quinta-feira, 26 de julho de 2012

Saiam da frente que o Paraguai vem a todo vapor na direção do desenvolvimento

Francisco Vianna
Depois da súbita, mas quase unânime destituição constitucional de Fernando Lugo da presidência do Paraguai, muitos davam como favas contadas que o seu sucessor, o então vice-presidente Federico Franco, seria um mero ‘presidente-tampão’, até às eleições presidenciais de abril do ano que vem e que não seria capaz de fazer praticamente nada no período em que ficasse no cargo. Mas ao longo das últimas cinco semanas, Franco surpreendeu a todos com sua capacidade de governar e de fazer as coisas acontecerem, para desespero da esquerda sul-americana que fará tudo para prejudicar o pequeno, mas valoroso país.
O Dr. Federico Franco Gómez, ao fazer o juramento sobre a Constituição e ser empossado como Presidente da República do Paraguai
Franco, um médico cardiologista, vem acumulando conquistas que nem de longe foram conseguidas por governos anteriores, tais como a de ter acelerado o processo de reforma agrária e ter conseguido a aprovação de um imposto sobre a renda individual, entre outros feitos. Toda a esquerda ‘socialista’ criticou a forma pela qual Lugo foi defenestrado do seu cargo, embora ela tenha seguido estritamente o que reza a Constituição do seu país, e, por isso, não houve sanções econômicas nem perdas significativas para a economia, muito embora o Paraguai tenha sido suspenso do MERCOSUL e de alguns foros regionais fortemente dominados por socialistas.
Na verdade, sua suspensão do bloco comercial sul-americano lhe deu mais liberdade de ação e maneabilidade em negociar apoios essenciais, principalmente direcionados à entrada do país na ALCA, ainda que por meio de acordos bilaterais com os EUA, Chile e Colômbia e, agora, Franco se beneficia do apoio dos legisladores que votaram quase unanimemente a favor da destituição de Lugo para imprimir um impressionante ritmo de realizações administrativas, cujo sucesso está sendo propagandeado com vistas às eleições presidenciais de 2013 com o novo mandatário, de 50 anos, prometendo mais medidas nos 13 meses que lhe restam no poder. “A maior alegria que pretendo levar para casa é a de ter começado a inaugurar um país sério e amplamente previsível”, comentou o Presidente Franco numa recente entrevista cedida à TV.
Franco destacou o seu sucesso em acelerar os processos de titulação de terras para levar adiante a sonhada reforma agrária, uma promessa antiga que o governo de Lugo não pode (ou não quis) cumprir e cujo fracasso, segundo muitos acreditam, juntamente com a violência típica dos protestos e ocupações ilegais dos “sem-terra”, acabou custando a Lugo o seu apoio constitucional no Congresso, o que pavimentou o caminho para a sua rápida defenestração do poder. “Num período de 15 dias, entregamos títulos dominiais a 74 pessoas que eram posseiros antigos no país. Sabem quantos títulos como esses foram entregues nos últimos seis meses antes do ‘impeachment’? Apenas três, o que significa que aqui agora existe a vontade, a decisão de solucionar o problema da terra de produção agropecuária”, disse Franco com orgulho.
Ao que parece, o novo presidente está estabilizando rapidamente o Paraguai, após várias semanas de turbulência política e de agitação social causada pela incompetência aliada a motivos ideológicos do ex-presidente Lugo, conforme explicou Hugo Saguier Guanes, presidente do Foro de Análise Estratégica Nacional e Internacional do país. Disse ainda que “Franco deseja ser reconhecido como alguém que levou adiante um projeto sério de país, democrático e capitalista de mercado, para que o próximo presidente tenha um ponto de partida seguro para continuar a construção de uma nova nação, de modo organizado e em franco desenvolvimento”, comentou Saguier. “A gente agora trabalha com mais segurança jurídica, tanto na parte pública como na parte privada, o que deverá atrair ao país muitos capitais externos, principalmente do Brasil”.
Os ‘socialistas’ partidários de Lugo, de fato, continuam sendo um obstáculo para Franco, e têm prometido que vão continuar resistindo ao seu governo de transição. Falta-lhes o necessário patriotismo para virar a página e colaborar na nova construção nacional. Acusam Franco de ter ascendido ao poder mediante artimanhas e por golpe, embora quando ambos, ele e Lugo, foram eleitos como companheiros de chapa em 2008, nenhum deles reclamou. Trata-se da choradeira própria dos vencidos e, no caso, mal-intencionados.
Franco começou sua carreira política quando ainda estudava Medicina, mas há tempos ansiava em ser presidente. Foi membro de Conselho Municipal (Câmara de Vereadores), Prefeito, e a seguir Governador. Não é, pois, um retirante analfabeto que veio para Assunção em busca de emprego.
Plenamente qualificado ao exercício da “real politik”, este ano ele foi candidato a candidato presidencial por seu partido, mas ficou em terceiro lugar. Agora, em função de seu cargo de vice-presidente de Lugo, chegou ao topo do poder de um presidencialismo que não é tão forte no Paraguai como é em outras repúblicas sul-americanas. Embora a sua carreira política possa terminar rapidamente quanto ao retorno à presidência, o que ele tem feito em tão pouco tempo no cargo, bem como pelo seu passado funcional, não é o que as pessoas pensam no Paraguai. Como não existe reeleição do presidente no Paraguai.
Franco deverá entregar a faixa presidencial ao candidato eleito em abril de 2013 e não poderá voltar mais a candidatar-se à presidência da república, por uma medida constitucional altamente profilática, decente, e inteligente.
Outra medida de Franco que o Paraguai inteiro comemora, foi ter conseguido a aprovação pelo Congresso de um imposto de 10 por cento sobre a renda das pessoas que ganham mais de 4 mil dólares por mês, o que equivale a uma arrecadação substancial neste país, mormente agrário. O Paraguai era o único país na região que não tinha um Imposto de Renda.
O Senado também aprovou uma tomada de empréstimo de 125 milhões de dólares do BIRD destinados a construir um sistema de transporte rápido em Assunção, provavelmente um metrô de superfície. A Câmara dos Deputados (chamada Câmara Baixa) provavelmente aprovará esse empréstimo em breve, embora durante o governo de Lugo, o tenha rechaçado.
 Franco tem indicado que iniciará negociações com a multinacional canadense ‘Rio Tinto Alcan’ para um projeto de produção de alumínio que não se concretizou também durante a gestão de Lugo. Estima-se que o projeto implicará num investimento de 3,5 bilhões de dólares no Paraguai.
Franco também prometeu por fim à situação anárquica na região norte do país (El Chaco), onde um grupo guerrilheiro conhecido como ‘Exército do Povo Paraguaio’ – sob a aquiescência velada do socialista Lugo – tem sequestrado civis, matado um policial e atacado granjas e chefaturas de polícia.
Na verdade, só há uma decisão de Franco que tem causado polêmica e controvérsia: a de tentar por fim ao nepotismo no governo e substituí-lo por um sistema de valorização do mérito e da competência, como ele se refere ao problema. Se ele vai conseguir ou não, só o tempo dirá, mesmo porque acaba de nomear sua cunhada, Mirtha Vergara de Franco, com o cargo de confiança de assessora para a represa hidrelétrica de Itaipú. Vergara de Franco, ex-senadora e ex-embaixadora no Uruguai, e que ganha 13.330 dólares por mês, 36 vezes o salário mínimo vigente no país (de 370 dólares), e mais de três vezes o salário presidencial, é tida, no entanto, altamente capacitada para a tarefa.
Franco disse que as críticas ao processo político que o levou à presidência estão amplamente equivocadas. “Refuto-as categoricamente”, pois o processo foi democrático porque foi constitucional e tudo o que foi feito visou apenas o cumprimento da Lei Maior. Assegura que, hoje, tem uma quase unânime aceitação do povo paraguaio e que o ambiente político em seu país é o melhor dos anos recentes.
Os países vizinhos que se negaram a reconhecer o novo governo – que o consideram fruto de um “golpe institucional” – hoje veem que o Paraguai foi beneficiado pela suspensão que lhe causaram – mormente o Brasil – tanto do MERCOSUL como da UNASUL, foros dominados pelas lideranças socialistas da região. Franco faz piada com relação a isso, dizendo que, ao ser suspenso o seu país desses foros regionais, o Paraguai se beneficia por não ter que gastar dinheiro com viagens para assistir reuniões infrutíferas num ambiente opressivo comandado por Chávez, Cristina Kirchner e Dilma Roussef, sem que o seu país jamais pudesse ter voz ativa.
Só não diz que o maior benefício, talvez, seja a liberdade que o país tem agora de fazer acordos bilaterais de livre comércio com os EUA, o Chile e a Colômbia, o que pode garantir ao Paraguai um progresso vertiginoso caso tais acordos sejam de fato celebrados.
Título, Imagem e Texto: Francisco Vianna (da mídia internacional), 26-7-2012

Um comentário:

  1. De Otacílio Guimarães
    Caro Chico,
    Não sei não... O que sempre veio do Paraguai nunca me agradou, principalmente os produtos falsificados e o contrabando. E este presidente que estão incensando vai ficar pouco tempo no poder. O que virá depois é uma incógnita.
    É claro que ao se libertar do Mercosul, da Unasul e do Foro de São Paulo, o Paraguai respirou alividado. Mas é preciso entender que o seu povo é tão ignorante quanto os demais povos sul- americanos. Qualquer picareta que fale a mesma língua da maioria, engana facilmente um povo assim. Veja o caso de Lula Ladrão da Silva. Povos que não sabem o que é uma democracia, um livre mercado, e que não têm acesso à cultura, só podem ser governados por títeres tipos Lula Ladrão da Silva e Hugo Chávez.
    Acho bom você não ficar muito otimista com o Paraguai.
    Abraços,
    Otacílio

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