domingo, 6 de fevereiro de 2022

[As danações de Carina] As malhas de uma ‘Rede’ apodrecida que não vemos ou fingimos não existirem

Carina Bratt

UM PÉ CHEIO de imbecilidades cresceria dentro de nós e daria frutos se, por acaso, por descuido ou desleixo engolíssemos as sementes de um amontoado de asneiras e abobrinhas, ou qualquer outra coisa semelhante sem sexo, ou sem pé nem cabeça? É difícil, amigas, mas pode ocorrer. E, de fato, os mais ajuizados e prudentes, acreditam que tal evento não é impossível de chegar à termo.

E como isso se daria? Se não nos policiarmos a cada minuto do dia, ou pior, se nos dedicarmos, de corpo e alma a assistirmos, dia e noite, as barbaridades, os disparates, as impudicícias e, claro, as ‘putarias’ do tal Big Brother Brasil, ou ‘BBB’, da Rede Globo, pode ser que escapemos da cracolândia embutida e disfarçada de reality show que estamos deixando entrar em nossos lares.

Tal programa (se é que essa droga paralisante pode ser taxada de programa), em horário considerado nobre, com um amontoado de empresas mostrando as fuças com seus produtos os mais diversos, se colocarmos as mãos em nossas consciências, chegaremos à conclusão de que o ‘BBB’ não passa de uma fornicação legalizada, de uma vadiação aberrante, pior que as vadiagens ociosas acontecidas na bíblica Sodoma e Gomorra.

Aliás, Sodoma e Gomorra, em dias de agora, não chegaria aos pés do asqueroso ‘BBB’. Pior, tal ‘atração’, não vai além de um ópio estimulado, adulterado e infame, atrelado aos princípios daquilo que aprendemos como sendo os alicerces da boa conduta, da educação como excelência, da formação moral e ética impecáveis, e, acima de suspeitas e desconfianças.

O ‘BBB’, amigas, vocês podem não levar à sério, mas essa infâmia descomedida nada mais é que uma bem bolada avacalhação transmitida em tempo real e doentia, transmissora de um câncer maligno e incurável, de uma mazela anunciada, onde um bando de estúpidos e desqualificados se presta a mostrar as suas faces em busca de fama, do dinheiro fácil e, sobretudo, instigados na rota da desonra, em mostrarem os corpos, como matérias frágeis, produtos finais vendáveis, e de puras espurcícias.

A sustento da verdade, o ‘BBB’ deveria ser banido das nossas telinhas. Isso, logicamente, se o país em que vivemos, um cagalhão de segunda, apelidado de Brasil, não passasse de um enorme chiqueiro. Mesmo norte, de um imoderado pardieiro de vadios e desocupados, de pilantras e safardanas, onde a cada segundo consumido vemos aumentarem à níveis estratosféricos, as espontaneidades da insensatez na sua melhor forma de expressão.

Como, no mesmo apertar do gatilho, as balas mortais das degenerescências aos alvos do caráter, da honradez, do pundonor, da indecorosidade, mormente aos âmagos de pessoas que se dizem ter senso prático e coerente do que é ‘certo e errado’. O errado é vermos pernas e seios, traseiros e bundas, saradões e jovens vazios e destituídos, desligados e divorciados das sentimentalidades daquilo que compõe o bem-sacrifício maior e sagrado, ou seja, o AMOR INCONDICIONAL VOLTADO PARA SI MESMO, OU O QUE DEVERIA SER PRESERVADO AO ENTORNO DA SUA PRÓPRIA VIDA COTIDIANA.

Isso seria o errado, o inadmissível. O certo e justo seria passarmos uma borracha em tudo e desconhecermos definitivamente as chagas abertas, as úlceras supuradas que nos consomem. ‘Mais mau’, em paralelo, é nos depararmos com um senhor jornalista (que até então) particularmente o tínhamos na condição-convicta de uma criatura séria, de repente, se prestar, se rebaixar, se deixar levar pelo desleixo da profissão honorífica e descer tanto.

Mergulhar a ponto de, ao escuro do fundo de um poço de águas turvas, passar a ser o âncora de um turbilhão de chulices de putas e putos, grosso modo, amigas, larápios, ou ladrões de seus atos mais dignos e aprumados. Falamos, obviamente, de Tadeu Schmidt, ex do Fantástico e seus famosos e icônicos cavalinhos de todos os finais de domingo. A nossa juventude perdeu a noção, o rumo. O público, em geral, mandou para o ralo, as mestrias e os escrúpulos trazidos dos berços.

Toda essa galera ficou à deriva, sem um porto seguro. A sociedade tão linda e brilhante se deixou ser deflorada pelos esquizofrênicos pedófilos da hora. Com a mente voltada para esse pensar desastroso, voltamos à pergunta feita no pórtico de ingresso dessas minhas ‘Danações’ desse domingo. Um pé cheio de imbecilidades cresceria dentro de nós e daria frutos benignos se, por acaso, por descuido ou desleixo engolíssemos as sementes de um amontoado de asneiras ou abobrinhas, ou qualquer outra coisa semelhante e sem nexo, ou sem pé nem cabeça?

Minhas amigas e leitoras, acaso saberiam responder? Idênticas indagações coloco na berlinda: se, em contrário, mandássemos para dentro um punhado de sementes da mais pura e cristalina Felicidade, ao fim de algum tempo, teríamos um quadro de horrores? As desgraças e os despautérios, ou, em oposto, desfrutaríamos das serenidades, dos proveitos, das venturas, das empolgações e das virtudes crescendo vertiginosamente dentro de nós como um porvir cálido e imutável?!

E não só crescendo, percebam, se materializando como uma árvore frondosa nos enfeitando os jardins da alma e do coração. Por derradeiro, raciocinem, amigas leitoras. Parem e pensem. Um pé de abacaxi sobreviveria em nossas barrigas, se engulipássemos as sementes dessa fruta??!! Ainda que todas nós fechássemos as barreiras de nossos duodenos, tampássemos nossas bocas, de nada adiantaria.

Não teria nenhum sentido prático. Nenhum valor real. Os nossos espíritos ou mais precisamente os nossos estômagos, no dizer de Billy Goldberg ‘não são exatamente terrenos férteis ou aptos para a sustentação propícia às coisas boas e sadias e engrandecedoras da agricultura'.

Título e Texto, Carina Bratt. De Vila Velha, no Espírito Santo. 6-2-2022

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