terça-feira, 7 de dezembro de 2021

[Observatório de Benfica] A Hora dos Liberais

Mário Florentino

O partido Iniciativa Liberal tem apenas quatro anos e é uma história de sucesso. Nas próximas eleições de 30 de janeiro terá uma excelente oportunidade para se afirmar. E isso será muito bom, para a política, e sobretudo para o país, que tanto precisa dele.

Antes do IL, Portugal devia ser o único país europeu que não tinha um partido liberal, que pertencesse ao ALDE, a terceira maior família partidária presente no parlamento europeu, a seguir aos conservadores e aos socialistas. Até há quatro anos, os portugueses que se revissem no liberalismo tinham de votar PSD, PS ou CDS (com Francisco Lucas Pires, o CDS tentou ocupar esse espaço). Mas como nenhum desses partidos é liberal, esse voto era feito a contragosto, pela ausência de uma alternativa liberal.

Quando surgiu o IL em 2017, tudo mudou. O partido foi fazendo o seu caminho, lento, mas firme, e sempre coerente. É um partido de ideias, o que é logo uma grande diferença (para melhor) face a outras experiências que surgiram ao mesmo tempo (casos do Chega ou Aliança, partidos de uma figura, o líder).  No IL a mudança de líder (já vai no terceiro) é irrelevante, porque o que importa são as ideias. "Liberais em toda a linha", como diz um dos seus slogans. Liberais na política, na economia e no social. Esta coerência ideológica não mudou com a mudança de líderes.

Apresentou-se já a todos os atos eleitorais, europeias (com o Ricardo Arroja, que teve um excelente resultado para uma estreia), legislativas e autárquicas, tendo tido também um candidato a Presidente da República.

Nas legislativas conseguiu eleger um deputado, o seu atual líder, Cotrim de Figueiredo, e por pouco não elegeu o segundo, o anterior líder, Carlos Guimarães Pinto.

Nas autárquicas, uma eleição mais difícil para um partido mais urbano, não conquistou autarquias, mas elegeu vários mandatos, outro excelente resultado. E o candidato Mayan, obteve 3,2% na eleição para PR, dando notoriedade ao partido.

Esta coerência ideológica, bem como a moderação e a seriedade que imprime a toda a sua atuação (em evidente contraste com os restantes partidos), fazem do IL um partido cada vez mais apreciado pelos eleitores, e as sondagens revelam isso mesmo. Segundo as previsões, este partido poderá eleger em janeiro entre cinco a oito deputados.

Se pensarmos no excelente trabalho que tem sido feito pelo deputado único do IL no Parlamento (nem que fosse só por gerar debate de ideias e provocar uma mudança de mentalidades, mas tem sido muito mais que isso) podemos imaginar nos benefícios que poderão trazer oito deputados liberais.

Um país que está estagnado depois de duas décadas de socialismo estatizante e a ver-se ultrapassado diariamente pelos países do leste da Europa, precisa de liberalismo como alternativa que permita a saída deste marasmo desesperante. Que venham estes novos liberais. Está mais que na hora.

Fica BEM 👍

Mães Paralelas. O último filme de Pedro Almodóvar. A história de duas bebés trocadas no hospital, que dá origem a várias peripécias familiares. E ao mesmo tempo aborda um tema muito polémico no país vizinho: a lei da memória histórica. Um bom filme, que recomendo para esta época festiva em pandemia.

Fica MAL 👎

Ministro Cabrita, o passageiro. Não me lembro de outro político que tenha sido alvo de tanta revolta. Desde o cidadão comum, até aos políticos e comentadores de todos os quadrantes, não houve quem não pedisse a demissão. E mesmo no momento da saída, continuou com a sua postura de incompreensível falta de ética, afirmando que só sai para não prejudicar a família socialista. Para a família da vítima nem uma palavra. "Humanamente, um escroque", como escreveu Cintra Torres. No final, até o seu grande amigo Costa, se livrou dele no momento que lhe deu mais jeito. Ficou isolado o Cabrita. Esperem, isolado não. A sua esposa veio em defesa do seu Eduardo no Twitter. O amor é lindo.

Título e Texto: Mário Florentino, Benfica, 7 de dezembro de 2021

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