sábado, 24 de setembro de 2011

Abbas na ONU: Uma cobertura vergonhosa! Ou: Leia, estude, defenda-se das mistificações


Bandeira com a Shahada, frequentemente utilizada por apoiantes do Hamas.
Imagem: Guilherme Paula

Reinaldo Azevedo
É evidente que os palestinos precisam ter o seu estado. Mas qual? E com quem devem negociar? Primeiro com as Nações Unidas? Acho que não! Já volto a esse ponto. Quero antes chamar a atenção para algumas coisas. O povo palestino, na média, tem uma vida sofrida, como tem a população das demais ditaduras árabes. A principal força que se encarrega de tornar um inferno o cotidiano dos moradores da Faixa de Gaza é o Hamas, não Israel. Não há nada que “o inimigo” possa fazer ali num clima de confronto que os próprios terroristas não façam como atos de rotina. Israel já desocupou a Faixa de Gaza, mas o Hamas ainda não…É impressionante! O próprio Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina e chefe do corrupto grupo Fatah, referiu-se ao terrorismo em seu discurso, dizendo repudiá-lo, claro… Acreditem: na imprensa brasileira, exceção feita à VEJA Online (aqui), ou no New York Times, não se tocou na palavra “terrorismo”. Para o bem da causa, decidiram censurar… até o discurso de Abbas! É um troço formidável! O presidente da ANP poderia ter anunciado algo assim, por exemplo: “Meteremos na cadeia todos os militantes das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa”. O que é isso? É uma organização terrorista que se diz o braço militar do Fatah, abrigada na Cisjordânia, que usa os símbolos do grupo de Abbas. Os representantes dessa corrente dizem apenas repudiar os métodos dos extremistas. Nada além. Então ficamos assim: Abbas é contra o terrorismo, e o resto ele não quer negociar. Prefere o que é caracterizado como declaração unilateral de independência. Como, mundo afora, se parte do princípio de que todo o sofrimento do povo palestino é impingido por Israel, então a narrativa das vítimas contra os algozes está pronta para o consumo. Sim, o sofrimento daquele povo é real. Mas ele é distorcido pela mais eficiente e azeitada máquina publicitária do planeta, que não é a de Israel. Os israelenses, ao contrário, perderam a guerra de propaganda. Outras causas mundiais, envolvendo muito mais gente, com muito mais vítimas, com grau muitas vezes superior de violência, não mobilizam ninguém. Imaginem se aqueles pobres coitados de Darfur, esmagados pelas milícias árabes no Sudão — umas 500 mil pessoas… — merecessem 10% da atenção que se dispensa ao conflito israelo-palestino… Mas quê… O Brasil se opôs à condenação do governo sudanês no Conselho de Direitos Humanos da ONU. O governo brasileiro, como sabem, tem a tese de que condenar países só piora a situação — menos quando se trata de Israel. Nos outros casos, invariavelmente, a petezada está sendo condescendente com ditaduras. Já a democracia israelense é tratada aos chutes pela Escola Celso Amorim.

Houve confrontos hoje em alguns pontos da Cisjordânia. É conseqüência direta da iniciativa de Abbas. Caso os EUA tenham de recorrer ao veto ou a solicitação seja votada pela Assembléia, ganhando a anuência da maioria, ainda que a representação palestina não seja admitida como membro pleno da ONU, a tendência é que os conflitos se exacerbem. Em suma, a forma como o pleito é encaminhado contribui para extremar a violência, não o contrário. Israel não é uma ditadura; seu governo é eleito. Quanto mais ameaçada se sente a população, pior.
Que importa que a esmagadora maioria da imprensa omita do mundo o óbvio? Eu não omito. O trabalhista Ehud Barak, primeiro-ministro entre 1999 e comecinho de 2001, aceitou conceder aos palestinos quase tudo o que pediram — o status de Jerusalém ficou para ser negociados mais tarde. O corrupto Yasser Arafat chegou perto do acordo. Na hora “h”, voltou atrás, e Barak ganhou de presente a Segunda Intifada, em setembro de 2000. O pretexto foi um passeio de Ariel Sharon pela Esplanada das Mesquitas. Resumo da ópera: o negociador Barak perdeu o cargo para… Sharon! Nota à margem: Barak foi o governante que saiu do Sul do Líbano — e o Sul do Líbano caiu nas mãos do Hezbollah, cujo propósito declarado, com financiamento do Irã, é destruir Israel. Sharon, o sucessor, saiu da Faixa de Gaza, e a Faixa de Gaza caiu nas mãos do Hamas, cujo propósito declarado vocês sabem qual é…
Mas os palestinos são sempre as vítimas, nunca os algozes. Vi ontem na TV uma reportagem sobre o muro que separa a Cisjordânia do território israelense. A coisa era noticiada com aquela sublinha da indignação: “Vejam que absurdo!” Pois é. Omite-se a INFORMAÇÃO de que, depois da construção do muro, os atentados terroristas caíram a quase zero. A Cisjordânia, que sempre foi controlada pelo Fatah, abrigava alegremente os facínoras que cruzavam a linha para explodir as criancinhas nos ônibus escolares dos “invasores”. O governo palestino não atuou para conter seus terroristas, e o governo de Israel cumpriu a tarefa que lhe confiou a população nas urnas: protegê-la.
Estamos diante de uma “causa” que tem muito de herança de outros conflitos ideológicos. Só por isso não se percebe a má consciência de fundo nesse noticiário esmagadoramente anti-israelense. Se vocês notarem bem, parece que os palestinos não têm mais nada a ceder. A sua grande concessão já teria sido feita: aceitar a existência do estado de Israel — todo o resto tem de ser concedido pelo outro lado. E, mesmo aqui, é preciso fazer uma ressalva: quem aceita a existência de Israel é o Fatah, não o Hamas, que deu um golpe em Gaza — na verdade, venceu uma guerra civil. Fazem de conta que Abbas representa todas as correntes palestinas e que a questão do terrorismo já foi equacionada por aquele povo, o que também é mentira.
Ora, Israel não existe por vontade e decisão dos palestinos — na verdade, existe contra elas. O seu direito de existir não é uma concessão feita pelo adversário. As concessões de ambos os lados ainda estão por ser feitas. O que Abbas aceita negociar? O status de Jerusalém? A volta do que chamam “refugiados”? A troca de assentamentos judaicos na Cisjordânia por terras em outro lugar? Ninguém sabe.  Ou melhor, todos sabem: NADA! Agora ele decidiu mudar de tática: primeiro o reconhecimento internacional, depois a conversa com Israel, que, então, será tratado como mera potência de ocupação, como se jamais tivesse sido, ou não seja ainda, um território sob ameaça.
Querem saber? Não vai funcionar! Se o pleito palestino prosperar, ainda que com aquele reconhecimento precário, a região estará ainda mais distante da paz. Se é esse o objetivo, não se duvide de que serão todos muito bem-sucedidos. E a agência publicitária palestina poderá continuar com o seu trabalho de vender vitimismo ao mundo. No fim das contas, ser uma “liderança palestina na resistência” virou uma espécie de categoria de pensamento. Se um dia a situação se resolvesse, seria preciso governar, de fato, Gaza e Cisjordânia, o que compreende recolher o lixo, varrer a rua, ter hospitais e escolas funcionando com eficiência, essas coisas normais de um governo. Enquanto Israel é o inimigo de plantão, eles podem esconder a incompetência e a tirania.
Sou voz quase isolada ao fazer essa abordagem da questão? Estou acostumado! As omissões, mentiras e preconceitos ideológicos que cercam a questão só me tornam mais convicto.
Título e Texto: Reinaldo Azevedo
Edição: JP
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