sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

[Aparecido rasga o verbo] Cotidiano de exceção

Aparecido Raimundo de Souza

A GENTE PERDE tanto tempo na vida com pequenas coisas fúteis, banalidades e picuinhas que deveriam ser esquecidas e colocadas numa caixinha e enterrada logo depois num campo santo distante do nosso cotidiano. A vida é demasiadamente curta e breve, tênue como um fio esticado entre um desfiladeiro e outro e onde qualquer mudança repentina do tempo poderá interromper todos os nossos sonhos fazendo com que virem poeira ao sabor de um vento que tampouco deveria ter nascido.

Por natureza, tendenciamos a nos preocuparmos com assuntos triviais, programas de televisão eivados de putarias e sacanagens que não nos acrescentam nada, ao contrário, ficamos mais bestificados e tolos. Igualmente, robotizados, comandados, aceitando, ao final, desaforos cabeludos e não condizentes com a nossa formação moral. A nossa visão do amanhã se torna órfã, nos pegamos de calças curtas, abobalhados por uma série de contratempos impetuosos, o que nos leva a pensar seriamente no romance O Conformista de Bernardo Bertolucci, onde diretamente assumimos engolir tudo sem mastigar e sentir o verdadeiro e amargo sabor dos contratempos mais desastrosos.

Nos vemos manipulados, minuto a minuto, por propagandas enganosas, usque falsos pudores governistas, como se fôssemos porcos à caminho de um matadouro de periferia, presos em chiqueiros comendo aquilo que não queremos e bebendo de uma bebida repugnante que nos embriaga e nos amofina. Final da estrada, não nos resta saída digna. Aceitamos, como vaquinhas de presépios a ideia de que o nosso hoje é uma sociedade civilizada ao inverso, quando bem sabemos, tudo não vai além de uma grandiosa e repugnante sacanagem legalizada.

Deslembramos que o povo é uma manada de gados com a cabeça para o abate. O sistema único dos poderosos nos tornou "desmemorizados". Descobrimos que nossos ministros (aquelas da falida Suprema Corte), não passam de adoráveis cães raivosos. Na prática esses falsos vigaristas não aguentariam uma guerra real, porque seus rabos sujos estão presos a uma ideologia furada. A ideologia do dinheiro pelo dinheiro no jogo do toma lá, dá cá. Nossos deputados – igual caminho, são como uma corriola de parasitas e sanguessugas monstruosos. Se fizeram pervertidos, levados pela soberba, pela luxúria, assim como os senadores, em conluio, ajudam a formar, no mesmo trilhar, um covil de canalhas, de fanfarrões e hipócritas que lutam em prol dos seus próprios umbigos, enquanto à raia miúda se fode no verde amarelo em um país à beira do caos, uma nação despedaçada e destroçada, onde o verde pegou fogo nas queimadas da Amazônia e o amarelo se viu corrompido pela lama das vítimas dos desastres de Mariana e Brumadinho.

Por normas impostas, aprendemos a canonizar os párias que militam nos ministérios. Fizemos deles deuses de um Olimpo fracassado. O Vampiro de Curitiba, por exemplo, fugiu das páginas de Dalton Trevisam, manteve relações com cadelas de ruas e praças que viviam fazendo vida nos quartos dos palácios às margens do Lago Paranoá. Dessas trepadas redundou nos nascimentos de outros mil bebês vampiros, hoje espalhados de norte a sul desse Brasil atolado em várias “operações Lava Jatos”, o que fez a galera desavisada vomitar, e, ao mesmo tempo, engolir na marra, na força, às porradas, as engambelações de que as vacinas para porem fim definitivo à pandemia da Covid-19 (controlada por meia dúzia de falsos fajutos da Anvisa) não passa de uma enorme mistura bem engendrada de maconha misturada com centenas e centenas de pinos de coca.

Nesse Brasil sem amanhã, sem talvez, sem porra nenhuma, navegando à deriva num mar de águas procelosas, onde como bem vemos, nada funciona. Apenas como exemplo, o INSS, e o confuso DataSus, este último tão em voga. Um bandoleiro de carteirinha já disse, com todas as letras, a que vieram. O INSS é uma farsa bem engendrada, tanto quanto o DataSus, uma plataforma que vive de promessas. O ministério da saúde bem ainda seu ministro Martelo Quidroga está pior que o comandante do Titanic. Sabe que vai dar com os cornos num iceberg, mas que se dane. O navio não é dele, nem o ministério da saúde. Em passo igual, os futuros pilantras que pretendem galgar as cadeiras do poder nas próximas eleições, já mostram as fuças no sentido de que nada farão para tirar o país do atoleiro, ao contrário, todos os candidatos à presidência deveriam apanhar na cara, careceriam levar boas cintadas na bunda, até ficarem com seus traseiros em carne viva. Quem sabe esses futuros calhordas aprendessem um pouquinho mais a serem humanos e a cuidarem com mais atenção, os SERES HUMANOS.

O sangue que corre nas veias dos brasileiros é 99% misturado aos combustíveis adulterados da Petrobosta (antiga Petrobrás) enquanto 1% (um por cento) não saberia dizer quem foi o filho da puta que deu o nó górdio na corda salvadora que puxaria a nação de dentro do buraco negro mandando o que havia de bom, de belo e maravilhoso para o espaço juntamente com de tudo de excelente e de extraordinário que nos permitiria viver com dignidade e seriedade. O Brasil, está na famosa lista negra dos Achados e Perdidos, como bem descreveu o falecido comediante Batoré, ou seja, ele, em ritmo de piada, sinalizou que o “Brasil figura mais na banda dos perdidos do que dos achados”.

Vivemos, em caminho idêntico, numa arena mil vezes maior que o Maracanã, ou melhor, todos somos partícipes de um rodeio aquático, onde a parte honesta se viu derrubada por uma manada de furiosos cavalos marinhos. Por último, devemos conviver com a arrogância de um governo envolto em merda, que permite uma cambulhada de pilantras à sua retaguarda, se desloque para o Estrangeiro em classes especiais, enquanto os que precisam pagar uma fortuna por bilhetes aéreos mofam e se fodem nos bancos dos grandes aeroportos, não tendo nenhuma espelunca lutando a favor.

Fazemos referência, em particular a um cagalhão fedido ou ao imenso cabide de emprego conhecido como Anac (Associação dos Assopradores de Ca”pa”cetes). Tal prostíbulo serve apenas para engambelar os trouxas que ainda acreditam ser ela uma coisinha bela e mais legalizada que as demais. Ledo engano! Prova do que falamos, é a seguinte: até o momento a porra da Anac nada fez de concreto em parceria com o Procon (outro tropeço inoperante) para normalizar ou minimizar a vida sofrida das pessoas que mofam nos terminais dos aeroportos país à fora.

Apesar disso tudo, ainda tem um bando de tapados dos ouvidos e surdos dos olhos que acreditam que o Brasil tem jeito. Que as urnas são seguras e que o seu voto vai colocar no pardieiro Brasília, aquele candidato honesto e que tal figura, como futuro presidente desta Terra de Ninguém conseguirá o milagre de arrancar a nação aos peidos, do atoleiro em que se encontra. Resumindo a ópera do malandro: somos todos, sem tirar nem por, um bando de paus mandados, de buchas de canhão. Nascemos e vivemos para tomar indefinidamente no olho do pescoço em francês. E acreditem senhora e senhores: TOMAMOS.

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo. 28-1-2022

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