quinta-feira, 14 de abril de 2022

Apoplexia de socialistas com socialista

Telmo Azevedo Fernandes

Apesar do peso do estado na economia ser superior a 50%, um socialista destaca-se por querer ainda maior intervenção do Estado e por uma defesa intransigente de um estado social cada vez mais gordo e balofo.

Para financiar o seu lirismo, um socialista não se importa de endividar ainda mais o Estado e aumentar o déficit orçamental. Não hesitará em cobrar mais impostos, sobretudo aos mais abastados e às empresas. Em vez promover condições para o desenvolvimento, a obsessão socialista é com o modelo keynesiano doe pôr o Estado a gastar mais dinheiro e a redistribuir a riqueza criada por outros.

Um socialista dito moderno é muito crítico da globalização, dos modelos sociais anglo-saxónicos, e absolutamente contra o chamado neoliberalismo. Em vez de uma economia aberta, de livre-mercado e liberalizante, um socialista defende o protecionismo, a intervenção estatal e a regulação central das atividades económicas. Daí que um socialista advogue um Estado musculado, taxas e barreiras às importações e alguns até a nacionalização de bancos.

Mas reconheça-se que a narrativa socialista é especialmente sedutora junto dos empregados por conta de outrem, dos operários e dos jovens. Alguns exemplos de medidas que apelam a esta sociologia do voto socialista são a proposta de aumento das pensões e de baixar a idade da reforma para os 60 anos, transportes públicos gratuitos e isenção de IRS para os jovens, a fixação de preços para combater os efeitos da inflação, a subida do salário mínimo para 1.000€, a criação de um imposto sobre o património financeiro, aumentar em 15% o salário dos professores, construir 100.000 habitações públicas por ano, investir mais 20 mil milhões de euros no sistema nacional de saúde, criar um ministério para a luta contra a fraude fiscal, apostar na reindustrialização do país ou a promessa de garantia de preços mínimos para os produtos dos agricultores nacionais.

Se a esta agenda econômica se juntar a defesa da despenalização do aborto e da eutanásia e se o líder de um partido socialista for mulher e duplamente divorciada, preencherá os melhores cânones progressistas. Se, em criança, tiver sido sobrevivente a um atentado terrorista e, na sua adolescência, tiver ultrapassado o trauma do abandono da própria mãe, essa líder não poderá ser melhor escolha. Se essa socialista tiver condenado a invasão da Ucrânia pela Rússia e for apologista de porta aberta para acolher refugiados de guerra ucranianos, será ideal. Se esta mulher política tiver 53 anos e dedicar o seu carinho a seis gatos que tenha como animais domésticos, então, trata-se mesmo de Marine Le Pen, a candidata que disputa a segunda volta das próximas eleições presidenciais em França.

Os insuportáveis wokes, que em bom português se diz «rematados choninhas» andam muito preocupados com o perigo que representa aquela que chamam candidata da extrema-direita. Em caso de vitória de Marine Le Pen sobre Macron, estou certo de que muitos destes totós acabarão por querer a expulsão da França da União Europeia.

Macron é um social-democrata elitista que despreza as mais elementares liberdades individuais e, por isso, se eu fosse francês não lhe daria o voto. Mas, diverte-me a apoplexia que muitos sofrem com a possibilidade de vitória desta candidata socialista, a candidata do campo político da maior parte dos analistas e comentadores portugueses, não do meu.

Em vídeo, aqui:

Título e Texto: Telmo Azevedo Fernandes, Blasfémias, 13-4-2022

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