segunda-feira, 26 de julho de 2021

Sententia mortis

FratresInUnum.com

A mão que balança o berço” é um filme de 1992, que conta a história de uma babá vingativa e psicopata que manipula uma mulher ingênua com a pretensão de roubar a sua família. No começo, Peyton, a babá, aparece como uma cuidadora perfeita, mas, aos poucos, o seu comportamento vai se mostrando estranho e, por fim, demoníaco.

O sucesso do filme se deve ao fato de que ele descreve condutas que vemos com certa frequência na realidade: pessoas maquiavélicas que disfarçam as suas más intenções através de palavras doces e bonitas, travestindo-as com os sentimentos mais cristãos e piedosos, mas que, no fundo, são predatórias, homicidas.

É esta a meiguice do art. 3 §5-6 de “Traditionis custodes”: o bispo, nas dioceses nas quais até agora existe a presença de um ou mais grupos que celebram segundo o Missal antecedente à reforma de 1970: proceda, nas paróquias pessoais canonicamente erigidas em benefício desses fiéis, a uma côngrua verificação em ordem à efetiva utilidade para o crescimento espiritual, e avalie se deve mantê-las ou não; terá cuidado de não autorizar a constituição de novos grupos”. 

Ou seja, de um lado, mostra gentilmente a preocupação com o benefício dos fiéis tradicionais e, de outro, chega já com a sentença de morte e de não reprodução: acabe-se com as paróquias pessoais e tome-se cuidado para que elas não se multipliquem, para que não haja novos grupos como esses.

Bergoglio quer aplicar aos fiéis tradicionalistas uma espécie de eutanásia eclesial. Não basta confiná-los num gueto excêntrico, marginalizá-los como fora da “lex orandi” (ação de todo absurda), violentar o Usus Antiquor para adaptá-lo ao rito moderno, violentar os próprios fiéis católicos para que se adequem à nova pastoral ativista e estéril, em suma, infernizá-los para que sejam tudo, menos tradicionais; é necessário também suprimir as suas paróquias e proibir qualquer reprodução. É preciso matá-los.

Isto é violento. Muito violento. Contudo, é mais violento quando acrescido pela violência psicológica de uma gentileza fingida. É macabro! É como alguém lhe enfiar um punhal com um olhar doce e um sorriso meigo: “é tudo para o seu benefício e para o seu crescimento espiritual”.

Como pode existir benefício com a completa supressão? Como pode haver crescimento com a proibição de crescer, de expandir-se, de multiplicar-se?

O texto do Motu Proprio é não apenas contraditório, pois propõe chegar a uma finalidade por meios inidôneos para tanto, mas também é cruel, desumano, maligno, incompatível com a caridade, assim como a eutanásia não pode ser adequada ao amor ao próximo, pois é a sua extinção, o seu completo cancelamento. Bergoglio o sabe e o faz de propósito. A maquinação por detrás dessas formulações textuais o deixa claro e não há como dissuadir-se disso.

Acontece que o desejo de eliminar completamente a oposição é típico dos revolucionários. Como eles se sentem investidos de um messianismo absoluto (não é por nada, mas ele escolheu como nome papal “Francisco”, São Francisco de Assis, “o último depois do único”) e portadores da nova era paradisíaca, sentem-se inteiramente justificados para querer a morte de todos os que pensam diferentemente deles, especialmente dos que são um impedimento para que se alcance aquele maravilhoso futuro de que se autodeclaram representantes. Em nome do paraíso de amanhã, que nunca chegará, não encontram inconvenientes em criar o inferno hoje. É assim que procederam todos os socialistas: mataram os seus opositores e, quando não o puderam fazer fisicamente, fizeram-no jurídica ou moralmente, pelo assassinato das suas reputações e pela impossibilidade de que eles tivessem em suas mãos algum meio de ação.

A eutanásia se apresenta como a mais humana das mortes, a mais gentil, a mais doce e até a mais caridosa. É matar por amor, para acabar com um sofrimento. Hitler também dizia que “devemos ser cruéis com a consciência limpa e destruir de maneira técnico-científica”. Aqui, de maneira canônica, com as luvas do direito para não sujar as mãos de sangue.

Por detrás da gentileza de uma babá, esconde-se a malignidade de uma assassina inescrupulosa; sob a máscara do bem e do cuidado, a sentença de morte, o “requiescat in pace” de quem quer desfazer-se o quanto antes do rival para apoderar-se mais rapidamente de toda a casa e simpaticamente dominar os seus moradores. 

Título e Texto: FratresInUnum.com, 26-7-2021

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