sábado, 15 de janeiro de 2022

[Versos de través] Barraca da Chiquita, 42 anos

Dalinha Catunda

Certa vez uma guerreira  
De linhagem nordestina 
Não ficou chorando a sorte 
Deu asas à sua sina 
Escolheu bom paradeiro 
E no Rio de Janeiro 
Fez do trabalho rotina.

O ano foi setenta e novembro
Que essa história começou
A guerreira pôs em prática
Tudo aquilo que sonhou
Numa visita inocente
Naquela feira ela sente
Que sua estrela brilhou.

A Feira de São Cristóvão
Lhe serviu de inspiração
Tinha tudo que ela amava
E tocou seu coração
Tinha comida gostosa
Bom forró e boa prosa
E lembrava o seu sertão.

E foi assim que essa filha
De Francisco e de Francisca
Protegida pelo santo
O seu roteiro rabisca
Sendo Francisca também
Graça divina ela tem
Nessa empreitada se arisca.

Montou a sua Barraca
Enfeitada e bem bonita
Botou chapéu na cabeça
E linda saia de chita
A barraca era arretada
Por ela foi batizada
De BARRACA DA CHIQUITA.

Chiquita seguiu à risca
Dicas do seu pensamento
A Barraca fez sucesso
Era grande o movimento
E a cada dia aumentava
E a guerreira batalhava
Cheia de Contentamento.

Começou com pratos típicos
Na primeira ocasião
Fazia Baião de Dois
E paçoca de pilão
Um quitute invenção dela
Encantou a clientela
O Bolinho do Sertão.

A Mulher empreendedora
Ligeiro tomou ciência
Do gosto de seus clientes
Com sorriso e paciência
Tudo que o freguês queria
Na Barraca ela fazia
Cumprindo cada exigência.

A barraca evoluiu
Fez um menu abrangente
Seu cardápio variado
Agradava muita gente
Chiquita feliz sorria
Não faltava freguesia
Seu recanto era atraente.

Sua fama foi crescendo
De maneira natural
A Barraca se expandiu
Aqui não tem outra igual
É uma casa sertaneja
Quem não viu se avexe e veja
E deixe lá seu aval.

Foi com nordestinidade 
Que fez a decoração 
Tem abano tem peneira
Num canto tem um pilão
Tem o chapéu do vaqueiro
Ao lado do Cabideiro
Onde ela expõe um gibão.

Tem bonequinha de pano
Toda vestida de chita
Com sacolinha de lado
Usando laço de fita
Tem rede para deitar
Se quiser se balançar
E tirar foto bonita.

La Chiquita conviveu
Com os nomes da poesia
Como o querido Azulão
Manuel Santa Maria
Gente que honrava a pena
Como foi o Santa Helena
Que o povo bem conhecia.

Sua casa tem a vida
Tem a alma do sertão
Preservou suas raízes
E fez a propagação
Usa a xilo e o cordel
E faz bonito papel
Tendo a cultura em ação.

Quem põe sua mão na massa
Com luta e honestidade
A tendência é só crescer
Mostrando ter qualidade
Chiquita mulher sem ócio
Expandiu o seu negócio
Com garra e capacidade.

Sua primeira Barraca
Foi na Feira Nordestina
Na Feira de São Cristóvão
Onde o povo se aglutina
Depois foi pro pavilhão
E lá chamou a atenção
Pela beleza Agrestina.

A Barraca da Chiquita
Copacabana ganhou
E nunca fica vazia
Porque o povo aprovou
É muito bem decorada
Por turista é frequentada
A mão Chiquita acertou.

Niterói abriu as portas
Para Chiquita passar
Ela atravessou a ponte
Para o cliente agradar
Abriu mais uma Barraca
Com o seu leme ela atraca
Tem rumo pra trabalhar.

Em Vista Alegre a caçula
Está indo muito bem
É a mais nova Barraca
Que faz sucesso também
Quem age tem resultado
A Jesus tem agradado
E os anjos dizem amém.

Assim segue essa guerreira
Na lida incansavelmente
Navegando novos mares
Tocando o barco pra frente
Seguindo sempre adiante
Ajudando o semelhante
Empregando muita gente.

O Ceará tem orgulho
Dessa cabocla guerreira
Que deixou o seu lugar
No Sudeste fez carreira
E na arte da culinária
Ela é revolucionária
Profissional de primeira.

A Barraca da Chiquita
Com sua ornamentação
Já foi cenário de muitas
Cenas de televisão
A cultura popular
Está em todo lugar
Causando boa impressão.

Quarenta e dois anos são
De aconchego e acolhimento
Dando o melhor pro cliente
E tendo bom crescimento
Parabéns pelo progresso
A razão do seu sucesso
É o bom atendimento.

Escrevi esse cordel
Pra celebrar esse dia
Dia 13 de dezembro
Dia de Santa Luzia
Parabéns para Chiquita
Pra Barraca mais bonita
Espaço que contagia.

Dalinha Catunda, dezembro de 2021

Maria de Lourdes Aragão Catunda, conhecida como Dalinha Catunda, nasceu em Ipueiras – Ceará, no dia 28 de outubro de 1952, e reside no Rio de Janeiro.
Ocupa a cadeira 25 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, que tem como patrono o poeta e folclorista cearense, Juvenal Galeno.
Membro correspondente da Academia Ipuense de Letras, Ciência e Artes – AILCA.
Sócia benemérita da Academia dos Cordelistas do Crato – ACC.
É sócia benemérita da Sociedade dos Poetas de Barbalha.
Como colaboradora, tem textos publicados nos principais jornais cearenses: O Povo e Diário do Nordeste.
Escreve no jornal Gazeta de Notícias, da região do Cariri cearense- Escreve no JBF – Jornal da Besta Fubana.
Dalinha Catunda é declamadora de cordel e, como tal, já participou da FLIT – Festa Literária Internacional de Paraty.
Há sete anos promove o ENCONTRO NACIONAL DE POETAS CORDELISTAS EM IPUEIRAS.
Criou o blog Cordel de Saia, onde agrega as mulheres do cordel. Realiza um amplo trabalho de divulgação da Literatura de Cordel, em sites e blogs.

dalinhaac@gmail.com 
http://cordeldesaia.blogspot.com

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