terça-feira, 12 de novembro de 2019

[Aparecido rasga o verbo] Uma parada necessariamente obrigatória

Aparecido Raimundo de Souza

PAREI! DECIDIDAMENTE DEI UM TEMPO para pensar o que farei da minha vida daqui para frente. A jornada até esse ponto do meu destino foi longa, cansativa e demasiadamente estafante. Depois de ter percorrido esse prolongado prélio em que pelejei guerreando contas às incertezas do meu destino, me sinto com o espírito acrisolado pelos sofrimentos e pelos amarumes dos anos vividos. Por assim, me pego esfalfado, cansado, abatido, sem forças para seguir adiante.

Minha estrada até aqui se mostrou deveras depauperada e fadigada. Quase não me aguento em pé. Estou aos trancos e barrancos, farrapo humano, andrajo sem vontade de nada, querendo sumir num buraco como uma avestruz de pirraça com a porcaria da vida. Aliás, nem sei se as avestruzes ficam de pinimba com alguma coisa, principalmente com a vida. O fato e que pretendo desprender de meus pulsos os grilhões que até agora me acorrentavam aos percalços de uma vidinha sem cor, insossa, grosso modo, sem razão, tipo assim, toda mequetrefe.

Ambiciono, daqui em diante, rever os passos pisados. Todos eles, centímetro a centímetro. De igual forma, retificar as sendas perambuladas. Vicejar em cima das horas gastas com um amontoado de coisas insignificantes e supérfluas, tornando tudo, como num passe de mágica, num florir próspero e esplendoroso. Estropícios que não acrescentaram nada de bom ao meu espírito cairão por terra. Quero ver meu âmago passar por uma metamorfose gigantesca, a ponto de sentir meu astral dando cambalhotas em revérberos de felicidade.

Em paralelo, buscarei fazer uma limpeza em regra nas criaturas com as quais me encontrei vida adentro e mundo a fora. Todos esses seres que só me trouxeram agruras e estorvos (que não acrescentaram nada de útil ao meu cotidiano), eu as abandonarei. Como velhos trastes, as porei de lado, esquecidas num canto ermo para que morram a goles poucos, sob o jugo do ácido de suas próprias desgraças pessoais. Parei! Seduzido tolamente me deixei, é verdade, me permiti ser conduzido por rotas de trilhas largas, porém, perniciosas.

Fui levado a extremos. Topei com olhos frios se negando a me encararem, portas sem chaves para desbravarem saídas e pior, janelas e gretas, postigos e rasgões se abrindo com vistas para panoramas abstrusos, onde a radiosidade alvinitente do Astro Rei se obstaculizava a penetrar. Nesse tempo desregrado, não construí nada de bom, de útil, ou de aproveitável. Nada diáfano, palpável, seguro, que agora, nesse momento em que tudo se desmorona, eu possa me encostar vencido, e chamar de “meu pedacinho de chão”.

Por isso, me retive me arquivei. Aprisionei meu ir e vir de fato. Cansei de invalidar horizontes, me olvidei de viver, de ser eu mesmo, e o mais degradante, deixei de ser uma pessoa normal dentro de um espaço-mundo que era só meu. Esse meu espaço-mundo, de repente, se enfurnou numa espécie esquisita de capa repletada de ásperos negrumes. O céu se fez distante e aquém de meus desejos que acreditava serem seguros.

Todavia, consegui sair vivo dessa Tarpeia de sensações penosas e desagradáveis que me levavam às lágrimas. Pretendo, pois, me ressarcir de todos os males que causei a mim mesmo. Graças a Deus, Bendigo os sofrimentos que me foram impostos. A partir de agora, por conta deles, serei livre, me verei longe-distante de meu passado rupestre. Lá do imarcescível manente, me dando aquela força, o Pai Maior. Ele me abraça e me acarinha, me ilumina a alma, ainda um bocadinho enrodilhada em pedaços de horas maceradas, quase às raias de se tornarem chagadas. 

Como disse, e repito, gritei um “alto lá”. Parei! Parei e tudo acabou. Tudo passou. Tenho certeza que nesse exato momento em que escrevo essa crônica não vivo plenamente. Não vivo plenamente AINDA! Vegeto, purgo a carcaça em mazelas que até então se faziam absolutas dentro do infindável que se postergou ao meu lado, como uma flagelação incomensurável. Foi por essa razão que tomei a decisão de parar. Há momentos em nossa vida, que precisamos urgentemente parar. Refletir, pensar, sopesar. Rever conceitos. Remodelar. Enfim...

Foi o que fiz. Coloquei definitivamente as minhas corridas sem uma direção-alvo num desvio desse trajeto pelo qual vinha viajando erroneamente. Como uma velha Maria Fumaça em desuso, me atabalhoei meio que desajeitado, mesclado por um sentimento acanhado e retraído... Não importa agora! O que está feito, não está por fazer. Às cegas, pois, cara e coragem, me embarafustei com tudo. Aí parei. Estanquei. Estagnei, estacionei. Foi só. Dei uma freada brusca, é verdade, contudo, necessária e substancial. POR CERTO, ESSA INTERRUPÇÃO ME FEZ ENXERGAR TUDO CRISTALINAMENTE (EM TEMPO) HÁBIL DE A C O R D A R.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Curitiba, no Paraná. 12-11-2019

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Um comentário:

  1. Olá bom dia senhor Aparecido Raimundo .eu Erivaldo sempre vou dizer para literalmente é estacionar desligar o motor deichar enferrujar as engrenagens da vida um ser parado não vale a pena sei que é cansativo exaustivo más estara deichando um grande legado para aqueles que o acompanharam a sua trajetória vivida ou que fasia de contas que vivia apesar falamos que vivemos mas não enxergamos que estamos vejetando em prou das pessoas que eu particularmente irei chamar carrapato sangue suga de lamassal quando nos esforçamos de mais por sangue sugas acabamos fasendo o que muitos correm tem medo de deitar em uma cama de ospital e deichar o sangue sircular atraves de aparelhos se podemos faser que ele circule por conta propia e bem melhor quando se doa muito esta so se desgastando tem um espasso de tempo na vida que tentamos prencher mas iremos continuar tentando tentando mas não sera prenxido ate que seja a ora certa so descansa da uma freiada brusca neste momento eu sei e te conheço pessoalmente vai ser tenço mas e sempre bom um descanso são muitas as correrias do dia a dia na verdade um saco e também uma verdade fas parte do ofício eu não tiro sua razão em querer dar um tempo mesmo porque oque Voçe faz não e por nesecidade e sim porque gosta então meu amigo descansa depois vouta com toda força trem a vapor acabou agora ea diesel então e muito mais poder de combustão mais velocidade varios destinos novas conquistas é e sempre sera uma onrra esta com tigo as portas da umilde casa esta aberta .nao importa o tamanho da pancada da vida q\e tomamos o mais importante e se levantar e bater mais forte que ela e está pessoa é voçe .fica ai as minhas palavras desconcertantes e nem edificantes .somos assim cansamos más não paramos e voçe sabe melhor que eu certo ai fica as minhas palavras para o senhor.Aparecido

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