quarta-feira, 10 de novembro de 2021

As duas velocidades da liberdade na Europa

Telmo Azevedo Fernandes

Há 32 anos viveram-se dias de glória!

Os regimes comunistas e socialistas chegaram a 1989 putrefatos e o início da queda do muro de Berlim a 9 de novembro desse ano foi um momento histórico absolutamente inesquecível.

O muro foi construído nos anos 60 para tentar impedir e conter a fuga de cidadãos das sociedades de planeamento central para os países capitalistas. Mais de quatro milhões de pessoas escaparam à tirania.

No fundo estas pessoas concretas pouco ou nada se importavam com a retórica ideológica do socialismo versus capitalismo. Apenas reagiram a factos e procuraram reconquistar aquilo que de mais humano existe: serem senhores das suas próprias vidas e responsáveis pelas suas próprias escolhas. Não quiseram ficar dependentes nem subjugados a ordens do Estado sobre o que podiam fazer, ver, ouvir, ler, comer, vestir, comprar, que amizades poderiam cultivar, para onde poderiam viajar. Enfim, rejeitaram uma vida estúpida e sem sentido.

Mas se após longas e traumáticas décadas de opressão a queda do comunismo trouxe finalmente ao antigo bloco oriental a possibilidade de desfrutar do nascimento da liberdade e da democracia, na Europa Ocidental, apesar de vivermos hoje muito melhor em inúmeros aspectos da nossa vida, a verdade é que as nossas liberdades têm vindo a ser paulatinamente cerceadas e estamos – três décadas depois – quase que entregues a outros coletivismos e dirigismos, dominados por uma nova Esquerda progressista que controla as universidades, os media e todos os principais partidos políticos.

Hoje, no Ocidente, a liberdade de expressão é mais limitada e a dissidência política mais mal tolerada. Há repressão contra opiniões desalinhadas, controlo de linguagem e imposição de vocabulário politicamente correto. A democracia deu lugar ao ativismo e à política de causas.

A pretexto da covid19 e tolhidos pelo medo conferimos aos políticos a possibilidade de limitar fortemente a nossa liberdade de circulação, outorgamos confinamentos de pessoas saudáveis, deixamos que nos proibissem de trabalhar, toleramos que fechassem escolas, permitimos que nos impedissem de ver familiares, anuímos a que nos obrigassem a ser vacinados, autorizamos a segregação de pessoas, consentimos passaportes sanitários, admitimos todos os atropelos à legalidade e ao estado de direito.

Com a histeria apocalíptica a pretexto das alterações climáticas, santificamos uma adolescente desequilibrada alvo de abusos e aproveitamentos políticos, demos espaço a que a flatulência das vacas alterasse os menus das cantinas escolares, estamos disponíveis para sacrificar a vida de milhões de seres humanos para sinalizar a suposta virtude ambiental de uma classe urbana abastada que vive em círculo fechado.

Também a ideia original de integração amigável da Europa baseada na cooperação voluntária e na eliminação de barreiras entre os países foi hoje de tal modo substituída pela unificação, centralização e erosão democrática que a nomenclatura da União Europeia não se coíbe de tentar punir e humilhar o Reino Unido pelo Brexit, nesta tentativa dos britânicos em recuperar alguma da sua soberania perdida.

Assim como a União Europeia faz ameaças infames e aplica multas ultrajantes à Polónia pelo facto de o regular funcionamento das instituições democráticas e judiciais daquele país ter interpretações menos convenientes ao poder central de Bruxelas. A Polónia, veja-se lá, povo martirizado pelos desmandos comunistas e que nos deu lições heroicas de resistência através do Solidariedade de Lech Walesa ou de impulso à liberdade pelo Papa João Paulo II…

Hoje, no Ocidente, caminhamos para uma vida de servidão. Vale a pena por isso recordar algumas imagens de quem sofreu as consequências dos poderes alargados da máquina do Estado, mas que em novembro de 1989 decidiu voltar a ser livre. A partir do minuto 4:50 deste vídeo:

Título, Texto e Vídeo: Telmo Azevedo Fernandes, Blasfémias, 10-11-2021

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