sexta-feira, 19 de novembro de 2021

[Aparecido rasga o verbo] Por quê?!

Aparecido Raimundo de Souza  

EU QUERIA SABER
o por que, de tantas coisas, e mais que saber, queria conseguir entender, e, sobretudo, assimilar, perceber, compreender. Compreender, no sentido amplo de enlaçar, circundar, alcançar, ultrapassar aquela luminosidade forte e brilhante, densa e pesada, profunda e complexa, que clareia todo meu ‘eu’ interior.

Mas, a mim me parece que, apesar de estar tudo desabrochado e ostensivamente manifesto, me pego amarrado. Digo tal coisa, porque sempre que procuro por respostas, cada vez que me empenho com certo acirramento em buscar o ‘xis’, desvendar o segredo, me deparar com a confidência do mistério, o enigma que me cerca e me rodeia, por todos os lados, não sei bem explicar qual a razão... desfalece.

Por assim, observo que alguma coisa mais forte que a minha intenção, me tolhe os movimentos, me embaralha as ideias, numa espécie de ebulição inquietante, ao tempo em que me obsta e acorrenta a vontade de seguir adiante. É como se algo incomensurável me podasse, me desviasse, me afastasse e me restringisse da rota programada.

Apesar dos empecilhos que me sufocam e me tiram o ar, eu queria saber o por que de tantas coisas...
Por que ser concebido, por que receber o ar benfazejo, por que esperar nove meses e nascer, se um dia nós vamos morrer? Por que viver, durar tantos e tantos anos, permanecer por aqui, se no decorrer, nós vamos sofrer?

Afora isto, bem sei, chegará o tempo, em que a esperança irá embora... como, igualmente, algum tempo depois, a nossa Fé se extinguirá e se esgotará completamente. E eu, na minha incerteza medonha e grandiosa, me questiono: e agora? Por que falar, falar, falar se não vai valer de nada, absolutamente de nada? Por que me posicionar, se ninguém vai me enxergar?

Sou tão pequeno, tão comum, tão limitado e sem horizontes, que sequer serei notado, visto, encontrado, achado ou conhecido...
Desesperado, sem saber o que fazer, ou como agir, olho para o céu e tento falar com Deus. ‘Pai, por que me colocas em um lugar onde as pessoas só querem me pisotear, me alcachinar, me arrasar?

Por que me deixas ao léu, para ser esmagado, enfraquecido, aniquilado e humilhado? Por que me provas e me martiriza, me afliges, me molesta e me oprime?...’
‘Senhor, por que me consternas e me angustia, se muitas vezes, não consigo suportar o peso do sofrimento; aguentar o desalento da depressão?

Por que me vejo fraco, sem eira nem beira, por que não encontro forças suficientes para me livrar do peso que me sufoca? Eu queria saber o por que, de tantas coisas, e mais, queria saber, queria conseguir entender e, sobretudo, assimilar, perceber, compreender...’

Meu Pai, meu Deus, por que? Por que? Por que?!

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza. de Aracruz, no Espírito Santo ES. 19-11-2021

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