quinta-feira, 12 de novembro de 2020

[Diário de uma caminhada] A direita e as direitas, por Jaime Nogueira Pinto (2)


Gabriel Mithá Ribeiro
 

«(…) os clichés sobre a direita e a esquerda (ou sobre o fascismo, democracia, comunismo, liberalismo) vêm da esquerda e refletem a visão dominante da esquerda, mesmo quando aparecem com as roupagens dignas e isentas da “objetividade” científica ou académica. Ou então, na menos má, ou talvez ainda pior das hipóteses, vêm de gente de esquerda que se quer reconverter ou reciclar à direita; ou que, até em boa-fé, se pensa de direita. 

(…) Muito longe que vá, desde a adolescência, as minhas memórias políticas são de direita, de causas de direita, de batalhas e de guerras (uma ganhas, outras incertas, a maioria perdidas) de direita (…). A nossa geração fazia gala em ler tudo e líamos muitíssima ficção, que era, basicamente, a traduzida, neo-realista e antifascista (…). 

As experiências no terreno tiveram a vantagem de nos educar na dificuldade e na minoria. As universidades, e sobretudo as de Lisboa, eram, nos anos 60, santuários da Oposição e mesmo a massa da burguesia despolitizada, por correção política, complexo de esquerda e com alguma participação de militantes católicos, fazia questão em “pensar bem”, isto é, ser contra a guerra do Ultramar, contra o regime e mostrar alguma admiração pela União Soviética, potência progressista que ajudava os povos do terceiro mundo. (…) 

Na realidade, a sociedade ocidental está, neste momento, sob o fogo concertado de uma subversão interna, pela negação de quaisquer valores de orientação permanente – religiosos, filosóficos, políticos, sociais, literários, artísticos-culturais. A poderosa ofensiva da correção política – eliminação de toda e qualquer discriminação não já só entre os seres humanos, mas agora estendida aos animais –, além dos seus aspetos folclóricos e lunáticos, tem-se vindo a tornar, progressivamente, um modelo de intimidação social, desde as universidades aos media.» 

(Jaime Nogueira Pinto, A direita e as direitas, Lisboa, Bertrand Editora, 1995/2018, pp.60-64 e 73-74.) 

Título e Texto: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 12-11-2020 

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