domingo, 16 de janeiro de 2022

[As danações de Carina] O outro gume da faca

Carina Bratt 

PELO RUMO ESTRANHO no qual vejo as coisas mais corriqueiras caminhando, e não só caminhando, acontecendo, de fato, não sei onde nós, simples mortais iremos parar. Hoje cedo, ao me dirigir à padaria, acreditem, amigas, me deparei com um poste fugindo de um cachorro em desabalada carreira. Para piorar a sua desdita, o infeliz levava, nos braços, o transformador. Sério! Não estou brincando. Mais adiante, um gato de madame batia papo com um rato de esgoto. Me lembrou esse rato, o Fugiudomar Mendes. 

Ambos riam e ainda gracejavam com os que passavam. Em frente a farmácia, um ônibus com ar refrigerado de mentirinha, brigava com um passageiro porque ele havia reclamado que o ‘frio do ambiente interno’ não estava de acordo com o calor que fazia aqui fora. Dentro da padaria, uma barata vestida de Dilma berrava com a atendente que o açucareiro sobre a mesa estava vazio e ela exigia que lhe fosse trazido um recipiente repleto, até a boca, tipo assim identicamente a barragem da Vale, em Ouro Preto. 

Pensei com meus botões... possivelmente essa barata tenha parentesco com Kafka e a sua Metamorfose ambulante roubada daquele Maluco beleza que nasceu em Salvador, na Bahia, se dizia Carpinteiro do universo, vivia pedindo S.O.S, era amigo de Al Capone e tinha Medo da chuva. Por muitas vezes esse personagem perdeu o Trem das sete e depois que morreu, ficou conhecido pela alcunha de Raul Seixas. Acho que é esse o nome da figura. 

Para minhas leitoras, obviamente será fácil descobrir se estou certa ou errada. Raul. Todavia, se não for Raul, Como já dizia a vovó, Eu Também Vou Reclamar. Não uso Sapato 36 e não Nasci há dez mil anos atrás. Ainda na padaria, tomei (no bom sentido um café), comprei pão, manteiga, leite, paguei tudo direitinho com meu cartão de crédito e tratei de sair fora. Não me sinto uma velha gagá. Seria um tanto esquisito se eu, de repente, saísse para dentro, subisse para baixo e descesse para cima. 

De passagem pela banca de revistas do Eustáquio, ao apurar os olhos nas principais publicações expostas, tomei conhecimento que o ministro da saúde não gosta do INSS. Ele disse que o INSS é coisa para pobre e favelado. Se ficar doente abre aspas ‘quero ir para o Sírio-Libanês, em São Paulo, de helicóptero, com todo conforto, tendo um monte de seguranças ao meu redor e não abro mão, nem que chova Lula ou Doria, ou qualquer outro pinguço de plantão’. E concluiu: ‘Faço questão de mamar à custa do governo desfrutando de um andar inteirinho só para eu curtir com esse povinho besta que aceita e engole tudo’’. Fecha aspas. 

O nosso ministro da saúde para quem não sabe, é o Marmelo Queidroga. Me perdoem, se grafei errado. Culpa dos meus óculos escuros comprados na 25 de março. Qualquer coisa, basta vocês ligarem para o ex-dele, o Luz Lâmpada Enriquepobre Maneta. Ou Perneta, Capeta, não faz diferença. Tudo termina em pizzas e, claro, em ‘ETA’. Nas fofocas quentinhas das novelas, o Christian (versus) Renato, vividos por Cauã Reymond tomamos conhecimento que: 

O mocinho ficará, nos próximos capítulos da trama, Um lugar ao sol, das 21 horas, furioso e tirando as calças pela cabeça, com a sua amada esposa, a (Bárbara, vivida pela Alinne Moraes). A beldade está subindo pelos azulejos e 'brancolejos' porque o seu marido não a procura na cama. Quem mais sente falta dos dois fazendo amor, é o criado-mudo e a galera que participa das cenas das gravações picantes. 

Já o Santiago, vivido pelo veterano José de Abreu, de 75 anos, em oposto, por estar (Sem o Tiago), tentou revirar os olhinhos com a sua personal trainer, a fogosa e inimitável Fernanda de Freitas, a Érica, de 41. Na hora agá, o tiro ao alvo do idoso não deu conta do recado. Acertou o ponto errado. Literalmente o tiro saiu pela culatra. Motivo? A cabeça dele, segundo a autora do folhetim, a Lícia Manzo, ‘estava na surra tremenda que levou no jogo de xadrez do filho da personal, o menino Luan, magistralmente interpretado pelo ator Miguel Schmidt’. 

Nas páginas policiais, em letras garrafais, leio na Revista Espia, o escritor baiano Jorge Amado está traindo a sua esposa dona Zelia Gattai, com quem está casado desde 1945. O Itabunense anda de caso com a Gabriela. Quincas Berro D’água veio de São Jorge dos Ilhéus, para tentar descobrir ‘se morreu ou não, uma ou duas vezes, enquanto Dona Flor procura reatar com um de seus dois maridos. Tieta continua no agreste e Jorge Amado está se preparando, para nessa folia de Momo dançar no País do Carnaval. 

Fernando Sabino dizia num de seus livros, que ‘No fim dá certo’, embora Os grilos não cantem mais. Talvez em face de verem O homem nu, isso a gente não tem como saber ao certo O problema com o qual me vejo às turras, é que a Inglesa Continua Deslumbrada porque encontrou o amor de sua vida, O Grande Mentecapto. Entre mortos e feridos, espero que a vida volte ao normal. Estou com os nervos em pandarecos. A toda hora desfilam à minha frente, coisas tidas como sobrenaturais. 

Darei, abaixo, alguns exemplos: carroças puxando cavalos, combustíveis à procura de carros para serem abastecidos, juízes sem varas, vacinas procurando postos de atendimento para a depois, entalularem um casinho com as agulhas, Santos em igrejas se revoltando por estarem expostos aos fiéis sem máscaras e álcool em gel, Covid-19 querendo achar mais pessoas para contaminação, bandidos atrás da polícia, pratos repletos de ventos em busca de esfomeados, ladrões ávidos de poder e fama em busca de ganharem as eleições... 

Sinceramente, amigas e leitoras, espero que a vida atribulada que hoje encontro a toda hora (quando eu vou à padaria ou farmácia), volte à normalidade do antigo cotidiano. Esse dia a dia sem eira nem beira, sem razão de ser, está me matando aos poucos. Mesmo beliscão, me deixando enlouquecida, fora do prumo, sem saída. Pareço uma tresloucada caminhando à beira de um precipício. Meu Deus, o que é isso? Aqui e agora, na porta do meu prédio, prestes a entrar em minha casa, frenteio com os elevadores gritando a plenos pulmões com o sínico -, digo, com o síndico que estão indo embora. Eles pediram aumento e a Administração negou. 

Título e Texto, Carina Bratt. De Vila Velha, no Espírito Santo. 16-1-2022

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