segunda-feira, 5 de abril de 2021

Mais católico que… os bispos!

FratresInUnum.com

O Dia da Mentira já passou, mas há verdades tão inverossímeis que parecem não verdadeiras. Antigamente, quando alguém queria usar uma hipérbole para se referir ao excesso de devoção de alguém, dizia que fulano “é mais católico que o papa”. Bem… chegamos ao fundo do poço. Agora é oficial: um ministro do STF pode ser mais católico que um bispo. Explicamos.

No último sábado, o Min. Kássio Nunes, do STF, emitiu uma liminar autorizando as Igrejas a realizarem cultos públicos com a lotação de 25% da sua capacidade: isto não equivale a uma restrição, mas ao reconhecimento de que o Estado não pode exigir menos do que isso, dado ser o culto público reconhecido como uma atividade essencial, direito que a Constituição chama inviolável.

Ora, o que se esperaria de um prelado da Igreja Católica em pleno domingo de Páscoa? Que rapidamente organizasse celebrações para os fiéis, seguindo as normas sanitárias. Mas…, nem na ficção jamais se viu tamanha impiedade e cegueira ideológica: muitos, diríamos mesmo a maioria, dos bispos mantiverem a decisão de conservar as Igrejas fechadas e de privar os fiéis dos sacramentos.

Em outras palavras, um ministro do STF é capaz de reconhecer a essencialidade do culto, essencialidade que um bispo nega em favor de uma genérica “defesa da vida”.

Ora, mas seria realmente impossível que se organizassem serviços religiosos sem aglomeração? Por exemplo, uma paróquia não poderia distribuir a Comunhão fora da Missa, como sempre se fez na Igreja, num intervalo largo de tempo, em que as pessoas entrassem e saíssem? Os liturgistas modernos desdenham dessa alternativa, pois supervalorizam a “participação comunitária”, esta mesma que agora eles inviabilizam com o seu fanatismo liturgicista do “tudo ou nada”.

Obviamente, a decisão monocrática do ministro pode ainda ser revertida pelo plenário do Supremo, mas, neste ínterim, ao menos fica escandalosamente respondida a questão que se faz parodiando a Escritura: “mas algo de bom pode vir do STF?”, pelo jeito ao menos não algo tão ruim quanto o que vem da cabeça destes nossos “pastores” (as aspas aqui são propositais, pois eles se comportam como mercenários – para utilizar a linguagem de Nosso Senhor no Evangelho de São João –, mercenários que apenas querem o dinheiro do povo, enquanto dispersam as ovelhas à mercê dos lobos).

Os neopentecostais é que se aproveitarão muito bem da situação e promoverão seus cultos de curandeirismo e exorcismo, atirando os católicos na sua superstição, enquanto os padres bons-moços desertam da batalha, com o consolo de serem mui obedientes aos seus bispos e de viveram a “comunhão”.

A situação tem algo de paradigmático, mostra exatamente a essência desta nova religião humanista professada pelo novo clero, formado segunda a mentalidade da teologia moderna: não importa mais a vida espiritual, a oração e os sacramentos; a única coisa que importa é a vida natural, a saúde e os direitos humanos. O novo credo dessa religião não admite a transcendência de Deus e a salvação da nossa alma, quer apenas imanentizar a esperança cristã, ensinando o homem a ter bem-estar e justiça social. As celebrações litúrgicas e os sacramentos não são vistos por eles como um bem em si mesmo, mas apenas como um momento para doutrinar o povo segundo as suas ideologias.

Realmente, o mundo virou de ponta-cabeça. Nós podemos esperar mais fé de um ministro do supremo do que de um pastor de almas. Se mesmo durante uma epidemia, como o povo não pode contar com o amparo dos padres, não é de se admirar que encontre guarida nos braços de um pastor evangélico. O cenário de um Brasil católico se torna cada vez mais longinquamente pretérito; o que se vai desenhando é um triste panorama: o futuro do Brasil é a confusão e o protestantismo.

Título, Imagem e Texto: FratresInUnum.com, 5 de abril de 2021

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