sexta-feira, 13 de novembro de 2020

[Diário de uma caminhada] A transição da III para a IV República Portuguesa


Gabriel Mithá Ribeiro 

Uma sociedade que acredita aprioristicamente que nasceu fragmentada na origem (entre ricos e pobres, maioria e minorias, rurais e urbanos, homens e mulheres, nacionais e imigrantes, brancos e negros, entre outros) e, por isso, ambiciona reconstruir-se a partir desse pressuposto garantirá, necessariamente, a ampliação do ponto de partida com o decorrer do tempo. 

O ideal inicial de justiça social transformar-se-á num sentimento persistente e crescente de injustiça social contra o qual se tem de lutar sempre, independentemente do progresso económico. A prazo, essa luta converte-se no vício da instabilidade social e política reparadoras do nunca reparável sentimento de injustiça social originário, o que atingirá o sistema económico. As instituições serão encaminhadas para a disfuncionalidade e a economia para a paralisia. 

O falhanço coletivo está garantido porque a sociedade acaba irremediavelmente fragmentada entre os moralmente responsáveis e os parasitas morais, os últimos os justiceiros que fazem o papel de vítimas dos primeiros sempre a reclamar-lhes solidariedade sem antes fazerem por merecê-la. 

Pelo contrário, uma sociedade que acredita genuinamente num primado moral universalmente válido, o de todos nascerem livres e iguais, rejeita fragmentações sociais apriorísticas. Por isso, tende mais facilmente a remeter para cada indivíduo a responsabilidade pelo seu destino, independentemente da sua condição (rico ou pobre, da maioria ou da minorias, rural ou urbano, homem ou mulher, nacional ou imigrante, branco ou negro, entre outros atributos), o que amplia a partilha das responsabilidades entre todos pelo destino coletivo antes da reivindicação de quaisquer direitos, mesmo que estes sejam inquestionavelmente legítimos. 

Neste caso, o sentimento de justiça social será crescentemente ampliado, será persistente e permanentemente reforçado o universalismo do ponto de partida. É esse universalismo que reforça a coesão social, a fonte de toda a estabilidade social e política, assim como da liberdade e da fertilidade intelectual, cívica, cultural, humanitária, económica que sustenta o progresso dos povos, dos estados, das civilizações necessariamente a partir do seu interior, do contributo de um dos seus membros. 

Vamos insistir no pesadelo soviético da III República Portuguesa, viciada no primeiro modelo, ou chegou o tempo de escolhermos o segundo modelo, o da IV República Portuguesa, a semente lançada por André Ventura? 

Título e Texto: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 13-11-2020 

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