sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O esplendor da ética republicana

José Mendonça da Cruz

O carro do ministro Eduardo Cabrita circulava numa autoestrada na faixa da esquerda, estando as outras livres (infração muito grave), sabemos agora que a mais de 40 km/h acima do limite de velocidade (infração muito grave) e atropelou mortalmente um trabalhador numa zona assinalada.

Foto: Paulo Cunha/Lusa

A investigação quis investigar se umas fezes existentes no separador central eram do trabalhador morto, ignoro se para imputar que tratar das necessidades fisiológicas durante o horário de trabalho merece a morte. O que confirmaria a sugestão inicial do ministro de que a culpa de o trabalhador ser atropelado era do trabalhador atropelado.

Só seis meses depois se soube a velocidade do carro do ministro: 166 km/h

A família do morto continua desamparada.

O ministro diz que é só um passageiro, e nada tem a ver com o que faz o motorista ao seu serviço e que o transporta. O ministro diz que as notícias sobre estes factos são «repugnantes».

O primeiro-ministro tem toda a confiança no ministro Eduardo Cabrita. «Não ia a conduzir, era passageiro», disse ele em agosto. Atacá-lo a este propósito «é desprezível», disse ele em agosto. «Tenho um excelente ministro», disse ele em maio.

Na TVi/CNN a senhora Anabela Neves indigna-se com o «aproveitamento», até porque «no tempo de Cavaco» aconteceu não sei o quê...

De maneira que é isto.

Título e Texto: José Mendonça da Cruz, Corta-fitas, 3-12-2021 

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