quinta-feira, 5 de novembro de 2020

[Diário de uma caminhada] «Justiça» não é «Igualdade»: retrato da violência mental dos nossos dias


Gabriel Mithá Ribeiro
 

É o poder sobre as mentes que garante o controlo sobre as sociedades. Nos dias que correm, esse controlo sustenta-se sobretudo na imposição aos outros do significado das palavras-chave que determinam as relações de poder. Quem manda, manda sobretudo através de palavras. Quem obedece, obedece sobretudo a palavras. Uns controlam as palavras e outros são controlados por elas. 

Em si, esse jogo de poder é legítimo em contextos dominados pelo consenso social sobre o sentido da verdade. Todavia, quando se dissemina a quebra desse consenso, quando uma parte da sociedade se sente dominada pela falsidade, sobressai uma das formas mais perversas de opressão social, a que se sustenta na manipulação ou adulteração do sentido das palavras, o que significa manipular as mentes. 

A tendência agrava o seu cunho fraudulento, ilegítimo, violento quando extravasa do campo político e contamina as instituições-chave de validação, regulação e renovação daquilo que as pessoas pensam. Até inícios do século XX esse papel era essencialmente desempenhado pelas igrejas. Daí em diante, foi passando progressivamente para a tutela hegemónica partilhada pelas universidades e pela comunicação social, sendo que estas participam hoje ativamente no jogo da perversão do significado das palavras, assumiram muitíssimo mais o papel de instituições de opressão do que de libertação mental das sociedades. 

Com a massificação do ensino e com o alargamento dos anos de escolaridade, aliados à redução da influência social das igrejas, a elite letrada (intelectuais, académicas, jornalísticas) tem em mãos uma capacidade de controlo dos seus concidadãos bem mais poderosa do que as igrejas no período liberal (século XIX e inícios do século XX). Se o nosso estado de alienação ainda não nos desligou por completo da realidade, não é difícil que nos apercebamos do óbvio: atravessamos um ciclo histórico de um violentíssimo controlo mental que se manifesta no interior das nossas famílias, nos ambientes quotidianos de trabalho, nas escolas e universidades, nos meios artísticos, nas conversas de rua ou de café, naquilo que estamos autorizados a consumir e expor na comunicação social. Numa expressão, sentimos o nosso universo mental opressivamente manietado na mesma medida em que perdemos a crença de que a busca permanente da verdade é uma preocupação socialmente partilhada. 

Não é possível uma vida social digna com tal nuvem a pairar permanentemente sobre as cabeças das pessoas comuns, uma nuvem que faz com que os indivíduos sintam que a sua decência existencial íntima é socialmente recriminável, vergonhosa. A isso nos conduziu o poder hegemónico que permitimos que a esquerda conquistasse, e que hoje temos de destruir. 

Neste texto abordarei apenas um dos traços dos tempos que vivemos (deixarei outros exemplos para os próximos textos), a imposição até à exaustão dos significados da palavra igualdade sobre a palavra justiça, como se elas fossem sinónimas, uma falácia cuja carga opressiva assumiu proporções gigantescas. 

Basta admitirmos outro óbvio: será justo que as pessoas que se esforçam, estudam, trabalham, cumprem leis, educam os filhos, não migram ilegalmente, pagam impostos, e que cumprem mais um rol de deveres sociais e cívicos, mais não seja não incomodam leviana ou irresponsavelmente os outros – será justo que essas pessoas sejam tratadas como as que não o fazem, como as que não se esforçam, como as que não cumprem, como as que parasitam a vida e realizações dos outros, como as que violam fronteiras, hoje um dos símbolos da violação coletiva? 

Em determinadas circunstâncias, tratar atitudes e comportamentos desiguais de forma distinta, a desigualdade, revela-se fundamental para se poder garantir o mais elementar sentido de justiça social. 

Jamais está em causa o princípio da igualdade perante a lei ou o princípio da igualdade de oportunidades. Esses são deveres de consciência indisputáveis numa sociedade justa. Porém, só mentes cujo poder se sustenta na pulsão totalitária esgotam os significados de uma palavra rica e complexa, que traduz um fenómeno social também ele rico e complexo, a justiça, apenas numa parte dos seus significados, a igualdade, e tudo fazem para eliminar a outra parte cujo significado é tão válido como o primeiro, a desigualdade, justamente por ser contraditória. 

Portanto, justiça, por consequência justiça social, umas vezes quer dizer igualdade e outras vezes significa o seu antónimo, desigualdade. Uma comunidade humana que não premeia quem merece e que não penaliza os prevaricadores jamais será justa, nem é sensível à plenitude da condição humana. 

É tempo de qualquer pessoa comum poder questionar abertamente toda e qualquer pessoa de esquerda, do amigo habitual ao primeiro-ministro socialista, por que razões nos manipulam e oprimem mentalmente desta forma tão grosseira todos os dias e há tanto tempo? Por que razões destroem a inteligência e a sensibilidade das nossas crianças à medida que elas são obrigadas a crescer na atual desordem mental? Por que razões nos é negado o direito à busca permanente e livre da verdade? Por que razões não nos deixam viver com inteligência, dignidade, justiça, paz? Por que razões nos tratam como seus escravos mentais? 

Não existe um único sujeito de esquerda mentalmente honesto. E ainda há quem, supondo-se de direita, procure amores nesses braços. 

Título e Texto: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 5-11-2020

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