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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Eu tenho medo do Natal


Eu tenho medo do Natal que se aproxima
com suas lâmpadas multicoloridas, festões, árvores, presentes
e em especial da figura bonachona do Papai Noel…
Tenho medo das Cantatas, das Lapinhas, dos anjos de papel crepom,
do Menino Deus e até dos três Reis Magos. Eles me parecem Ministros
da indiferença ante a turba que grita por socorro!

Eu tenho medo do Natal.

Ano passado e eu passado, em plena noite de Natal,
Sentei-me com meu neto à beira da calçada
e vimos o espocar de fogos de artifício. Era uma noite solene.
No meu peito de velho aeroviário, vislumbrei no céu esfumaçado,
um Avro, cortando a indelicadeza dos meus sonhos… Chorei sozinho.
Enquanto abastados do poder serviam-se em mesas de cristal
minha folha de pagamento se solidarizava comigo em prantos, na lama
de expectativas fúteis, juntadas mês a mês, para o presente que não veio
e para a decepção maior que se fazia presente, ali.

Eu tenho medo do Natal que se aproxima
pois piscam moléculas de esperança em Brasília e de lá,
piscam também AGUs, STFs e fantasmas de incompatibilidades gerais
que nos prende ao teto menor,
sem direito à dignidade de cidadãos comuns,
com suas velhices, suas doenças, seus traumas e decepções!
Eu tenho medo que o Menino da Manjedoura
venha, na Noite de Natal, cear comigo e Ele vai sentir quão duro
é este pão que nos deram como complemento.
Não suporto mais as luzes coloridas, os festões, as árvores
e aquelas caixinhas quadradas que representam bonança. Não.
Eu não quero mais ouvir o Noite Feliz
e nem o espocar de fogos de artifício ao meu redor.
Prefiro, sim, a noite escura, a calçada vazia
e um adeus qualquer, vindo do nada!

João Sobreira Rocha – aeroviário Varig-Aerus (Goiânia-Go), outubro 2012
Colaboração: Nelson Ribeiro 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Roraima: "Como me enoja ver gente cobrando de nós a caridade que jorramos em cima dos que fugiram do Socialismo."

Daniele Custódio

Como me enoja ver gente de outros Estados cobrando de nós, roraimenses, a caridade que por três anos jorramos em cima dos venezuelanos que fugiram do Socialismo.

Quando alguém de fora de Roraima nos chamar de xenófobos, vamos lembrar que semana passada venezuelanos mataram um homem a pauladas para roubar os tênis dele e também venezuelanos montaram uma emboscada para matar um senhor, roubar seu carro e vender as peças na Guiana.

Quando disserem que somos cruéis vamos lembrar que três semanas atrás venezuelanos agrediram as ÚNICAS médicas plantonistas da única maternidade de Boa Vista, fazendo assim com que elas saíssem assustadas para fazer um B.O. (Boletim de Ocorrência) e resultando em bebês mortos no ventre de suas mães.

Estado de emergência social foi decretado em Roraima em 2017. Foto: Geraldo Maia/EPA
Quando disserem que somos desumanos vamos lembrar das vezes que as marmitas entregues em TODOS os abrigos, muitas vezes foram parar no lixo porque os venezuelanos diziam que frango e peixe eram comida para cachorro, eles queriam carne vermelha. Cavalo dado não se olha os dentes? Esse ditado só existe para a gente.

Quando nos chamarem de covardes vamos lembrar que no HGR nós não temos preferência e que se eu estiver grávida e chegar num posto da prefeitura só vou conseguir uma consulta pra dali a uns dois meses, ao passo que a venezuelana que atravessou a fronteira com um filho doente em cada braço e mais um na barriga consegue uma consulta para o outro dia. Ainda falando em grávidas venezuelanas, vamos lembrar que 40% dos partos na maternidade são de bebês filhos de imigrantes.

Quando disserem que somos bárbaros vamos nos recordar do casal de idosos que foi morto a pauladas (impressionante como eles adoram matar roraimense à paulada) por um casal de venezuelanos que tinha conseguido emprego de caseiros no sítio do casal; lembremos do senhor de Mucajaí, seu Japão, que numa festa da cidade foi também foi morto a pauladas por um venezuelano, o que foi a gota d'água para os moradores de lá, que fizeram a mesma coisa que os moradores de Pacaraima.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

[Aparecido rasga o verbo] O futuro do “Hoje” pode ser um “Amanhã” sem talvez

Aparecido Raimundo de Souza

‘O amanhã não existe. É apenas um futuro imaginário que criamos dentro de nós com esperanças de um porvir que talvez nunca chegue’. Carina Bratt, de ‘Bastidores’.

O RELÓGIO na parede do meu quarto marca as horas que não sei se quero me fixar nelas. O hoje já me pesa nos ombros, mas é o Amanhã que me assusta. Ele se esconde e se asila atrás da cortina do tempo, como uma criança travessa que prepara uma surpresa inesperada só que eu não sei se vou rir ou chorar quando ele aparecer.

Penso nas promessas que fiz a mim mesmo: escrever mais, ler mais, amar melhor, cuidar da saúde, fazer os exames para me livrar da próstata inchada, e ser menos ansioso. O Amanhã é o cobrador dessas dívidas silenciosas. Ele chega com a fatura na mão, e eu, sem um centavo para fazer um cego cantar “eu não sou cachorro não”, tento negociar com mil desculpas esfarrapadas.

O Amanhã me inquieta, me desassossega porque é desconhecido. E tudo o que é incógnito e misterioso, amedronta, depaupera, faz subir o grau do medo e o buraco da insegurança. Me deixa com os nervos em frangalhos pelo motivo de poder trazer a notícia que mudará tudo, o encontro que virará destino, ou apenas me mostrará a mesa pobre abastecida com um café frio e um pão sem manteiga, e, para variar, uma nova “rotina repetida” com a fuça escarrada de ontem.

O Amanhã é o palco onde atuo sem ensaio, improvisando falas que não decorei. Talvez o medo seja também uma forma de esperança. Se temo o Amanhã, é porque ainda acredito que ele existe, que virá, que me dará outra chance. O medo mórbido é a prova irrefutável de que ainda quero estar com ele, mesmo sem saber o que me espera.

E assim, nesse tom meio escuro, entre o susto e a expectativa, a comoção e o enojamento, vou aprendendo que o Amanhã é mesmo um monstro sem cabeça, e mais que um simples encarar o espelho: ele reflete o que faço hoje. Se o meu hoje é pequeno, o Amanhã me horripila. Se o meu hoje é inteiro, talvez o Amanhã me surpreenda na próxima esquina.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

[O cão tabagista conversou com…] Mário Florentino: “Em Portugal, claro que todo o debate de ideias está enviesado, mas isso vem de trás, da revolução de 74.”

Nome completo: Mário Alberto Arango Florentino

Nome de Guerra: Mário A. Florentino (ou Mário Arango, ou MAF, consoante as guerras)

Onde e quando nasceu?

Em Lisboa, no dia 13 de maio de 1969.

Onde estudou?

Na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

O que cursou?

A licenciatura que tirei inicialmente foi Economia, mas depois fiz vários outros cursos. Na realidade, sou uma espécie de colecionador de cursos, gosto de estar sempre a estudar. Ainda no tempo da licenciatura, tirei também muitas cadeiras de Gestão de Empresas, e depois, no último ano, fiz parte de um MBA, em Antuérpia, na Bélgica, ao abrigo do programa Erasmus. Mais tarde, fiz um mestrado em Investigação Operacional e Engenharia de Sistemas, no Instituto Superior Técnico. Passado uns anos, fiz um outro mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, com a especialidade em Política Comparada. Nestes dois mestrados, fiz só a parte letiva, não fiz a tese, pelo que não tenho o título de Mestre. Depois fiz ainda uma outra pós-graduação, em Gestão de Empresas de Telecomunicações e Tecnologias de Informação. Enfim, já tirei muitos cursos, o próximo terá de ser um doutoramento, vamos a ver quando consigo. Falta decidir em que área do conhecimento, porque tenho interesses muito diversos. 

Onde passou a infância e juventude?

Passei a infância e juventude em Lisboa, nos Anjos e no Lumiar. Durante as férias, passava grandes temporadas numa aldeia na Galiza, chamada Ermida, que fica no concelho de Covelo, na província de Pontevedra. Os meus avós tinham lá uma casa, que ainda é da família, e eu e os meus irmãos passávamos lá todos os anos, pelo menos, um mês, às vezes dois. Na adolescência, comecei a ir também por vezes ao Algarve com a família, normalmente ficávamos na praia de Monte Gordo.


"Com os meus pais e meus irmãos; eu sou o 1º à esquerda"

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?

Tive uma infância feliz, sem grandes sobressaltos. Recordo com saudade as férias de Verão, sempre divertidas, eram os melhores momentos, sempre com grupos de amigos, jogávamos muito futebol de rua, com duas pedras a fazer de balizas. Recordo as longas viagens que fazíamos no início de agosto, de Lisboa para a Galiza. O carro do meu pai não era muito grande, mas cabíamos todos, ele e a minha mãe, e nós, os quatro irmãos, e uma gata, mais a bagagem para férias de um mês.

"A Ermida, aldeia dos meus avós, na Galiza, onde ainda temos casa de família"

Parte dessa bagagem era colocada em cima do tejadilho do carro. Ainda não havia autoestrada até ao Porto, fazíamos o caminho pela Estrada Nacional e levávamos horas, com longas filas de trânsito. Como saíamos tarde de Lisboa, tínhamos que dormir a meio do caminho, normalmente na zona da Cúria, e no dia seguinte arrancávamos de novo, para chegar à Galiza de noite. Durava dois dias uma viagem que hoje fazemos em cinco horas. Era uma aventura. Mas era muito divertido, apesar de andarmos sempre à bulha, eu e os meus irmãos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

[Varig/Aerus] Papai Noel não veio! - Vitória agradece apoios recebidos

Realmente PAPAI NOEL é uma LENDA,
PAPAI NOEL LEVOU A GRANA PARA QUEM?
É só para enganar os trouxas e ainda tem pessoas que acreditam; KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK , não falaram em que NATAL: NATAL tem todos os ANOS, não seria melhor ter ficado CALADO; Mais uma vez o  O NATAL FOI CANCELADO.
Edson Cardin

Olá!! 
Não tenho o e-mail da sra. Vitória, portanto, gostaria que este e-mail fosse à ela repassado.
A questão que parece ter-se tornado interminável. tem que ter o repúdio dos demais colegas. Onde já se viu "alguém" questionar uma pessoa como se fosse um policial investigando um crime?
"Quem é a sra.? A sra. não é do RIO, não é? (como não ser do RIO fosse pecado) Quem foi o seu marido? O que ele fazia na Varig? R.G., CIC, atestado de sanidade mental, qual é o tipo do seu sangue e por aí vai!
É lógico que o questionário feito não chegou a tal ponto, mas a falta de respeito à essa sra. que cometeu o "erro" de não ter participado da reunião com a  Graziella (a pedido dela) e, de também colher informações de um Desembargador de  BSB, há isso sim foi longe e, tudo isso numa tentativa quase insólita de justificar o injustificável, fazendo com que o descrédito se abatesse sobre a cabeça dela que apenas quiz  prevenir aos demais, naquilo que já se esperava.
Como eu já escreví no e-mail anterior, cada um tem o herói que merece. No  meu caso, os meus heróis são aqueles que gritaram e gritam por justiça e nisso eu  me inclúo com outros colegas, pois eu, jamais seria capaz de fazer o que foi feito à ninguém em qualquer época do ano, muito menos às vésperas do nascimento de Jesus, principalmente, não dando a mínima satizfação em relação ao ocorrido.
Apenas antes de encerrar, quero dar um conselho à  sra.. Não responda mais nada à esse colega. Não vale a pena. A sra. não lhe deve nada, como à mim também.
Quem está devendo e muito, é o grupo que ele tenta defender, pegando certas  palavras escritas aqui e alí pela sra., mas que na realidade não altera em nada o contexto do que realmente aconteceu contra todos nós, salvo excessões (é lógico!).
Sra. Vitória, cuide da sua saúde, principalmente pelo fato de ter estado  hospitalizada, pois ainda muita água irá passar debaixo da ponte e, respondendo a esse típo de e-mail até certo ponto educado, só poderá contribuir pelo agravamento da sua saúde e quem sabe seja isso que estão torcendo. Uma vóz a menos.
Sem mais,
Waldo Deveza

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Punição a quem merece


José Carlos Bolognese
Para os brasileiros que prestam – a maioria, felizmente – esses tempos têm sido muito interessantes. Corruptos que chegaram ao topo do poder estão sendo condenados. Conspirações que visavam nada menos do que a captura do poder do estado por um bando de facínoras, estão sendo expostas à luz do dia e abortadas por magistrados dignos das togas sobre seus ombros. Quando, numa de suas brilhantes intervenções durante o julgamento no STF, o ministro Celso de Mello declarou que: “Ninguém está acima do ordenamento jurídico do estado brasileiro”, estava (re)pondo nos devidos termos o significado de União, cuja distorção de sentido tem servido para uns tantos indivíduos que, ocupando cargos importantes no aparelho do estado, se atrevem – esquecendo-se da efemeridade de suas posições – a decretar a falência de pessoas, trabalhadores honestos, rebaixando-os a uma condição sub-humana que, de efêmero, nada tem.
Tanto isto é verdade que muitas dessas pessoas – os ex-trabalhadores e aposentados da Varig e Transbrasil – já sofrem danos permanentes em suas vidas, sendo que cerca de 650 entre eles nem vivos estão mais.
Ao fazer pouco caso de uma ordem judicial, já reiterada mais de uma vez pelo Sr. Juiz, Jamil de Jesus Oliveira, estão afrontando os fundamentos da república que estabelece a igualdade de direitos, tão bem explicitada pelo eminente decano da Suprema Corte de justiça do país.
Os corruptos já condenados, como era de se esperar, ora se dizem condenados sem provas, ora chamam o STF de tribunal de exceção. Sabem muito bem o que aprontaram e só não se deram bem porque a ganância de poder foi maior do que a esperteza. E, pior que tudo, no caminho toparam com uma justiça que apesar da lentidão, deixa claro que urna não é lavanderia e que as instituições não estão a serviço dos interesses particulares de temporários ocupantes de cargos no executivo.
É válido portando que, estando nós, os ex-trabalhadores da Varig e Transbrasil também à espera de justiça, consideremos o papel das provas no caminho de se restabelecer a ordem natural das coisas. Enquanto os corruptos condenados do mensalão negam e renegam as contundentes evidências de seus delitos, nós, estranhamente, fomos condenados com abundância de provas… que nos inocentam!
Não bastam nossos contracheques com nossa contribuição mensal discriminada. Não bastam carteiras de trabalho assinadas e atualizadas ao longo dos anos pelos empregadores. Não basta o contrato que cada um de nós, sob o olhar do Estado, assinou com o Aerus. E, acima de tudo, de nada serve a Constituição que assegura o direito à vida. De tudo isto que prova a nossa inocência e o nosso direito – ao contrário dos mensaleiros - foi gerado um processo sumário de degradação moral com condenação e prolação de sentença que já está sendo cumprida há mais de seis anos e meio.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

[O cão tabagista conversou com...] Eliza Martins: “Se há algo que me arrependo na vida, foi de ter desistido da aviação... por puro orgulho. Orgulho não leva a nada!”

Nome completo: Elizabeth dos Santos

Nome de guerra: Eliza Martins

Onde nasceu: Rio de Janeiro/RJ

Onde estudou: 
Faculdades Plínio Leite – Niterói

Antes de chegar à Universidade quais colégios onde estudou? E qual a faculdade que frequentou?
Morava em Campo Grande. Cursei todo o 2º grau no Colégio Raja Gabaglia.

Depois me formei em Letras Português/Inglês na Faculdade Plínio Leite, em Niterói, no ano de 1988.

Saudades da infância?
Não tenho saudades da infância.
Minha infância foi muito pobre e todos os anos nos mudávamos. Morei em São João de Meriti, Pavuna, Anchieta, Olinda (Nilópolis), Ricardo de Albuquerque, Del Castilho, Higienópolis... e muitos outros bairros da Baixada Fluminense que não lembro. Aos 12 anos fomos morar em Campo Grande, a primeira casinha da minha mãe (COAB). Éramos quatro filhos e minha mãe sozinha. Mas não passávamos fome, graças a Deus, e não havia a violência dos dias de hoje.

Também morei em Higienópolis, de 1972 até 1979: Ruas Miraluz e Rolândia.
Quando começou a trabalhar?
Comecei a trabalhar aos 18 anos, na Letra S/A, era uma caderneta de poupança (três meses apenas), pedi demissão e fui para Unibanco Crédito Imobiliário. Depois, Sinal Corretora de Valores, e aos 21 anos fui para Varig, onde tive o prazer de trabalhar por vinte anos.

‘Conheci’ a Letra, era o tempo das latinhas/cofrinhos...
Tinha agência na avenida Rio Branco, não?
A agência da Letra ficava na Rua da Assembleia.

Quando começou a voar foi na base SAO?
Quando iniciei o voo foi pela base Rio. Pedi para ir fazer curso em SAO por não ter dinheiro para ir para a Urca todos os dias. Eu morava em Alcântara, São Gonçalo.

Lembra-se do seu primeiro voo?
Se lembro do meu primeiro voo? Com certeza! E com quase todos os detalhes. Isso porque não lembro da tripulação. Lembro que minha instrutora faltou (seria Celia Sauer) que foi substituída no voo seguinte. 
O voo foi para Porto Alegre com pernoite. Mas o segundo voo... não esqueço jamais: Abidjan, de B707.

Por quê?
O segundo voo ficou na recordação por vários motivos.
Voo para África (voo internacional) para quem está começando... é demais!

Abidjan era a terra do marfim e todos fomos ao mercado. Fui ludibriada por um vendedor e comprei plástico como marfim. Só descobri quando me ensinaram que para saber se o marfim é verdadeiro basta enrolar um fio de cabelo em volta do objeto e pôr fogo, fiquei impressionada! O cabelo não queima se estiver em contato com o marfim. Obviamente, meu plástico pegou fogo junto com o cabelo. 😖😂😂😂

No mês seguinte, dezembro de 1986, tive outro Abidjan [foto]. Claro que tinha que tirar a forra, levei a mala cheia de calças jeans (nessa época valia mais que ouro... lá), para trocar por marfim. Tenho alguns objetos de marfim até hoje.


Logo após, em janeiro de 1987 caiu aquele B707 para Abidjan, que matou toda a tripulação, onde muitos comissários tinham acabado de se formar. Incluindo um amigo de turma. 😢

Puxa! Apesar dos meus vinte e um anos de África não conhecia esse macete...
Se bem entendi você começou na MAXI RAN?
Jim, é impressionante mesmo este macete para testar o marfim! O fio de cabelo colado ao marfim fica protegido!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

"Não, Rosicléa, você não 'deu uma de otária'. Você acreditou..."

Carlos Lira
Não, Rosicléa, você não “deu uma de otária”. Você acreditou que um sindicato tinha o dever de defender a categoria a que pertence. Infelizmente este não está sendo o caso do Sindicato Nacional dos Aeronautas. Há mais de 10 anos que os interesses que regem a “galera” que lá está, são outros, são diferenciados. Não sabemos qual o critério utilizado para semelhante discriminação. O caso AERUS é um só mas a sindicalista preferiu defender somente os “velhinhos” deixando os “novinhos” entregues à própria sorte. Qual será a razão de semelhante atitude? De repente o SNA tem condições para defender os velhinhos e não tem condições para defender os novinhos? Ontem a coisa “pegou fogo” literalmente, muitas fotografias, muitos agradecimentos, muitos discursos e muita fantasia. Gente, até pneus foram utilizados nesta manifestação tardia! Mais uma vez a sindicalista foi endeusada, foi paparicada. Por que isto não ocorreu há mais tempo? Desde há muito todos sabiam que o PT não estava com a mínima vontade para resolver a questão AERUS. Se esta liderança que aí está encabeçando a defesa dos “velhinhos do AERUS” deixando os demais fora do páreo, tivesse tido OUSADIA em promover protestos contundentes há mais tempo, a situação não teria assumido proporções tão desastrosas como a de agora. De repente, “antes tarde do que nunca”... será? Rosy, você acredita que a famigerada sindicalista “está desiludida com o PT”? Eu não acredito! É voz corrente que a mesma afirmou isto durante o protesto de ontem. Será uma desilusão, uma farsa ou uma armadilha? Afinal, a “cumpanêra” é anistiada graças ao PT de Lula. Acho muito difícil que isto aconteça, mas...
Carlos Lira, 01.11-2012

ALERJ, 07-7-2009

Têm a ver:

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

[Observatório de Benfica] Boa noite, Professor!

Mário Florentino

E se o professor Marcelo, comentador político, tivesse feito um comentário televisivo na noite de ontem sobre a atualidade política em Portugal. Seria mais ou menos assim:

“- Boa noite, Professor!

- Boa noite, Judite. Então hoje temos muito para falar da atualidade política nacional. Mas você está muito elegante, parabéns. Então avancemos que isto foi uma semana de muitos acontecimentos. Já falámos na semana passada sobre o chumbo do orçamento, vejamos hoje a crise nos partidos da direita e o que pode o Presidente Marcelo fazer a seguir.

- Primeiro, o CDS. Ora bem, o CDS parece um saco de gatos em que ninguém se entende. Já sabemos que o Chicão fez aquele número de, primeiro queria antecipar o congresso, agora já quis adiar o congresso, enfim, uma grande trapalhada, que as pessoas não endentem. E depois há aquela gente toda à volta do Nuno Melo, que está a debandar e a deixar o partido. Mas, ó Judite, deixemos por agora o CDS, que já não conta muito, pois as sondagens só lhe dão um por cento, e por este andar – e com muita pena minha – parece que vai mesmo desaparecer.

E passemos para o PSD, o meu partido, partido do qual fui líder, há muitos anos. Ora bem, aqui o problema é o seguinte. O PSD estava preparado para ir a eleições em 2023, e não estava à espera disto. E haveria eleições normais, para a liderança do PSD, regulares, já marcadas. Ora Paulo Rangel, recorde-se, apresentou a candidatura normalmente, tudo regular, a essas eleições. E depois é que apareceu a crise política – um pouco precipitada pelo Presidente Marcelo, em minha opinião mal, mas já lá vamos. Ora, num contexto de crise política, e havendo quem se tenha candidatado, não faz sentido não haver disputa interna, e Rui Rio deve ir a votos. Deve deixar os militantes se pronunciarem, ó Judite, é assim, porque se não for assim ficará sempre a suspeita: “olha, o tipo não quis eleições, porque tinha medo de perder”, e fica fragilizado. É assim, em política é assim, é assim, é assim. Deve sempre dar-se a palavra aos militantes. Olhe quando eu fui líder do PSD, lembra-se? Quantas vezes é que eu fui a votos internamente? E fiz muito bem, porque depois saí sempre dos congressos reforçado. Rui Rio deve fazer o mesmo agora. E eu acho que o Rui Rio ainda não percebeu isso, dá um pouco a ideia – e isso é mau – que ele está agarrado à cadeira. Olhe, ele aí está um pouco a lembrar-me o António Costa, que também é muito agarrado ao poder, olhe, já desde o tempo da associação de estudantes de direito ele era assim…

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A participação de Dilma Rousseff e Erenice Guerra na desmantelação da Varig e na corrupção da Infraero

Capítulo - XV do livro “O CHEFE” do ex- petista e jornalista Ivo Patarra
 
Duas tragédias, apagão aéreo e corrupção na Infraero.
Compadre de Lula ganhou milhões.



Antes mesmo da primeira tragédia aérea da era Lula, na qual perderam as vidas todos os 154 passageiros e tripulantes do avião da empresa Gol que caiu no Mato Grosso em 29 de setembro de 2006, a crise no setor da aviação já incomodava o governo do PT. E não por conta dos problemas no controle do tráfego aéreo, uma das possíveis causas do desastre com o avião da Gol. Era por corrupção. O TCU (Tribunal de Contas da União) divulgara, quase um ano antes, relatório com irregularidades em contratos de publicidade e informática da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), a estatal federal encarregada de administrar 67 aeroportos no País.
  
Em 2002, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), os dispêndios da Infraero com propaganda foram de R$ 2,5 milhões. Dois anos depois, já nos tempos de Lula, a gastança alcançou os R$ 15,3 milhões. Técnicos do TCU identificaram contratos sem licitação e ausência de pesquisas de preço para evitar superfaturamento nos serviços. A agência de publicidade encarregada dos trabalhos, a Signo Comunicação, era de Anderson Pires, conhecido pelas ligações com o partido do presidente da República. 
Ele recebeu R$ 10 milhões para fazer a propaganda da Infraero. Após assinar o contrato com a estatal, aliás, Anderson Pires foi trabalhar na campanha do candidato petista Avenzoar Arruda à Prefeitura de João Pessoa.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Presidente da Aprus: "Acredito na nossa justiça de hoje"


Meus caros irmãos, passei um final de semana em Friburgo, por ser aniversário do meu cunhado e sendo um niver de 70 anos, a festa foi bastante agradável, ficando eu entre uma notícia e outra, daquilo que imaginávamos que já estaria tudo perfeito e completo, era só aguardar.
Após a notícia que, para alguns era de surpresa, o pânico e desânimo se estabeleceu em alguns ou até a maior parte, ora, meus amigos se nos lembrarmos dos quatro últimos passos deveremos constatar que desde a primeira ordem para que fossemos pagos, as ações tomadas pela AGU foram sempre as mesmas sendo que a penúltima de avaliação, me corrijam se eu estiver errado, foi feita por uma junta de desembargadores para obtenção sempre da cassação da liminar, fato negado a todos os recursos.
Ao acompanhar jornais, Supremo Tribunal com o famoso mensalão e ao me confrontar com a mesma justiça que já julgou pelo menos quatro vezes o mesmo nosso assunto, não posso acreditar que o Supremo Tribunal Federal na pessoa do seu Presidente, possa vir a atender aos pedidos da AGU que, como sempre, deverá estar alegando grandes custos nacionais, buscando assim a fugir das suas responsabilidades constitucionais, não esquecendo que o valor anual que causa tanta preocupação à AGU praticamente foi dado ou doado para CUBA.
Acredito na nossa justiça de hoje, pois entendo que acordou para todas as situações que passamos e, meus amigos, continuo com FÉ, devemos ter que ter perseverança e saber nos conduzir com a educação que sempre existiu em nossa VARIG, não estou errado, tenham FÉ.
Thomaz Raposo de Almeida Filho, Diretor Presidente, APRUS

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sábado, 3 de novembro de 2012

[Varig/Aerus] Quem tem moral para falar em perdas irreparáveis?

José Carlos Bolognese
Será que foi alguma coisa que colocaram na rede pública de água? Será que a liberdade de pensamento foi abduzida durante a novela Avenida Brasil? Ou será que uma sinistra conspiração das empresas de telefonia instalou um aplicativo secreto, "Zera Neurônio" em cada conta de celular - são milhões, não? Quem sabe já venham equipados com um “mind control” que programa o cérebro do usuário para ser incapaz de responder a cretinices? Ou será um vírus na bebida campeã do país estupidamente congelando os miolos da moçada – tem “chip” no chopp?
Causa espanto que sigam sem questionamento afirmações estúpidas como essa de que... pagar – PAGAR NÃO – DEVOLVER!, o que foi surrupiado dos ex-trabalhadores e aposentados da Varig e da Transbrasil seja uma ameaça de dano e de difícil reparação para a União. Se há mais de seis anos esmagam como se fossem baratas os trabalhadores que cometeram o erro de poupar para a aposentadoria e confiar no estado, devia-se ao menos considerar esses milhares de idosos e suas famílias como uma parte da União (quiçá mais real e legítima), porém muito mais lesada e ameaçada que, em muitos casos, jamais irá recuperar o que perdeu haja vista o tempo decorrido, os falecimentos, o patrimônio perdido, a saúde prejudicada e o que se deixou de viver.
O atual (des)governo petista segue no caminho de implantar na mente dos brasileiros o esquema de uma verdade só, aquela que o partido achar que serve aos interesses da nação, como se fôssemos incapazes de pensar por conta própria. Ocorre que os brasileiros com mais de dois neurônios e que não vivem pendurados nas tetas do estado, sabem que a verdade que serve a eles, governo, é o que estiver à disposição, invariavelmente a mentira. Aqui nunca é demais recorrer de novo a Robert Musil, em “O homem sem qualidades”:
"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem"
Ora, é neste ambiente onde predomina a mentira que alguém sem ser contestado, diz que pagar o que se deve a esses ex-trabalhadores e aposentados da aviação comercial, causa prejuízo ao país. Sabendo que em boa parte da imprensa - nem tão boa - e entre “formadores de opinião”, ninguém se dá ao trabalho de pegar uma declaração idiota qualquer e ir fundo exigindo uma explicação coerente, continuam a espalhar as suas “verdades” que, sem serem rechaçadas à altura, vão corroendo aquilo que sim, faz sentido chamar de União – a cidadania.
Josef Goebbels continua fazendo seguidores...
” Uma Mentira contada mil vezes torna-se uma verdade”.
Quem nessepaíz tem moral para falar em risco-grave-de-difícil-reparação-para-a-União?
Eles?


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

[Aparecido rasga o verbo] O inverso do simétrico

Aparecido Raimundo de Souza

Cláudio Melo Filho, ex-vice presidente de Relações Institucionais da Odebrecht disfarçado de papagaio, depois de ter relatado ao Ministério Público Federal (MPF) que Michel Jackson Temer pediu a ele a ínfima quantia de R$ 10 milhões de reais para campanhas do PMDB (Entenda PMDB como Partido dos Machos que dão Bandeira - quando ainda era vice da jumenta Dilma), passeava com seu disfarce feito às pressas pelas imediações dos Palácios da Alvorada e Planalto,  quando, de repente, ao cruzar por sobre um dos muros de uma bem cuidada mansão (parecia, mas não era a Casa da Dinda do Fernandinho do pó, esta estupenda choupana fica na SML ML 10 Conjunto 15 23 – Setor de Mansões do Lago Norte) se surpreendeu com um velho amigo da sua família, um legítimo Psittacidae em carne e osso, que não via fazia tempo. Se não estava enganado, desde maio de 2014. De chofre, estancou perplexo. Quase não acreditava no que seus olhos enxergavam. O camarada, ou melhor, aquela criatura, ao lado da piscina, não era nenhum Kakapo, tampouco um Nestor ou Agapornis encontrado por aí, a torto e a direito. Todavia, levado pela curiosidade, voou para perto. Queria se certificar que realmente se equivocara e aquele troço desengonçado não se tratava do seu conhecido companheiro de outrora, dos tempos em que, vice-presidente da empreiteira gozava de excelente relacionamento com o Planalto, e, de contrapeso, com outros vagabundos, entre eles Eliseu Padilha. Cônscio da distância que poderia ser perfeitamente ouvido extravasou, na lata, na bucha.


- Meu pai do céu, cara! Que diabo é isso? É você mesmo ou preciso caçar óculos com lentes mais fortes?

- Cláudio, seu delator filho da puta.  É você mesmo? Espera aí.  Que foi? Que espanto é esse? Nunca viu uma coisa assim tão perfeita?

- Caraca! Então é você mesmo, Michel Jackson Temer? Por favor, me dá aqui umas boas beliscadas no lombo. Não acredito ainda no que tenho diante de mim!

Michel Jackson Temer se desquebrou se desmunhecou todo e fez cara de zanga. Esbravejou muito sério.


- Temer não! Agora meu nome é Presidenta! Muito prazer em revê-lo, seu cachorro safado! Delator de merda. E por favor, use a excelência ao se dirigir à minha pessoa.

Cláudio, o bico aberto, os olhos estatelados deu um passo atrás.
- Sai prá lá, Temer. Enlouqueceu? Usando um batom no bico, vestido com as cores da bandeira do Brasil, brasão da república pintado de rosa... e ainda por cima ser rotulado de excelência? Penso que merdecelência lhe cairia melhor...

- Excelência, meu caro. Agora, confesse: estou linda, não estou? Fala a verdade! Seu delator despeitado...

sábado, 28 de maio de 2016

Carta de um Querubim d’Abril

Querido Professor Marcelo,

Estou a escrever-lhe esta carta porque já não suporto esconder o sofrimento que sinto ao ver os meus pais, que toda a vida se levantaram e deitaram à mesma hora e contribuíram assim para um futuro, que é o meu presente, mais justo em que todos pagam mais pagando todos muito menos, a sofrer tanto por causa da carga social, chama-se assim, que agora as pessoas transformadas em números sem escolhas foram obrigadas a suportar.

Eu gosto muito de ver quando o professor pega naqueles molhos de livros todos e sorri como se estivesse a respirar pétalas de cravos para cima de toda a gente através da televisão. Penso que devia ser sempre entrevistado por jornalistas pacíficos e honestos como a Judite de Sousa, a Fátima Campos Ferreira e a Ana Lourenço, que nunca quiseram estragar a paz tão bonita começada pela revolução dos nossos pais, tios, primos, avós e todas as outras famílias que fizeram Abril e lá ficaram, distribuindo ainda hoje as garantias que enchem a nossa despensa do sagrado pão, a garagem com os carros para usarmos as estradas dos engenheiros Ferreira do Amaral e José Sócrates, e a gaveta do aparador onde a minha mãe tantos perfumes e vernizes tem e de que eu, quando decidir qual vai ser a minha identidade de género, poderei vir também a usufruir.

Estas conquistas que os seus afectos, mais a visão longínqua do Doutor António Costa, que de tão garboso e inteligente podia vir nos meus manuais de História porque eu acho que ele é a personificação dos nossos Descobrimentos, de Goa à Mesquita da Mouraria, isto é uma grande felicidade que devia mostrar à Europa o quanto o nosso país tem de bom além do sol, das praias, da liberdade com que toda a população chama nomes uns aos outros, fala alto na rua, cospe para o chão, e decide sem medo da PIDE quando é que um gato, um embrião ou um poste de iluminação transgender são pessoas ou quando podem e devem ser abortados, eutanasiados, ou submetidos a mudanças de sexo que fazem menos mal, dizem os cientistas que estão todos de acordo, do que um chocolate e batatas fritas com sal grosso.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

[O cão tabagista conversou com...] Marco Sichi: “Os comissários só deixam de ser vistos como serviçais no momento em que o filho do passageiro se engasga”

Nome completo: Marco Antonio Sichi de Mello
Nome de Guerra: Marco Sichi

Onde nasceu? Em Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo, em 5 de agosto de 1962.

Onde estudou? Primário, na Escola Municipal Coronel Almeida; o ginásio e colégio técnico profissionalizante, na Escola Técnica Estadual Presidente Vargas, (curso Técnico em Mecânica/Ferramentaria). Paralelamente a este curso fiz a escola SENAI Nami Jafet, aqui em Mogi (curso de Marcenaria).

Após servir o exército como voluntário (alistado aos 17 anos e ingressado aos 18) no Grupamento de Blindados de Caçapava, de onde saí como Cabo, fui fazer faculdade de Turismo, em Santos - SP, na antiga AELIS, hoje Universidade Santa Cecília. Não concluí o curso, parei no terceiro ano.

Alguns anos depois, já na Varig, iniciei o curso de Direito na Universidade Braz Cubas, concluí, mas nunca exerci.

5 de agosto, leonino (que nem este Editor), hein? Você acredita na Astrologia?
Sim, leonino, não sei qual é o meu ascendente.

Não acredito na astrologia, amo o céu, tenho um encanto profundo pelas estrelas e constelações, temos um bom telescópio em casa e sempre estamos observando os astros e seus fenômenos. Meus filhos sempre se classificaram de forma muito boa em olimpíadas nacionais de astronomia. 

Explico porque não acredito na astrologia: a luz do sol, o astro estelar mais próximo, leva cerca de oito minutos para chegar à terra.

A estrela Betelgeuse na constelação de Orion é a  décima segunda mais brilhante vista da terra e está a seiscentos e quarenta e dois anos luz da terra, ou seja, o que estamos vendo já ocorreu há muito tempo.  Portanto, não acho que algo que ocorreu há tanto tempo assim possa ser base para uma especulação de futuro ou definição de características.


Gostou da sua experiência nas Forças Armadas?
Meu pai sempre nos ensinou os valores mínimos para ser um Homem, então, sim, gostei.
Fui, na infância, ‘Lobinho’ e escoteiro; a honra, o caráter, a disciplina, o amor à pátria, a uniformidade, o trabalho em equipe, os conhecimentos da vida através da natureza sempre me atraíram. O exército foi um complemento importante para estes valores, e onde aprendi muito sobre liderança!


Quando começou a trabalhar (em empresa privada)?
Trabalhei desde muito jovem. Aos treze anos comecei em um armazém ou venda, depois fui office-boy, aprendiz de lapidador de lentes oftálmicas, militar, mecânico de automóvel, recepcionista em hotéis e finalmente na aviação.

Na sua penúltima resposta, você elenca valores que, no meu julgamento, são valores conservadores. Você é, se considera, conservador?
Sou sim um conservador, mas, para que não se faça um mau juízo de mim nestes tempos do "politicamente correto", é preciso uma explicação. O conservadorismo político é um conjunto de ideias que prega a estabilidade das instituições sociais tradicionais, por exemplo: a família, religião, região geográfica, ordenamento jurídico, etc. Engloba também usos e costumes, tradições e convenções éticas e morais pertinentes a uma determinada região ou cultura.

Para mim, ter educação, ter caráter, ser honesto, ter honra e respeito, amar a sua pátria, é uma obrigação humana para que tenhamos um convívio pacífico e harmonioso, independentemente de sua localização geográfica, mesmo que tenhamos opções religiosas, políticas, sociais, raciais, culturais, de gênero, etc... diferentes umas das outras.

O conservador em geral, aplicado à política e à vida cotidiana, busca a estabilidade dos valores e da ordem sem se preocupar com grandes mudanças.

Já o conservador mais moderno, no qual me enquadro, é aquele que prioriza os valores morais e respeita as mudanças, mesmo que eventualmente não lhe sejam palatáveis, pois entende os rumos do progresso e da evolução.

Aqui, acho que o “politicamente correto” está exacerbando suas ideias sem respeitar as dos divergentes.

Então, sou um conservador, que jamais aceita a desordem, o errado, o ilícito, o desrespeitoso e o intolerante.

Não sou avesso às mudanças como trata a letra da palavra conservador, sou avesso à anarquia e bagunça.

E importante entender também que radicalismo e exageros devem ser tratados com cuidado, e que o grande valor está na liberdade e na ordem.

Hoje, minha convicção política é de direita, conservadora, mas aberta. Meu candidato a presidente ainda não apareceu de forma definida, mas, se nada melhor aparecer, será o Bolsonaro!

Falaremos mais sobre Política, nacional e internacional.
Voltando ao seu trabalho, você foi polivalente, well... 😉
Quando surgiu a vontade ou a oportunidade de ingressar na Varig?
Em 1984 eu trabalhava como recepcionista em um hotel de luxo na Alameda Campinas, em São Paulo. Meu trabalho era bem rentável, tinha boa remuneração, pois fazia parte da auditoria noturna. Nunca pensei na aviação como emprego, era glamoroso demais para mim.

Minha irmã, Mônica Sichi, trabalhava no Despacho (de Passageiros) de Congonhas. Um dia, ao chegar do trabalho em casa, ela estava esbaforida e atrasada, e me pediu para levá-la a Congonhas, onde participaria de um processo seletivo. Ainda de terno, montamos na moto e a levei.  Ao chegar, já havia uma fila enorme e muita gente bonita e arrumada, achei bacana. As amigas dela haviam reservado um lugar e ali fiquei com elas batendo papo, até que chegou a vez da Mônica, e eu entrei junto. E já me deram uma ficha para preencher, eu disse que estava sem meus documentos e que não estava ali pela vaga, a atendente disse que não havia problema, preenchi a ficha com o que sabia e entreguei.

“Vá para a entrevista pessoal”, eu fui.

Ela disse “o psicotécnico tem vaga agora, quer fazer?”, eu fiz.

Saí dele, ela disse “o inglês tem avaliação agora, quer fazer?”, eu fiz.

Fui aprovado em tudo no primeiro dia e ainda teria de voltar no outro para entregar os documentos, o que fiz. Eu, na primeira manhã fiz o que a Mônica levou três meses para fazer!

Com o andar da coisa e vendo aquele ambiente, a possibilidade de viajar, a grandeza da Varig, decidi que iria em frente e, se entrasse, ficaria uns dois anos e voltaria para a minha área. Depois disso passei em tudo, comecei o curso e me encantei ainda mais. A minha irmã só ingressou meses depois de mim.

Nunca havia sequer entrado em uma aeronave comercial, só tinha voado uma vez em teco-teco.

Meu primeiro voo foi no Electra II, emocionante!

Enfim, acho que eu fui o único daquela fila de 7.500 candidatos, que nem sabia o que ia fazer, que entrou!

Amei o que fiz até me aposentar!

segunda-feira, 26 de julho de 2021

[O cão tabagista conversou com…] – 100ª! – Lourenço Bray: “Temos um problema de independência dos media em Portugal, agravado com a penúria financeira e perda de relevância…”

Nome completo: Lourenço Farrajota Cristina Bray

Nome de Guerra:  Lourenço, mas na playstation e outras plataformas de gaming online é aguia77

Onde e quando nasceu?

Bruxelas, Bélgica, 1977.

Onde estudou?

Instituto Superior de Economia e Gestão, curso de Matemática Aplicada à Economia e Gestão.

Onde passou a infância e juventude?

Passei a infância numa pequena aldeia a 12km a sul de Torres Vedras, as Carreiras [foto abaixo], vindo de Bruxelas com 5 anos. Depois, com 9 ou 10 anos fui para Torres Vedras onde fiquei até ir para a universidade.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?

Na infância, salientaria mesmo a transição de vida de uma grande metrópole europeia, num país rico e desenvolvido como a Bélgica em 1981, para um contexto de aldeia no Portugal rural pós-revolucionário. Nem falava português. Tinha apenas 4 ou 5 e anos e recordo-me com grande nitidez da mudança, da viagem, das primeiras interações com miúdos da minha idade, de ouvir português e não entender nada. Felizmente tinha um amigo, o Marco, filho de emigrados em França regressados à aldeia, que sabia falar francês e foi intérprete.

Foram sempre todos muito amistosos e ainda hoje os considero amigos e sigo-os - vantagens de plataformas como o facebook. Nem me recordo de aprender português, em poucas semanas ou meses estava a falar. E com pronúncia local, para desespero do meu pai que me corrigia. Foi um período muito feliz. A vida na aldeia nessa época era algo mágico.

Depois há uma série de acontecimentos, como na biografia de toda a gente… Por exemplo, a morte do meu primeiro cão, o Garoto, algo trágica, abatido pelo meu próprio pai. Era um cão muito mau, muito perigoso, já me tinha atacado uma vez e arrancado uma unha de um dedo, embora eu tenha sido palerma ao fazer-lhe uma festa enquanto comia.

Adorava o cão, toda gente tinha medo ele. Um dia atacou uma vizinha, felizmente sem gravidade, mas teria de ser abatido e o meu pai recusou-se a levá-lo a um matadouro ou ao veterinário e fez o serviço ele próprio. Ainda me lembro de o ver com o corpo do cão num lençol, nos braços.

Enfim, tenho mais memórias, penso que as crianças registam “cenas” assim.

A juventude teve muitas memórias, saliento ter saído de Torres Vedras para Lisboa e, portanto, começado a viver sozinho. Também salientaria a primeira vez que beijei uma rapariga, foi muito tarde, porque sou uma pessoa das que vai para cursos de matemática, faz parte.

Vai frequentar que faculdade?

ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão, curso de matemática aplicada à economia e gestão. Era uma universidade bastante simpática no centro de Lisboa, convenientemente perto dos bares da 24 de julho e do Bairro Alto.

Escolhi o curso porque me parecia muito difícil, apareceu num artigo qualquer de uma revista que o colocava nos três mais difíceis do país a par de engenharia aeroespacial no técnico e outro que não me recordo. Confirmo que era difícil. Nunca tinha tido uma só negativa na vida e logo no primeiro exame a uma das cadeiras tive 3 em 20. Fiquei em choque.

domingo, 11 de julho de 2021

[O cão tabagista conversou com…] Ernani Matos: “hoje não teria mais estrutura física e disposição para encarar um voo de 12, 14 horas…”

Nome completo: Ernani Fernando Matos Cardoso

Nome de Guerra: Ernani Matos

Onde e quando nasceu?

24 de março de 1959, Rio de Janeiro - RJ

Onde estudou?

Escola Municipal México e Colégio Brasil, ambos em Botafogo.

Onde passou a infância e juventude?

Nascido em 1959, em casa mesmo, com parteira, em uma área simples de Copacabana, no topo da ladeira dos Tabajaras, onde morei até os 10 anos de idade. Nessa época, a família mudou-se para um pequeno apartamento no Leblon, onde residi até completar 22 anos.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?

Minha infância foi normal para os tempos em que a vivi, brincando todo o tempo fora de casa, futebol, bola de gude, praia etc.

Estudava em escola pública, em Botafogo, e sempre ia de ônibus sozinho, mas os tempos eram outros.

Como brincava o dia inteiro e fora de casa, estava sujeito a acidentes. E no período de um ano, que eu me lembre, minha mãe teve que me levar ao hospital umas cinco ou seis vezes: duas vezes com cortes na cabeça e pregos, e corte com vidro nos pés, mas nunca fraturei um membro.

Entendo, tudo no devido padrão infância feliz… 😉

E ficou brincando e aprontando até que idade?

Meu período de ‘Curtindo a vida adoidado’ (Ferris Bueller's Day Off) foi até os meus 14 anos, pois após a escola – estudava na parte da manhã – almoçava e levava o almoço para o meu pai, que possuía uma loja de material de construção em Jacarepaguá, e trabalhava com ele até o horário de fechamento da empresa, fazendo a parte contábil, pagamentos, atendimento no balcão e outras coisas. 

Hummm… que segredo guardam as… ‘outras coisas’?

Minhas outras tarefas na loja, era descarregar e carregar todo tipo de material de construção, até onde o meu porte físico franzino permitia. Ao completar 17 anos, assumi a direção de um pequeno caminhão para entregas nas redondezas da loja.

Então, começou a trabalhar aos 14 anos, né?

Trabalhei dos 14 aos 21 anos na loja da família.

E depois desse período de ajudar o seu pai na loja, para onde transferiu a sua mão de obra?

Com 19 anos, acompanhando duas amigas ao escritório da Varig na Avenida Rio Branco, para se inscreverem na seleção para Comissária de voo, fui incentivado pelas amigas e pela funcionária que recebia as inscrições a me inscrever também, fato que jamais tinha sido a minha intenção. Meu processo seletivo durou cerca de dois anos e meio, sendo chamado para testes psicotécnicos de três em três meses, sendo todo o processo seletivo finalizado e o início do curso de aluno comissário em março de 1982.