

Escolhi o curso porque me parecia muito difícil, apareceu num artigo qualquer de uma revista que o colocava nos três mais difíceis do país a par de engenharia aeroespacial no técnico e outro que não me recordo. Confirmo que era difícil. Nunca tinha tido uma só negativa na vida e logo no primeiro exame a uma das cadeiras tive 3 em 20. Fiquei em choque.

domingo, 11 de julho de 2021

[O cão tabagista conversou com…] Ernani Matos: “hoje não teria mais estrutura física e disposição para encarar um voo de 12, 14 horas…”

Nome completo: Ernani Fernando Matos Cardoso

Nome de Guerra: Ernani Matos

Onde e quando nasceu?

24 de março de 1959, Rio de Janeiro - RJ

Onde estudou?

Escola Municipal México e Colégio Brasil, ambos em Botafogo.

Onde passou a infância e juventude?

Nascido em 1959, em casa mesmo, com parteira, em uma área simples de Copacabana, no topo da ladeira dos Tabajaras, onde morei até os 10 anos de idade. Nessa época, a família mudou-se para um pequeno apartamento no Leblon, onde residi até completar 22 anos.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?

Minha infância foi normal para os tempos em que a vivi, brincando todo o tempo fora de casa, futebol, bola de gude, praia etc.

Estudava em escola pública, em Botafogo, e sempre ia de ônibus sozinho, mas os tempos eram outros.

Como brincava o dia inteiro e fora de casa, estava sujeito a acidentes. E no período de um ano, que eu me lembre, minha mãe teve que me levar ao hospital umas cinco ou seis vezes: duas vezes com cortes na cabeça e pregos, e corte com vidro nos pés, mas nunca fraturei um membro.

Entendo, tudo no devido padrão infância feliz… 😉

E ficou brincando e aprontando até que idade?

Meu período de ‘Curtindo a vida adoidado’ (Ferris Bueller's Day Off) foi até os meus 14 anos, pois após a escola – estudava na parte da manhã – almoçava e levava o almoço para o meu pai, que possuía uma loja de material de construção em Jacarepaguá, e trabalhava com ele até o horário de fechamento da empresa, fazendo a parte contábil, pagamentos, atendimento no balcão e outras coisas. 

Hummm… que segredo guardam as… ‘outras coisas’?

Minhas outras tarefas na loja, era descarregar e carregar todo tipo de material de construção, até onde o meu porte físico franzino permitia. Ao completar 17 anos, assumi a direção de um pequeno caminhão para entregas nas redondezas da loja.

Então, começou a trabalhar aos 14 anos, né?

Trabalhei dos 14 aos 21 anos na loja da família.

E depois desse período de ajudar o seu pai na loja, para onde transferiu a sua mão de obra?

Com 19 anos, acompanhando duas amigas ao escritório da Varig na Avenida Rio Branco, para se inscreverem na seleção para Comissária de voo, fui incentivado pelas amigas e pela funcionária que recebia as inscrições a me inscrever também, fato que jamais tinha sido a minha intenção. Meu processo seletivo durou cerca de dois anos e meio, sendo chamado para testes psicotécnicos de três em três meses, sendo todo o processo seletivo finalizado e o início do curso de aluno comissário em março de 1982.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

[O cão tabagista conversou com...] Mithá: “O meu destino ficou traçado pelo processo de transição da era colonial para a independência de Moçambique, em 1974-1975. Foi no final da minha infância.”

Nome completo: Gabriel Sérgio Mithá Ribeiro

Nome de Guerra: Mithá. Provém do hindi e quer dizer doce.

Mithá é o sobrenome acarinhado na família e proveniente do lado materno. O meu avô chamava-se Omar Mitha. Nasceu em Jamnagar (Estado Gujarate, Índia), provavelmente originário do Paquistão, justamente do Estado paquistanês Mitha, próximo do território indiano. Pertencia à minoria islâmica em terra de hindus e emigrou da Índia para a África nos inícios dos anos trinta, provavelmente em direção a uma das colónias inglesas (Rodésia do Sul/Zimbabwe ou Rodésia do Norte/Zâmbia).

Suponho ter sido uma das vítimas da Grande Depressão iniciada em Nova Iorque, em 1929. Mas como aportou na costa moçambicana do Índico e pretendia rumar ao interior do continente em direção às colônias inglesas, os portugueses, como chegaram primeiro que os ingleses, ficaram com o litoral Atlântico e Índico, esse meu avô acabou por se fixar do lado de cá da fronteira, ainda em Moçambique.

Levou com ele duas filhas, depois enviadas para familiares fixados na Rodésia do Sul.

Solitário no lado moçambicano, no Fingoè, interior da província de Tete, montou o seu negócio, construiu uma loja/casa e casou-se com a minha avó materna, Mariamo Ismael Taíbo, miscigenada entre africanos e gentes do Índico.


A minha mãe, Juleca Omar Mithá, foi a primogênita (1934-2008). Não conheci esse avô materno do nome doce por ter falecido em 1958. Quando a minha mãe, as suas duas irmãs e o seu irmão mais novo foram registados pela então administração colonial portuguesa, em Moçambique, o sobrenome passou de Mitha a Mithá. A nova sonoridade não ficou pior e, mais não seja por isso, não foi opressão colonial.

Ou único problema de tal linhagem materna é viver debaixo da ameaça do furor cancerígeno. Por aí estou ferrado. Sempre que regressei a Moçambique depois de 1997 e pude ir ao Fingoè, procuro a campa do meu avô e faço-lhe a devida homenagem.

Numa das ocasiões fui com o meu tio, Ismael Mithá, falecido recentemente, que me mostrou os restos das fundações da casa onde nasceram e viveram, o que então me emocionou.

Toda aquela terra fértil e próspera para a agricultura e para os negócios foi simplesmente varrida do mapa pela guerra civil entre comunistas (Frelimo) e tradicionalistas (Renamo) que gerou a mais dramática hecatombe moçambicana de sempre, entre 1976/1977 e 1992. No mínimo um milhão de mortos e uma destruição humana e material sem precedentes, quando a guerra colonial anterior entre os portugueses e a Frelimo (1964-1974) tinha matado cerca três mil militares e instigado o maior desenvolvimento de sempre da colônia, apesar do chinfrim da esquerda orquestrada pelos soviéticos e americanos progressistas. Não há palavras para o comunismo. Criminosos à solta.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Morreu Laura Ferreira, a mulher de Pedro Passos Coelho

Laura Ferreira foi diagnosticada com um tumor ósseo há cerca de cinco anos. A doença espalhou-se até aos pulmões e o seu quadro clínico inspirava grandes cuidados.

Observador

Morreu Laura Ferreira, a mulher de Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro. Ao que o Observador apurou, Laura Ferreira morreu durante esta noite no IPO de Lisboa, depois de o seu estado de saúde se ter agravado consideravelmente durante o fim de semana. O velório realiza-se ao final da tarde desta terça-feira, no Centro Funerário de Cascais, em Alcabideche.

Foto: André Kosters/Agência Lusa
Há cerca de 5 anos, a fisioterapeuta foi diagnosticada com um tumor ósseo que acabaria por chegar aos pulmões. Em dezembro, apesar de o quadro clínico já inspirar grandes cuidados, foi autorizado a Laura Ferreira deixar o Instituto Português de Oncologia, onde estava internada, para passar o Natal em casa com o marido e as duas filhas, Teresa, de 24 anos, e Júlia, de 12.

Em dezembro passado, Laura Ferreira foi transferida do Hospital Amadora-Sintra, onde sempre foi acompanhada, para o IPO de Lisboa. Há cerca de dois anos, depois de se pensar que a doença tinha sido controlada, o cancro voltou. Inicialmente foi-lhe diagnosticado um tumor ósseo agressivo num joelho e, em 2017, novos exames mostraram que se tinha alastrado aos pulmões.

Desde então, que a saúde de Laura Ferreira estava cada vez mais frágil.

“Tenho muito medo de morrer, mas depois há um lado que se levanta e diz: ‘Não, tens o teu marido, tens as tuas filhas e a tua família!’ Eu tenho de viver, tenho tanta coisa para fazer”, escreveu Laura Ferreira na biografia do antigo líder do PSD, publicada em 2015.
Título e Texto: Observador, 25-2-2020, 10h47

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

[O cão tabagista conversou com...] Carlos Alberto Toscano: “Na minha opinião nem segunda instância deveria existir. Foi julgado e condenado, então cumpra-se a pena."

Nome completo: Carlos Alberto Toscano de Britto

Nome de Guerra: Carlinhos

Onde e quando nasceu? Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1968

Onde estudou? UCB

UCB? Que faculdade?
UCB = Universidade Castelo Branco

Ok. Mas fez que faculdade: Direito, Política Ambiental, Medicina Veterinária...?
Ciências da Computação, sou formado em Análise de Sistemas.

Onde passou a infância e juventude?
Infância e Juventude passada na minha cidade natal, o Rio de Janeiro.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?
Como qualquer ser humano, passei por várias etapas que me marcaram. Os alegres foram bem mais do que os tristes, mas como não faço ideia do objetivo da sua pesquisa, vou responder ambas:

um momento triste: a perda do meu avô, por parte de mãe. Eu era muito ligado a ele e não pude me despedir. Foram quinze dias, desde o momento que ele vomitou sangue, foi internado e nos deixou. Morava em Salvador e eu no Rio, não tive tempo de dar-lhe um último abraço e falar o quanto o amava e o quanto tinha sido importante para mim.

momentos felizes foram vários: os carnavais em Salvador com as pessoas da minha família que mais amo, a formatura na faculdade, o tempo que morei na Barra e os amigos que lá encontrei, e para finalizar é preciso uma explicação, que para muitos poderá parecer tolo.

Os filhos costumam seguir os pais. Fui criado por um pai que me ensinou a amar o bom e velho futebol. Meu velho é botafoguense, jogou futebol de areia (na época em Copacabana existiam campeonatos disputadíssimos).

Desde cedo segui seus passos, embora tenha optado por outros caminhos (rs). Por um bom tempo o Maracanã foi minha segunda casa e adorava assistir meu time, que, convenhamos, só tinha feras.

O título mundial de 81 marcou-me muito. Tinha 13 anos e participei daquela festa nas ruas que começou nas primeiras horas de um domingo.

Já que falamos em esportes, a perda de Senna foi um momento triste para mim. Dava orgulho de ver aquele brasileiro elevar o nome do nosso país, já que na época já era mais conhecido pela corrupção. Eu adorava Fórmula 1, e naquele dia, a Maldita Tamburello levou meu segundo ídolo do esporte e dentro de mim a Fórmula 1 morreu. Nunca mais assisti GP's.

A propósito, meu primeiro ídolo na F1, foi justamente o ídolo do Senna. Se chamava Gilles Villenevue, um canadense que era genial e morreu de acidente em Zolder, na Bélgica. Daí tiramos mais momentos felizes: os GP's no Rio, das quais eu sempre ia.

Na Barra (da Tijuca)?
Sim, na Barra da Tijuca, of course!


Que título mundial foi esse em 1981, hein? 😉
Que título mundial ?? rs...  O mais bonito de todos... O Mengão dando um baile nos ingleses do Liverpool.

Ué!? Mas você não é botafoguense? (E eu que sempre achei que você, com a sua inteligência, fosse vascaíno! Well...) 😉
Acho que me confundiu! rss
Na verdade, tenho duas paixões no futebol: o Mengo, e por motivos de antigas raízes a Juventus de Turim. De vez em quando posto fotos com minha filha com a camisa da "Vecchia Signora", as cores são as mesmas do Botafogo.

Quando começou a trabalhar?
Comecei a trabalhar... humm... difícil ...acho que por volta de 1986 ou 87. Essa você me pegou. 😊

Qual foi o seu primeiro ‘trabalho’?
Meu primeiro trabalho foi em uma locadora de vídeo. Não foi a do Mandala.

E fica trabalhando nessa área (locação) até quando?
Não faço ideia. Não me dou muito bem com datas. Lembro apenas que em 1993 eu consegui meu primeiro estágio na CEF (Caixa Econômica Federal) da Praça da Bandeira.

domingo, 30 de dezembro de 2018

[As danações de Carina] Bonecas

Carina Bratt


Hoje falarei das filhas “patricinhas” que não gostam de ajudar as suas respectivas mães em casa. Nem por reza braba ou que chova canivetes. As minhas amigas da redação (na hora do café quentinho, servido no refeitório), reclamam e com toda razão. Diria razão de sobra, para merecerem um “sabãozinho” de leve em suas queridas princesinhas. Vamos lá, sem magoar quem quer que seja!

Os relatos:
“Minha filhota tem vinte e um – diz Mariana do café. – Fica o dia inteiro ‘enquartada’, a luz acesa, o ventilador de teto ligado a toda velocidade, ouvindo música. Faça-me o favor. Cada tipo de música que se pudesse sairia correndo e não voltaria nunca mais”.

Pausa:
Antes de prosseguirmos, uma explicação necessária. Entendam aqui o termo ‘enquartada’ como metida ou entocada, ‘dentro de um quarto’.

Seguindo com as reclamações:
“A minha Lisandra” – entra na conversa a Mary da portaria e desabafa quase aos prantos – “só sai da toca para as necessidades fisiológicas ou para comer. Celular é o dia inteiro. Não sei que tanto assunto tem para ficar com as amigas de manhã à noite”.

“Recentemente saída de um estágio de quase dois anos que fazia numa grande empresa de celulose – segreda a Benedita da redação, a minha moça, agora, só quer saber de dormir. Se deixar dorme o dia inteiro e se duvidar, emenda com a noite. Come um monte de besteiras e quando resolve dar as caras, sequer arruma a cama. E tem a cachimônia de me chamar de rainha”.

Outra amiga, a Eloísa, da segurança, cria coragem e manda bala: “A minha menina, a Bárbara, tem dezesseis anos. Pra namorar é uma beleza. Vocês precisam ver. Uma beijação, uma agarração. O rapaz, por sua vez, da mesma idade que ela, não faz nada e quando não está lá em casa, jogando vídeo game no quarto dela, passa as tardes na rua soltando pipa ou andando pra lá e pra cá com uma gaiola na palma da mão. Às vezes me dá vontade de esmagar o passarinho com gaiola e tudo”.

A Cíntia, da limpeza, não deixa por menos. Abre o jogo. “Bebel não lava um copo. Dou um duro aqui nas dependências da revista, um duro dos diabos, vocês sabem disso. À noite, enfrento dois trens lotados. Chego em casa cansada, exausta, aos peidos. Procuro manter as contas em dia, o marido se escafedeu com outra e me deu um belo de um pé na bunda. A filha das unhas não lava a calcinha que acabou de trocar. Deixa no chão do banheiro, jogada. Se eu não catar, fica a semana inteira, chega a dar bicho. Não adianta bater boca. Cansei. Meus conselhos devem entrar por um buraco do ouvido e saírem pelo olho do cu". Cíntia pede desculpas pelos palavrões e todas nós aceitamos numa boa.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Roraima: "Como me enoja ver gente cobrando de nós a caridade que jorramos em cima dos que fugiram do Socialismo."

Daniele Custódio

Como me enoja ver gente de outros Estados cobrando de nós, roraimenses, a caridade que por três anos jorramos em cima dos venezuelanos que fugiram do Socialismo.

Quando alguém de fora de Roraima nos chamar de xenófobos, vamos lembrar que semana passada venezuelanos mataram um homem a pauladas para roubar os tênis dele e também venezuelanos montaram uma emboscada para matar um senhor, roubar seu carro e vender as peças na Guiana.

Quando disserem que somos cruéis vamos lembrar que três semanas atrás venezuelanos agrediram as ÚNICAS médicas plantonistas da única maternidade de Boa Vista, fazendo assim com que elas saíssem assustadas para fazer um B.O. (Boletim de Ocorrência) e resultando em bebês mortos no ventre de suas mães.

Estado de emergência social foi decretado em Roraima em 2017. Foto: Geraldo Maia/EPA
Quando disserem que somos desumanos vamos lembrar das vezes que as marmitas entregues em TODOS os abrigos, muitas vezes foram parar no lixo porque os venezuelanos diziam que frango e peixe eram comida para cachorro, eles queriam carne vermelha. Cavalo dado não se olha os dentes? Esse ditado só existe para a gente.

Quando nos chamarem de covardes vamos lembrar que no HGR nós não temos preferência e que se eu estiver grávida e chegar num posto da prefeitura só vou conseguir uma consulta pra dali a uns dois meses, ao passo que a venezuelana que atravessou a fronteira com um filho doente em cada braço e mais um na barriga consegue uma consulta para o outro dia. Ainda falando em grávidas venezuelanas, vamos lembrar que 40% dos partos na maternidade são de bebês filhos de imigrantes.

Quando disserem que somos bárbaros vamos nos recordar do casal de idosos que foi morto a pauladas (impressionante como eles adoram matar roraimense à paulada) por um casal de venezuelanos que tinha conseguido emprego de caseiros no sítio do casal; lembremos do senhor de Mucajaí, seu Japão, que numa festa da cidade foi também foi morto a pauladas por um venezuelano, o que foi a gota d'água para os moradores de lá, que fizeram a mesma coisa que os moradores de Pacaraima.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

[O cão tabagista conversou com...] Marco Sichi: “Os comissários só deixam de ser vistos como serviçais no momento em que o filho do passageiro se engasga”

Nome completo: Marco Antonio Sichi de Mello
Nome de Guerra: Marco Sichi

Onde nasceu? Em Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo, em 5 de agosto de 1962.

Onde estudou? Primário, na Escola Municipal Coronel Almeida; o ginásio e colégio técnico profissionalizante, na Escola Técnica Estadual Presidente Vargas, (curso Técnico em Mecânica/Ferramentaria). Paralelamente a este curso fiz a escola SENAI Nami Jafet, aqui em Mogi (curso de Marcenaria).

Após servir o exército como voluntário (alistado aos 17 anos e ingressado aos 18) no Grupamento de Blindados de Caçapava, de onde saí como Cabo, fui fazer faculdade de Turismo, em Santos - SP, na antiga AELIS, hoje Universidade Santa Cecília. Não concluí o curso, parei no terceiro ano.

Alguns anos depois, já na Varig, iniciei o curso de Direito na Universidade Braz Cubas, concluí, mas nunca exerci.

5 de agosto, leonino (que nem este Editor), hein? Você acredita na Astrologia?
Sim, leonino, não sei qual é o meu ascendente.

Não acredito na astrologia, amo o céu, tenho um encanto profundo pelas estrelas e constelações, temos um bom telescópio em casa e sempre estamos observando os astros e seus fenômenos. Meus filhos sempre se classificaram de forma muito boa em olimpíadas nacionais de astronomia. 

Explico porque não acredito na astrologia: a luz do sol, o astro estelar mais próximo, leva cerca de oito minutos para chegar à terra.

A estrela Betelgeuse na constelação de Orion é a  décima segunda mais brilhante vista da terra e está a seiscentos e quarenta e dois anos luz da terra, ou seja, o que estamos vendo já ocorreu há muito tempo.  Portanto, não acho que algo que ocorreu há tanto tempo assim possa ser base para uma especulação de futuro ou definição de características.


Gostou da sua experiência nas Forças Armadas?
Meu pai sempre nos ensinou os valores mínimos para ser um Homem, então, sim, gostei.
Fui, na infância, ‘Lobinho’ e escoteiro; a honra, o caráter, a disciplina, o amor à pátria, a uniformidade, o trabalho em equipe, os conhecimentos da vida através da natureza sempre me atraíram. O exército foi um complemento importante para estes valores, e onde aprendi muito sobre liderança!


Quando começou a trabalhar (em empresa privada)?
Trabalhei desde muito jovem. Aos treze anos comecei em um armazém ou venda, depois fui office-boy, aprendiz de lapidador de lentes oftálmicas, militar, mecânico de automóvel, recepcionista em hotéis e finalmente na aviação.

Na sua penúltima resposta, você elenca valores que, no meu julgamento, são valores conservadores. Você é, se considera, conservador?
Sou sim um conservador, mas, para que não se faça um mau juízo de mim nestes tempos do "politicamente correto", é preciso uma explicação. O conservadorismo político é um conjunto de ideias que prega a estabilidade das instituições sociais tradicionais, por exemplo: a família, religião, região geográfica, ordenamento jurídico, etc. Engloba também usos e costumes, tradições e convenções éticas e morais pertinentes a uma determinada região ou cultura.

Para mim, ter educação, ter caráter, ser honesto, ter honra e respeito, amar a sua pátria, é uma obrigação humana para que tenhamos um convívio pacífico e harmonioso, independentemente de sua localização geográfica, mesmo que tenhamos opções religiosas, políticas, sociais, raciais, culturais, de gênero, etc... diferentes umas das outras.

O conservador em geral, aplicado à política e à vida cotidiana, busca a estabilidade dos valores e da ordem sem se preocupar com grandes mudanças.

Já o conservador mais moderno, no qual me enquadro, é aquele que prioriza os valores morais e respeita as mudanças, mesmo que eventualmente não lhe sejam palatáveis, pois entende os rumos do progresso e da evolução.

Aqui, acho que o “politicamente correto” está exacerbando suas ideias sem respeitar as dos divergentes.

Então, sou um conservador, que jamais aceita a desordem, o errado, o ilícito, o desrespeitoso e o intolerante.

Não sou avesso às mudanças como trata a letra da palavra conservador, sou avesso à anarquia e bagunça.

E importante entender também que radicalismo e exageros devem ser tratados com cuidado, e que o grande valor está na liberdade e na ordem.

Hoje, minha convicção política é de direita, conservadora, mas aberta. Meu candidato a presidente ainda não apareceu de forma definida, mas, se nada melhor aparecer, será o Bolsonaro!

Falaremos mais sobre Política, nacional e internacional.
Voltando ao seu trabalho, você foi polivalente, well... 😉
Quando surgiu a vontade ou a oportunidade de ingressar na Varig?
Em 1984 eu trabalhava como recepcionista em um hotel de luxo na Alameda Campinas, em São Paulo. Meu trabalho era bem rentável, tinha boa remuneração, pois fazia parte da auditoria noturna. Nunca pensei na aviação como emprego, era glamoroso demais para mim.

Minha irmã, Mônica Sichi, trabalhava no Despacho (de Passageiros) de Congonhas. Um dia, ao chegar do trabalho em casa, ela estava esbaforida e atrasada, e me pediu para levá-la a Congonhas, onde participaria de um processo seletivo. Ainda de terno, montamos na moto e a levei.  Ao chegar, já havia uma fila enorme e muita gente bonita e arrumada, achei bacana. As amigas dela haviam reservado um lugar e ali fiquei com elas batendo papo, até que chegou a vez da Mônica, e eu entrei junto. E já me deram uma ficha para preencher, eu disse que estava sem meus documentos e que não estava ali pela vaga, a atendente disse que não havia problema, preenchi a ficha com o que sabia e entreguei.

“Vá para a entrevista pessoal”, eu fui.

Ela disse “o psicotécnico tem vaga agora, quer fazer?”, eu fiz.

Saí dele, ela disse “o inglês tem avaliação agora, quer fazer?”, eu fiz.

Fui aprovado em tudo no primeiro dia e ainda teria de voltar no outro para entregar os documentos, o que fiz. Eu, na primeira manhã fiz o que a Mônica levou três meses para fazer!

Com o andar da coisa e vendo aquele ambiente, a possibilidade de viajar, a grandeza da Varig, decidi que iria em frente e, se entrasse, ficaria uns dois anos e voltaria para a minha área. Depois disso passei em tudo, comecei o curso e me encantei ainda mais. A minha irmã só ingressou meses depois de mim.

Nunca havia sequer entrado em uma aeronave comercial, só tinha voado uma vez em teco-teco.

Meu primeiro voo foi no Electra II, emocionante!

Enfim, acho que eu fui o único daquela fila de 7.500 candidatos, que nem sabia o que ia fazer, que entrou!

Amei o que fiz até me aposentar!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

[O cão tabagista conversou com...] Eliza Martins: “Se há algo que me arrependo na vida, foi de ter desistido da aviação... por puro orgulho. Orgulho não leva a nada!”

Nome completo: Elizabeth dos Santos

Nome de guerra: Eliza Martins

Onde nasceu: Rio de Janeiro/RJ

Onde estudou: 
Faculdades Plínio Leite – Niterói

Antes de chegar à Universidade quais colégios onde estudou? E qual a faculdade que frequentou?
Morava em Campo Grande. Cursei todo o 2º grau no Colégio Raja Gabaglia.

Depois me formei em Letras Português/Inglês na Faculdade Plínio Leite, em Niterói, no ano de 1988.

Saudades da infância?
Não tenho saudades da infância.
Minha infância foi muito pobre e todos os anos nos mudávamos. Morei em São João de Meriti, Pavuna, Anchieta, Olinda (Nilópolis), Ricardo de Albuquerque, Del Castilho, Higienópolis... e muitos outros bairros da Baixada Fluminense que não lembro. Aos 12 anos fomos morar em Campo Grande, a primeira casinha da minha mãe (COAB). Éramos quatro filhos e minha mãe sozinha. Mas não passávamos fome, graças a Deus, e não havia a violência dos dias de hoje.

Também morei em Higienópolis, de 1972 até 1979: Ruas Miraluz e Rolândia.
Quando começou a trabalhar?
Comecei a trabalhar aos 18 anos, na Letra S/A, era uma caderneta de poupança (três meses apenas), pedi demissão e fui para Unibanco Crédito Imobiliário. Depois, Sinal Corretora de Valores, e aos 21 anos fui para Varig, onde tive o prazer de trabalhar por vinte anos.

‘Conheci’ a Letra, era o tempo das latinhas/cofrinhos...
Tinha agência na avenida Rio Branco, não?
A agência da Letra ficava na Rua da Assembleia.

Quando começou a voar foi na base SAO?
Quando iniciei o voo foi pela base Rio. Pedi para ir fazer curso em SAO por não ter dinheiro para ir para a Urca todos os dias. Eu morava em Alcântara, São Gonçalo.

Lembra-se do seu primeiro voo?
Se lembro do meu primeiro voo? Com certeza! E com quase todos os detalhes. Isso porque não lembro da tripulação. Lembro que minha instrutora faltou (seria Celia Sauer) que foi substituída no voo seguinte. 
O voo foi para Porto Alegre com pernoite. Mas o segundo voo... não esqueço jamais: Abidjan, de B707.

Por quê?
O segundo voo ficou na recordação por vários motivos.
Voo para África (voo internacional) para quem está começando... é demais!

Abidjan era a terra do marfim e todos fomos ao mercado. Fui ludibriada por um vendedor e comprei plástico como marfim. Só descobri quando me ensinaram que para saber se o marfim é verdadeiro basta enrolar um fio de cabelo em volta do objeto e pôr fogo, fiquei impressionada! O cabelo não queima se estiver em contato com o marfim. Obviamente, meu plástico pegou fogo junto com o cabelo. 😖😂😂😂

No mês seguinte, dezembro de 1986, tive outro Abidjan [foto]. Claro que tinha que tirar a forra, levei a mala cheia de calças jeans (nessa época valia mais que ouro... lá), para trocar por marfim. Tenho alguns objetos de marfim até hoje.


Logo após, em janeiro de 1987 caiu aquele B707 para Abidjan, que matou toda a tripulação, onde muitos comissários tinham acabado de se formar. Incluindo um amigo de turma. 😢

Puxa! Apesar dos meus vinte e um anos de África não conhecia esse macete...
Se bem entendi você começou na MAXI RAN?
Jim, é impressionante mesmo este macete para testar o marfim! O fio de cabelo colado ao marfim fica protegido!

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Relatório do programa da Convenção Nacional da Juventude da CDU, realizado em Dresden, capital da Saxônia (antiga Alemanha Oriental)

Cesar Maia


Bruno Kazuhiro, presidente da Juventude Democratas Brasil (primeira semana de outubro de 2017)

1. Abertura à tarde com a participação do Primeiro-Ministro da Saxônia (Governador), Sr. Stanislaw Tilich (CDU).

- Alemanha tem muitos vizinhos, mas na Saxônia focamos na República Tcheca e na Polônia, que fazem fronteira conosco.

- A democracia cristã era muito forte na Europa no passado. Foi perdendo espaço em países como Itália e Holanda. Mas nos mantemos fortes na Alemanha. Nesses países a direita mais radical ganhou nosso espaço, como o Forza Itália por exemplo. Não podemos deixar que isso ocorra aqui com a AfD, (Alternativa de extrema direita). Temos que seguir nos reinventando.

- A Saxônia é o estado que está melhor econômica e socialmente dentre os antigos da Alemanha Oriental.

- O crescimento da AfD vem do medo. Medo de perder os empregos, dos refugiados, da globalização, da mudança, da competição no mercado com produtos da Ásia, etc.

- Estamos disputando espaços com carros asiáticos. Nossa indústria automobilística é o coração da Alemanha.

- O sucesso alemão atual não pode ser visto como eterno. É preciso cuidar, manter, planejar, diminuir a insegurança que faz crescer a AfD.

- Como cristão também me pergunto: Que mundo é esse onde o sucesso só é medido pelo dinheiro? Todos só querem riqueza, esquecendo solidariedade, comunidade, esforço individual, etc.

- Jovens não foram tanto com a AfD. Foram mais adultos, preocupados em perder o que têm, o emprego, a aposentadoria. Antes do nazismo a Saxônia era uma potência industrial. Após duas ditaduras, nazista e comunista, temos só subsidiárias de empresas de outros estados ou países. Decidem nosso futuro fora daqui. O povo não gosta disso.

- A CDU e Merkel falaram tanto de Brexit, Grécia, UE, que deixaram populismo crescer em casa. AfD vem disso. Vivemos num mundo complexo onde um jornalista vive fazendo tudo em seu iPad mas critica a queda na venda do jornal impresso.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

[Aparecido rasga o verbo] O inverso do simétrico

Aparecido Raimundo de Souza

Cláudio Melo Filho, ex-vice presidente de Relações Institucionais da Odebrecht disfarçado de papagaio, depois de ter relatado ao Ministério Público Federal (MPF) que Michel Jackson Temer pediu a ele a ínfima quantia de R$ 10 milhões de reais para campanhas do PMDB (Entenda PMDB como Partido dos Machos que dão Bandeira - quando ainda era vice da jumenta Dilma), passeava com seu disfarce feito às pressas pelas imediações dos Palácios da Alvorada e Planalto,  quando, de repente, ao cruzar por sobre um dos muros de uma bem cuidada mansão (parecia, mas não era a Casa da Dinda do Fernandinho do pó, esta estupenda choupana fica na SML ML 10 Conjunto 15 23 – Setor de Mansões do Lago Norte) se surpreendeu com um velho amigo da sua família, um legítimo Psittacidae em carne e osso, que não via fazia tempo. Se não estava enganado, desde maio de 2014. De chofre, estancou perplexo. Quase não acreditava no que seus olhos enxergavam. O camarada, ou melhor, aquela criatura, ao lado da piscina, não era nenhum Kakapo, tampouco um Nestor ou Agapornis encontrado por aí, a torto e a direito. Todavia, levado pela curiosidade, voou para perto. Queria se certificar que realmente se equivocara e aquele troço desengonçado não se tratava do seu conhecido companheiro de outrora, dos tempos em que, vice-presidente da empreiteira gozava de excelente relacionamento com o Planalto, e, de contrapeso, com outros vagabundos, entre eles Eliseu Padilha. Cônscio da distância que poderia ser perfeitamente ouvido extravasou, na lata, na bucha.


- Meu pai do céu, cara! Que diabo é isso? É você mesmo ou preciso caçar óculos com lentes mais fortes?

- Cláudio, seu delator filho da puta.  É você mesmo? Espera aí.  Que foi? Que espanto é esse? Nunca viu uma coisa assim tão perfeita?

- Caraca! Então é você mesmo, Michel Jackson Temer? Por favor, me dá aqui umas boas beliscadas no lombo. Não acredito ainda no que tenho diante de mim!

Michel Jackson Temer se desquebrou se desmunhecou todo e fez cara de zanga. Esbravejou muito sério.


- Temer não! Agora meu nome é Presidenta! Muito prazer em revê-lo, seu cachorro safado! Delator de merda. E por favor, use a excelência ao se dirigir à minha pessoa.

Cláudio, o bico aberto, os olhos estatelados deu um passo atrás.
- Sai prá lá, Temer. Enlouqueceu? Usando um batom no bico, vestido com as cores da bandeira do Brasil, brasão da república pintado de rosa... e ainda por cima ser rotulado de excelência? Penso que merdecelência lhe cairia melhor...

- Excelência, meu caro. Agora, confesse: estou linda, não estou? Fala a verdade! Seu delator despeitado...

sábado, 28 de maio de 2016

Carta de um Querubim d’Abril

Querido Professor Marcelo,

Estou a escrever-lhe esta carta porque já não suporto esconder o sofrimento que sinto ao ver os meus pais, que toda a vida se levantaram e deitaram à mesma hora e contribuíram assim para um futuro, que é o meu presente, mais justo em que todos pagam mais pagando todos muito menos, a sofrer tanto por causa da carga social, chama-se assim, que agora as pessoas transformadas em números sem escolhas foram obrigadas a suportar.

Eu gosto muito de ver quando o professor pega naqueles molhos de livros todos e sorri como se estivesse a respirar pétalas de cravos para cima de toda a gente através da televisão. Penso que devia ser sempre entrevistado por jornalistas pacíficos e honestos como a Judite de Sousa, a Fátima Campos Ferreira e a Ana Lourenço, que nunca quiseram estragar a paz tão bonita começada pela revolução dos nossos pais, tios, primos, avós e todas as outras famílias que fizeram Abril e lá ficaram, distribuindo ainda hoje as garantias que enchem a nossa despensa do sagrado pão, a garagem com os carros para usarmos as estradas dos engenheiros Ferreira do Amaral e José Sócrates, e a gaveta do aparador onde a minha mãe tantos perfumes e vernizes tem e de que eu, quando decidir qual vai ser a minha identidade de género, poderei vir também a usufruir.

Estas conquistas que os seus afectos, mais a visão longínqua do Doutor António Costa, que de tão garboso e inteligente podia vir nos meus manuais de História porque eu acho que ele é a personificação dos nossos Descobrimentos, de Goa à Mesquita da Mouraria, isto é uma grande felicidade que devia mostrar à Europa o quanto o nosso país tem de bom além do sol, das praias, da liberdade com que toda a população chama nomes uns aos outros, fala alto na rua, cospe para o chão, e decide sem medo da PIDE quando é que um gato, um embrião ou um poste de iluminação transgender são pessoas ou quando podem e devem ser abortados, eutanasiados, ou submetidos a mudanças de sexo que fazem menos mal, dizem os cientistas que estão todos de acordo, do que um chocolate e batatas fritas com sal grosso.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Je suis estátua romana com nu

Maria João Marques 

Ia escrever sobre a abstenção quando apanhei no twitter a notícia de que o governo italiano tinha coberto as estátuas de nus do Museu Capitolino para que não ofendessem o suscetível presidente do Irão

Já tinha um texto escrito, só a precisar de revisão e apuro do tom cáustico e irónico, a verberar os moralistas anti-abstenção que atacam em cada ato eleitoral, e a explicar como a abstenção é, algumas vezes, mesmo aquilo que os políticos e os partidos merecem e de forma nenhuma um desinteresse pela política e pela participação. Mas não estava destinado a ser, porque de repente apanhei no twitter a notícia de que o governo italiano tinha coberto as estátuas de nus do Museu Capitolino para que estas não ofendessem o suscetível presidente do Irão, pelas Europas em visita oficial.



E depois de se ter dissipado o encarnado que tomou conta do meu campo de visão com esta notícia, lá me decidi que afinal devia escrever sobre os governantes que temos que teimam em esterilizar – ou, se calhar, deformar seria melhor palavra – a realidade em que vivemos na prossecução dos seus objetivos progressistas.

Neste caso do presidente do Irão versus as estátuas de nus romanas, há que ser taxativa.