sábado, 24 de setembro de 2011

Netanyahu faz um grande discurso; em vez de proselitismo, argumentos. Avaliem


Logo depois de Mahmoud Abbas, discursou na Assembléia Geral da ONU o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Seu discurso está sendo escondido pela máquina publicitária pró-palestinos. Fez o que Mahmoud Abbas se negou a fazer: apresentou argumentos. Enquanto o líder palestino se limitou a demonizar Israel e se apresentar como vítima, o primeiro-ministro israelense lembrou as condições para a paz duradoura. “Ah, mas isso e porque você é pró-Israel”. É, sou “pró” a existência de Israel, que essa é a questão de fundo, quase nunca dita. Os que vêem os palestinos apenas como vítimas e acreditam que só os israelenses têm de fazer concessão omitem, por vergonha, uma consideração de fundo:  de fato, acham que Israel não deveria existir. O que disse Netanyahu?

Premier israelense, Benjamin Netanyahu, fala nas Nações Unidas.
 Foto: Spencer Platt/ AFP/Getty Images
ASSENTAMENTOS
“Abbas disse que a fonte do conflito são os assentamentos. Nosso conflito já dura mais de meio século, antes que houvesse um único colono [na Cisjordânia]. Os assentamentos não são a origem do problema, mas o resultado. Essa é uma questão para ser tratada e resolvida nas negociações. A fonte do conflito é que [os palestinos] não reconhecem um estado judeu, não importas com que fronteira”.
Pois é… Netanyahu tem razão. Os palestinos insistem, por exemplo, na volta do que eles chamam refugiados, o que faria com que Israel deixasse de ser um estado de maioria judaica — e assim ele foi fundado em 1948. Notem que ele não está dizendo que os assentamentos são inegociáveis. Ao contrário: só existem porque outras questões não foram negociadas. “Mas é preciso haver um estado de maioria judaica?” O que vocês acham que aconteceria com os judeus com uma maioria árabe? Perguntem ao estatuto do Hamas.

FALSA QUESTÃO
“Há a teoria de que, se sairmos dos assentamentos, chegará a paz. Saímos do sul do Líbane e de Gaza. E o que aconteceu? Os moderados não venceram os radicais. Foram os radicais que devoraram os moderados.”

Bem, meus caros, tenho escrito isso aqui desde que o blog existe e em outros lugares antes de ele existir. Se os palestinos tivessem uma prova a exibir de que a ausência de Israel traz a paz, seria bom exibi-la… Mas só se tem o contrário, não é? A paz com o Egito foi possível porque aquele governo, de fato, conteve os radicais — ao menos até a queda de Mubarak. Bastaram alguns meses da “Primavera” para que forças egípcias passassem a colaborar com o terror. É fato!

SEGURANÇA
“Israel está preparado para ter um estado palestino na Cisjordânia, mas não para ter outra Faixa de Gaza (…) Vocês permitiriam, por acaso, que perigos como esses [terrorismo] se dessem na fronteira de suas respectivas nações? Deixariam que isso acontecesse com seus familiares? Nós nos lembramos das amargas lições de Gaza. (…) Em Ramallah, há muitos que querem castigar os judeus com a morte. Isso é racismo. (…) Os palestinos devem construir a paz com Israel e, então, conquistar o seu estado. Quando houver paz, seremos o primeiro país a reconhecer aqui a Palestina como estado independente”

Bem, eu concordo com cada palavra. Há uma fórmula que circula por aí assim resumida: “Terra por paz” - Israel daria as terras para conquistar a paz. A minha síntese é outra e coincide com as palavras acima: “Paz por terra”. A paz vem primeiro. Ou não há negociação, mas chantagem.

A PAZ
“Buscamos com os palestinos uma paz longa e duradoura. Sei que essa não é a imagem que se tem habitualmente de Israel (…) Somos a única democracia real do Oriente Médio. Às vezes, na ONU, os vilões têm sido os protagonistas. Israel foi condenado em 21 de 27 resoluções da ONU”.

Nada a acrescentar ou a contestar. Ou alguém tem?

OS FATOS
“Não há paz, há guerra. Temos o Irã, que derrotou a Autoridade Nacional Palestina por intermédio seu satélite, o Hamas. (…). O mundo à volta de Israel está se tornando algo mais perigoso (…). Cuidado! Porque a “primavera árabe” pode se converter no “inverno iraniano”

Pois é… Se o primeiro-ministro israelense lesse português, diria que leu um texto meu do dia 6 de setembro. Escrevi ali: “No fundo, querem que o país [Israel] se desculpe por existir. É a Primavera do Fundamentalismo, o Inverno da Razão.”Netanyahu se refere ao fato óbvio de que as forças que se têm levantado no mundo árabe são todas mais hostis a Israel do que as que foram depostas.

CONCESSÕES
“Em 2000, Israel fez uma grande oferta de paz. Arafat a recusou. E, em 2008, fez uma oferta ainda maior. Abbas nem sequer respondeu. (…) Nossas esperanças de paz nunca terminaram. (…) Israel tem oferecido a paz desde que nasceu, há 63 anos. Seguimos oferecendo-a hoje. Já a conquistamos com o Egito e a Jordânia. (…) Hoje estendemos a mão, de novo, ao Egito e à Turquia. E o faço com respeito e boa-vontade também à Líbia e à Tunísia, com admiração por tentarem construir um futuro democrático.”

NEGOCIAÇÕES
“Sigo com a esperança de que Abbas seja meu parceiro na paz. Antes de vir a esta Assembléia, eu lhe pedi que voltássemos a negociar sem precondições. Ele não me respondeu nada. (…) Temos de deixar de ‘negociar as negociações’ para negociar a paz. Será que esse conflito tem de seguir por gerações? Presidente Abbas, eu lhe ofereço a mão de Israel em sinal de paz. Os dois povos somos filhos de Abraão. Um patriarca e uma terra nos unem. Que brilhe a luz da paz. Estamos a milhares de quilômetros de nossas respectivas casas, estamos em um mesmo edifício. O que impede que nos reunamos hoje e comecemos a negociar?”

Pois é… Odiado — pela imprensa politicamente correta, contaminada pela máquina publicitária palestina — Benjamin Netanyahu fez um grande discurso. O que impede que conversem? Ocorre que Abbas, por enquanto, insiste num estranho método: primeiro Israel faz as concessões, depois eles negociam… Abbas repetindo o padrão das lideranças palestinas nos últimos 20 anos: dizem querer a paz apostando na guerra.
Título e Texto: Reinaldo Azevedo
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