Neste momento, tenho de
escrever sobre o escândalo do Banco Master. Não esperava, a esta altura da
vida, aos 40 minutos do segundo tempo, encontrar nosso país nesta condição
patética. A nota do ministro Edson Fachin, as manifestações do procurador-geral
e o post de Gilmar Mendes confirmam a ideia de uma cúpula judiciária unida para
se blindar. Usando a máscara de salvadores da democracia, querem impor uma
situação marcada, como diz um jornal alemão, pela ganância que afunda o STF.
No fundo, consideram ameaça à
democracia questionar o contrato milionário de Viviane Barci de Moraes, mulher
de Alexandre de Moraes, com o Banco Master. Ou criticar o inacreditável
ministro Dias Toffoli por artificialmente levar o processo do Master para o
Supremo e se sentar em cima dele com uma decisão de sigilo rigoroso.
Logo Toffoli, que vendeu parte de seu resort para a empresa ligada ao cunhado do dono do Master. Logo Toffoli, que anulou uma multa de R$ 10 bilhões da J&F e recebeu em seu resort um advogado da empresa como sócio no mesmo resort. A imprensa diz que o resort é da família do Toffoli. A esta altura, não escrevo sobre formalidade. Os donos são um irmão que é padre, outro que vive numa casa modesta, e sua própria mulher desconhece a empresa dona do resort.
Pessoalmente, a convite do
deputado Capitão Augusto, conheci o projeto da região, Angra Doce, e naveguei
na Represa Chavantes. Ouvi algumas pessoas mencionando o resort de Toffoli. Nos
últimos dias, apareceu um vídeo onde o ministro lá recebe um banqueiro e um
empresário. Jornalistas que se hospedaram no resort de Toffoli encontraram um
pequeno cassino em seu interior.
Apoiar toda essa degradação
é defender a democracia?
O Senado poderia fazer algo.
Mas não faz por medo. Alguns senadores têm questões no STF, outros temem a
possibilidade de ter. Os mais à esquerda estão presos à miopia da corrente
política. Acham que, apesar de tudo, os ministros são importantes para conter o
adversário.
Não percebem que um Supremo
corrompido pela ganância é exatamente o combustível que impulsiona seus
adversários? Não percebem que esse estado patético das instituições fortalece o
apoio popular a quem pode destruí-las? Não percebem que a juventude está encontrando
uma causa para sua rebeldia? Fazemos leitura diferente da História, não só no
Brasil, mas em outros lugares do mundo. Consideram que tudo isso é secundário
porque Lula é imbatível nas eleições. É provável que estejam certos nesse
cálculo. Mas que tipo de país o vencedor herdará?
O deputado Nikolas Ferreira
iniciou solitariamente uma marcha e chegou a Brasília com milhares de pessoas,
grande parte jovens como ele. Gritavam: “Acorda, Brasil”. Nesse nível de
abstração, é algo que deveria valer para todos.
Título e Texto: Fernando Gabeira, O Globo,27-1-2026, 0h05, via João Luiz Mauad, Facebook, 27-1-2026, 11h45



"Supremo deveria apoiar esclarecimentos em vez de bancar a vítima institucional"
ResponderExcluirOuch!