terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

[Estórias da Aviação] A Pedra da Gávea e o voo de Miami

José Manuel

Fevereiro de 1979, eu estava fazendo um curso de pré-vestibular, após ter desistido de um baseamento para Los Angeles. No texto "Voo VARIG 967 - Tokyo/Los Angeles" faço referência a um casal, cuja esposa, Mirian, conheci durante esse curso.

E também escrevi que o casal havia me convidado para uma vigília na Pedra da Gávea com um grupo, para um certo contato de terceiro grau lá, e que eles haviam contratado inclusive um guia para levá-los até ao topo, mas que não pude ir pois nessa noite programada estaria voando de Miami para o Rio, o que realmente aconteceu na noite daquela quarta-feira desse mês de fevereiro.

Pedra da Gávea e Pedra Bonita

Adoraria ter ido e participar dessa experiência nova para mim e, principalmente, de ter ido ao cume da Pedra da Gávea, coisa que sempre tive vontade de fazer.

Infelizmente não deu, fiz a minha programação Miami/Rio e naquela quarta de manhã estava de volta. Como de praxe, após um voo cansativo, dormi o dia inteiro. Pelas 17 horas, a Luiza, minha namorada à época, ligou para sairmos naquela noite. Gostava muito da Luiza, porque era uma pessoa muito legal, muito companheira, mas ponderei que estava cansado e recebi a contraproposta de que ela me buscaria em casa para simplesmente darmos uma volta de carro.

Antes que ela chegasse, liguei para o casal referido, para saber como tinha sido a experiência lá em cima, naquela noite e até que horas haviam permanecido por lá.

Realmente haviam ido, e que a experiência da subida, anoitecendo, havia sido ótima e lá permaneceram até de madrugada, porém, o objetivo que era o tal contato não aconteceu, para frustração de todos.

Saímos, e a Luiza que já era bonita, dirigindo então seu Alfa Romeo azul lindo de morrer era o próprio charme personificado e tomamos a direção de São Conrado e Barra.

Depois do túnel já chegando à Barra, sugeri que fossemos a um barzinho ali logo no início da Barra. Ficamos um pouco no bar e logo fomos andar na praia, tipo 23h, pois estava uma noite belíssima de luar e suave brisa agradável. Sentamo-nos na areia, eu de costas para o mar e ficamos conversando sobre o convite que havia recebido, lamentando não ter ido, quando percebi uma luz forte vindo na nossa direção, acima do maciço da Tijuca. Chamei sua atenção para aquela luz e achamos que seria um avião, porém, ao chegar ao través da Pedra da Gávea, repentinamente fez um ângulo de 90° à esquerda em direção à zona sul.

Claro que não era um avião com aquele tipo de comportamento e então me dei conta de que fazia 24 horas que o tal grupo da Mirian havia subido a pedra para um contato.

Imediatamente nos levantamos, pegamos o carro e tomamos o rumo da estrada do Joá, por ser um lugar alto e podermos acompanhar o objeto. Lá em cima, vimos que se deslocava lentamente em direção ao Leblon e fomos atrás, indo em direção ao Túnel Dois Irmãos para no final deste, dobrarmos à direita no sentido Leblon.

Chegando à praia, nem sinal do objeto e tomamos o rumo da Lagoa, quando o avistamos outra vez indo em direção a Botafogo.

Chegando lá, fomos ao mirante do Pasmado, onde se descortina uma vista 360° daquela área e… nada!

Já por volta de meia noite e meia, sugeri a Luiza que fossemos ao Cristo, sugestão que topou na hora, e lá estávamos pouco depois subindo a estrada do Corcovado em direção à estátua do Cristo. Ao dobramos a última curva à direita quase chegando ao estacionamento, sentimos e vimos uma forte explosão na mata, possivelmente um transformador se incendiando. Segundos depois toda, a iluminação da área desapareceu e chegamos ao estacionamento completamente no escuro.

Ficamos por lá durante uns vinte minutos na esperança de que a iluminação voltasse e pudéssemos ver o que estávamos perseguindo. Afinal, sem a luz voltar resolvemos subir as escadas em direção à estátua, pois a noite era muito clara e como muitos carros estavam estacionados, lá em cima deveria haver um bom número de pessoas.

Uma vez aos pés do Cristo, iluminação apagada, descemos a escadaria frontal e nos unimos a um grupo de italianos na amurada voltada para a lagoa Rodrigo de Freitas. O espetáculo de ver a cidade iluminada ficou realçado pela escuridão à nossa volta, algo lindíssimo, indescritível.

E então, de repente, vindo do lado direito, da direção Pedra da Gávea vimos surgindo aquelas duas luas superpostas, a maior em cima, bem iluminadas e enormes.

Nossos corações dispararam sem saber o que fazer e comecei a prestar atenção também na reação das pessoas ao nosso lado. A reação era… nenhuma!!!

Quase passando à nossa frente, niveladas à nossa altura e visão, começamos a gesticular e falar alto apontando para ver se alguém via o que estávamos vendo, mas nada aconteceu e só eu e Luiza víamos aquilo enorme, deslumbrante bem à nossa frente. A maior era do tamanho de uma lua cheia com iluminação amarelo alaranjado forte, a de baixo menor, mas com a mesma intensidade de iluminação.

Não era possível que ninguém estivesse vendo aquilo bem à nossa frente!!

Ficamos como que petrificados pois percebemos que aquilo só se mostrava para nós. Logo depois, foi lentamente tomando o rumo norte, direção Niterói, mar adentro desaparecendo talvez uns trinta minutos desde a aparição.

E então… a iluminação voltou e todos aqueles turistas bateram palmas, sem terem visto absolutamente nada. Eu e Luiza olhávamos um para o outro sem poder acreditar no que nos havia sucedido, ao mesmo tempo felizes por ter valido a pena aquela busca incessante, para nós uma vitória.

No caminho de casa, chegamos à conclusão de que o casal amigo realmente tinha recebido a mensagem para o contato, mas que certamente nossos horários eram 24 horas diferentes de quem "pilotava" aquilo!

A lamentar, a falta de uma câmera fotográfica para registrar o fato, ficando como única prova, a minha descrição escrita e oral. Nem a da Luiza existe, pois lamentavelmente foi muito cedo para os braços do Pai.

Isso foi em 1979, e até 2002, portanto, 23 anos voando, nunca vi nada igual estando a 12 mil metros de altitude praticamente sempre perto "deles".

Mas jamais vou esquecer essa noite em que tive o meu primeiro e único contato OVNI.

Agora, por que eu? Porque naquela semana iniciamos a caçada ao VLU, já escrito em texto anterior. Por quê?

Não tenho essas respostas.

Título e Texto: José Manuel – As respostas serão sempre difíceis. Mas relembrar o que vimos e fizemos, nos conforta muito. Fevereiro de 2022

Relacionados: 
Voo Varig 967 – Tóquio/Los Angeles, 30 de janeiro de 1979 
[MH-370 versus PP-VLU] Terceira parte: O MH-370 
[MH-370 versus PP-VLU] Segunda parte: O PP-VLU 
[MH-370 versus PP-VLU] Primeira parte: As aeronaves

Anteriores: 

As ervas da ira (parte I) – Um sonho quase desfeito 
Os números esquecidos, a realidade e as consequências 
As ervas da ira. (Prólogo) 
O voo 100, o apartamento e Lisboa 
[Estórias da Aviação - Extra] Fatos & Cronologia 
A chegada do Jumbo e o bullying finito 

Um comentário:

  1. VI Várias confusões destas 2 luas, Principalmente no hemisfério norte.
    Eis a foto das duas luas geralmente confundida com OVNI.
    https://mundocurioso.superuniverso.com/hoje-a-lua-estara-em-conjuncao-com-venus/
    https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/conjuncao-planetaria-veja-venus-marte-e-a-lua-no-mesmo-ceu-nesta-madrugada/

    ResponderExcluir

Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.

Se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-