sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

[Para que servem as borboletas?] A ética dos desejos...

Valdemar Habitzreuter

E os nossos desejos? São bem-vindos ou mal-vindos? Benditos ou malditos?... Tudo que desejamos tem a ver com a ética, diz o filósofo Bertrand Russel. Quando dizemos que algo é bom em si é como se experimentássemos humm isto é doce. Mas, o que realmente queremos dizer é isso: desejo que todos desejem isso.

Mas, as expressões de desejos não são declarações cuja verdade ou falsidade possam ser provadas. São apenas desejos que podem ser generalizados, estendidos a todos - a toda humanidade enfim.

Portanto, que o nosso desejo seja o desejo de todos. Assim os desejos podem ser considerados regras morais universais (a la Kant), sem o critério de valoração dos próprios desejos.

O que interessa é que outros desejem o que nós desejamos. Mas, pelas contradições, controvérsias e conflitos dos desejos humanos, deverá haver uma tentativa de disciplinar e coordenar toda essa barafunda de desejos e poder atingir a máxima satisfação possível.

Portanto, para estabelecer uma moral dos desejos dos homens, devemos procurar alterá-los de modo a diminuir o número de ocasiões de conflito e, assim, tornar compatível a realização dos respectivos desejos. Para tanto, devemos incluir o amor guiado pelo conhecimento e, com isso, conquistar a felicidade.

Não se trata de destruir as paixões, e sim reforçar algumas delas em prejuízo daquelas que dão origem à infelicidade, ao desequilíbrio, ao ódio e à dor. Nas paixões positivas, que nos enaltecem, não há nada que a razão deseje diminuir. O Homem racional, quando sente as emoções positivas do amor, não fará nada para diminuir sua intensidade, pois experimenta uma vida bem vivida que favorece sua felicidade e a dos outros.

A disciplina racional dos desejos, reforçando e ampliando uns e abolindo outros, não tem caráter religioso ou transcendente, pois pela ética dos desejos não há valores absolutos como pregam as religiões; por isso, não se pode falar de culpa ou pecado. É uma a ética de formação de uma consciência moral mais aberta e livre de dogmatismo.

O amor conjugado com o conhecimento (ciência) prescinde da moral religiosa que, muitas vezes, se transforma em hipocrisia ou leva a superstições...

Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 5-2-2021

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