terça-feira, 10 de novembro de 2020

Banana e abacaxi


Alexandre Garcia 

Quem se impacienta com a demora de uma decisão definitiva na eleição americana não deve ter acompanhado a eleição de George W. Bush, em 7 de novembro de 2000. No dia seguinte pela manhã, a apuração já mostrava que o democrata Al Gore tinha 255 delegados e o republicano Bush apenas 246. Gore estava mais perto dos 270 delegados que significam vitória. Mas ainda faltavam os 25 votos da Flórida. 

Dias depois, Bush estava ganhando por 300 votos na Florida. Vieram votos do exterior e a diferença foi para 900 votos. No dia 26 de novembro, o conselho eleitoral da Florida proclamou o resultado pró-Bush, numa diferença de 537 votos. Aí, o democrata Gore entrou na Justiça e pediu recontagem de 70 mil votos, cancelando a declaração do resultado. Em 12 de dezembro, a Suprema Corte, por um apertado 5 a 4, convalidou a decisão do conselho eleitoral e Bush estava eleito presidente. Demorou 35 dias, e se discutia apenas um estado. O eleito teve 50 milhões 460 mil votos; o perdedor, 51 milhões e três mil. É isso mesmo. O perdedor teve 543 mil votos acima do vencedor. 

Agora o Presidente dos Estados Unidos denuncia fraude e se declara vitorioso. De 160 milhões de votos facultativos, mais de 100 milhões vieram pelo correio.  O provável eleito, Biden, argumenta que foi uma vitória clara e convincente. Já fez discurso como eleito, falando em erradicar a Covid e o racismo. Para erradicar a Covid, a Pfizer talvez tenha esperado o momento certo para anunciar o excelente resultado de sua vacina. Para erradicar o racismo, vai ser mais difícil. Está impregnado até no noticiário. Das características da vice, Kamala Harris, destacam que ela é negra e sul-asiática. A mente brilhante da procuradora e senadora fica para depois. 

Enquanto eles por lá se dividem quase ao meio, nós por aqui vamos às urnas eletrônicas no próximo domingo, Dia da República. Voto obrigatório, com resultados nas horas seguintes ao encerramento das urnas, e segundo turno nos municípios mais populosos, onde não ficar clara uma maioria. 

Com todas as desconfianças, creio que temos mais segurança nos resultados que os americanos. Com toda a confiança que temos nos carteiros, preferimos nós mesmos digitar o nosso voto, sem intermediários. Se eles acompanhassem o nosso processo de escolha, assim como nós acompanhamos os deles, nunca mais se refeririam ao Brasil como um exótico país tropical, com carnaval, futebol, praias e uma imensa floresta. Yes, nós temos banana; mas graças ao Havaí, eles têm muito abacaxi, que pode levar tempo para descascar. 

Título e Texto: Alexandre Garcia, Gazeta do Povo, 10-11-2020, 16h23

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