sexta-feira, 12 de novembro de 2021

[Aparecido rasga o verbo] Galho dourado em ramagem verde

Aparecido Raimundo de Souza

O DIABO LIGOU
aqui em casa. Não sei como descobriu o meu telefone. O mais estranho é que o número de minha casa não consta na lista. Quando fiz o pedido à Companhia, deixei claro que não queria meu nome, nem meu número residencial figurando em nenhum catálogo de assinantes, posto que não gosto de ser importunado por estranhos. Já chegam às pessoas inconvenientes que ligam a toda hora perguntando se é do sindicato, da farmácia, do açougue...

Outro dia atendi ao aparelho umas seis vezes. Um cara chato, procurava insistentemente por uma tal de Aline. Educadamente respondi que naquele telefone não havia ninguém com o nome de Aline. Mas o engraçadinho não se deu por satisfeito. Voltou a ligar até que perdi as estribeiras e o mandei para os quintos do inferno. Obtive sucesso. 

Todavia, minha satisfação não durou muito tempo. Estava lendo os jornais, confortavelmente recostado no sofá da sala, pensando até em tirar um ronquinho quando o aparelho, de repente danou a tocar.
— Alô?
— Boa tarde. Gostaria de falar com seu Roboão.
— É ele.
— Roboão, quanto tempo. Estou atrás de você não é de hoje!
— Quem fala?
— Sou eu, o Diabo.
— Amigo, você escolheu uma hora bem imprópria para me torrar a paciência.
— Falo sério. Sou o Diabo em carne e osso. Você não me chamou?
— Está bem, já que você quer brincar, vamos lá: o que deseja?
— Bem, em primeiro lugar, como já disse, você me chama a toda hora. Inda a pouco me mandou um cara nojento que chegou chorando procurando por uma tal de Aline. O que realmente quer comigo? Independentemente de ter me chamado, quero lhe dizer uma coisa: desejo comprar a sua alma. Quanto quer por ela?

— Não está à venda.
— Insisto. Quanto quer?
— O que você oferece?
— O fogo eterno. Muito rebuliço, churrasco a dar com pau, mulheres bonitas e fogosas. Vinho, champanhe, cigarros...
— Não fumo.
— Mas bebe.
— Socialmente. Aprecio uma cervejinha gelada.
— Pois é: terá à sua disposição quantas latinhas conseguir tomar. Em troca...
— ...Cidadão, faça um favor: vai morder seu pai na bunda.
— Ele não irá gostar muito desta idéia. Com certeza pedirá a seu filho que me coloque imediatamente no meio da rua.

— Que filho?
— Jesus Cristo, ora...
— Você tem mãe, companheiro?
— Não que eu saiba.
— Até logo. Tenho mais o que fazer. Passe bem...
— Espere, espere. Por favor, não desligue. Olha, vou provar a você que sou realmente o Diabo. Sei que não está acreditando em nenhuma palavra, mas pode levar fé: falo a verdade. Sugiro que façamos um teste simples. Pense em um número. Pense, mas não me fale.
— OK. Está bem. Vou entrar na sua. Pensei.
— Trinta e três. Você pensou no trinta e três. Acertei?


— Pura sorte...
— Vamos tentar novamente: mentalize o nome de uma mulher. Qualquer sirigaita que lhe venha à cabeça.
— Pronto.
— Maria.
— Não sei como consegue fazer este tipo de brincadeira, mas agora chega. Vou voltar à...
— Ler o seu jornal? Depois tirar um bom cochilo?
— Como sabe?
— Sou o Diabo, esqueceu? E repito: você a toda hora me chama.
— Para um diabo até que você é bem moderninho. Fala ao telefone, faz adivinhações. Que mais?

— Veja bem Roboão: tenho que acompanhar a evolução. Cansei de viver com um tridente nas mãos espetando o traseiro das pessoas. Troquei o enxofre por champanhe. O fogo do purgatório, agora, não é mais movido à lenha. Botei o caldeirão das almas penadas para aquecer no gás...
Risos.
— É mais rápido. Não precisa ficar assoprando feito um imbecil ou abanando para que o fogo pegue embalo...
— Isso mesmo. Acabou de tirar as palavras da minha boca. Pelo jeito, percebo que o companheiro sabe algumas coisinhas a meu respeito.
— Pelo menos o básico. É o meu dever.

Na verdade gostaria imensamente de descobrir de onde está falando. Juro que iria pessoalmente até ai e quebraria a sua cara na porrada.
— As portas por aqui estão sempre abertas. Pode escolher o dia e a hora que pretende vir. Farei as honras pessoalmente.
— Não acredito que esteja aqui perdendo meu tempo e ainda por cima falando com um maluco...
— Maluco não: o Diabo.
— Está bem. Vamos supor que você seja realmente o diabo, o capeta, o Lucifer, o coisa ruim...
— Tenho mil outros apelidos. Contudo, o que mais aprecio é o de Príncipe das trevas. Acho que em alguma outra encarnação devo ter sido alguém muito especial. Penso, inclusive, que fui um rei desses que os escritores mencionam em historinhas infantis. Creio mesmo tenha morado em castelos encantados e...

—... Por ser o demônio pisoteava os súditos e bolinava as virgens...
— Acertou em cheio, Roboão. Na mosca. Em face desta minha fraquesa, me afastaram do lar celestial, da bem-aventurança. Em parte, até que não foi de tudo tão ruim assim. Procuro ver sempre as coisas por outro foco. Vou lhe dar um exemplo: se não tivesse deixado o paraíso, hoje não teria um reinado só meu. Lá mando e desmando. Dou as ordens. Sou o chefe, o maioral, o senhor do pedaço. Mas você dizia que se realmente eu fosse o coisa ruim... vá em frente...
— Ah!...
— Continue...
— Se você fosse realmente o anjo negro gostaria que realizasse alguns desejos meus.

— Qual deles? Sei todos. Quer que os enumere?
— Fique a vontade. Afinal de contas, você ligou para minha casa. Quem está pagando os impulsos é o dinheiro que sairá do seu bolso. Fale o quanto quiser.
— Não é à atoa que você tem esse nome.
— O que tem o meu nome a ver com a nossa conversa?
— Tudo. Tudo e muito.
— Explique.
— Você sabe por que a sua mãe lhe deu esse nome de batismo?
— Não. Ela nunca me falou. Também nunca tive interesse em perguntar.
— Vou dizer: Roboão era parente de Salomão.

— Que Salomão?
— O rei. Pela caldeira das minhas profundas, cara. Isso está nas Escrituras. Não é possível que nunca tenha lido a respeito.
— Que parentesco havia entre este tal Salomão e Roboão?
— Roboão era filho de Salomão.
— De onde você tirou tamanha idiotice?
— Não é idiotice. Está na Bíblia. Vá em 1Reis 11:43 e veja que não estou mentindo. Quando Salomão morreu, Roboão reinou em seu lugar. Depois resolveu ir para Siquém...
— Olha, confesso que nunca vi um diabo tão bem informado. Estou admirado, perplexo, atônito, de queixo caído.
— Pois bem. Sua mãe lhe deu esse nome porque é uma crente fervorosa. Vive grudada na igreja, pertence ao coral das senhoras, canta maravilhosamente.

— Que mais?
— Participa da ceia, faz jejum, comunga com a comunidade, não perde a vigília. Ora constantemente. Passa metade da sua vida com os joelhos no chão. Leva o troço à sério, ao contrário de você, que é um perfeito ateu.
— Não sou ateu.
— Claro que é. É tão ateu, mas tão ateu que chega a ser tão sem razão, que não acredita nem no velho diabo quando liga para a sua casa e bate um papo sério pelo telefone. Meu Deus, onde pensa que vai parar agindo desta forma?
— Cara, você é chato. Mais que chato: pegajoso, nojento, asqueroso, um verme... me lembra o Wilton.

— Quem, Roboão?
— Esquece, cara.
— Roboão, meu velho, você não viu nada. Sou intragável, viro o chifrudo e quando dano a comer mariola... ou chupar manga, me transformo no cão.
— Ué, você não é o dito cujo? Se é o próprio, precisa virar?
— Maneira de dizer, Roboão. Voltando aos seus desejos. Qual gostaria de ver realizado?
— Você não disse que sabe de todos?
— Disse e provo.
— Então?
— Bem. Você adora andar de avião. Toda vez que embarca num asa de ferro reza para que o bicho não despenque lá do alto. De ônibus, em viagens longas, a mesma via crucis se repete. Antes de sair da rodoviária você se tranca no banheiro e se benze. Teme que um acidente, na estrada, o leve direto para o beleléu.

— Continue...
— Gosta de variar de mulheres. Já teve umas trinta. Em sessenta e oito anos passou por vários casamentos e arranjou seis filhos. Adora desfilar com garotas novas. Mão aberta, não há outro igual. Se tivesse dinheiro enfiava tudo no ralo para satisfazer seus desejos mais bestiais.
— Deixa lhe falar uma coisa: não sei quem é e de que buraco imundo saiu para vir atazanar meu sossego. Ou melhor, acho que sei: você é amigo de algum conhecido meu que sabe tudo da minha vida e ligou para tirar um “sarro” com a minha cara. Talvez seja até vizinho daqui de perto, claro, com a voz alterada, passando trote. Não vou cair na sua. Seu número está no meu bina. Vou ligar para a policia e...

— Roboão, Roboão, me escuta. Você não tem bina porcaria nenhuma. Se tivesse, teria desligado o telefone e em seguida ligado para mim, de volta, nem que fosse para me mandar às favas, ou à merda. Outro detalhe importante: se você estivesse com meu número gravado, não teria dito, “ainda a pouco, que se soubesse onde estou viria até mim pessoalmente e me quebraria a cara na porrada’.
— Agi desta forma para esticar o papo e tentar descobrir quem é você.
— Já lhe disse quem sou. Falei até dos seus desejos.
— Qual o quê. Até agora só falou da minha vida pessoal.
— Roboão, na sua vida pessoal estão embutidos seus desejos mais prementes. Todos eles.
— Não entendi. Seja mais claro.

— Desde o instante em que se levanta até a hora de voltar para a cama, você sonha com esses desejos que não lhe dão um minuto de folga. Desde o ir para o trabalho até o regressar, à noite, com vida, sem ser assaltado, sem ser surpreendido por uma batida no trânsito, sem topar com uma bala perdida. Tudo isso, meu caro, são desejos que você acalenta vinte e quatro horas sem parar. Quer mais? Você não gosta de ser importunado quando está escrevendo, gosta de ler bons livros, gosta de...
— Chega. Vá para o inferno.
— Acabei de sair dele...

— Quer saber? Estou de saco cheio de ouvir a sua voz, de escutar as suas observações. Vou desligar.
— Não, você não vai desligar. Está curioso.
— Eu, curioso?
— Sim, meu caro. Além de curioso, intrigado, e boquiaberto. Aposto sua alma como daria a vida para descobrir como cheguei até o número do seu telefone. Vamos, confesse. Está ou não está se mordendo de curioso?
— Não, não estou. E quer saber mais? Não estou nem aí para você. Vá se lixar...
— Se você está mandando...
— Me deixa em paz.
— Vai me vender ou não a sua alma? Ultima chance.

— Meu Deus, acho que joguei sal na cruz para merecer uma desgraça dessa falando o tempo todo um monte de abobrinha em meu ouvido. Ou cuspi na imagem da Virgem. Droga!
— Preste atenção: procure ver por outra ótica. Venda a sua alma agora e lhe deixo em paz. Em troca, terá tudo o que deseja. Tudo. Da coisa mais simples a mais sofisticada.
— Palhaço, safado, imbecil, maldito, até onde quer chegar?
— A um consenso. Não quero é que fique irritado. De coração. Mantenha a calma. Respire fundo. Pense comigo: quanto quer na sua alma? Ponha preço. Cubro qualquer oferta. Pago no cacau. Nada de cheque, promissória ou ordem de pagamento. Roboão, é dinheiro à vista, uma em cima da outra. Vamos, homem, decida.

— Tudo bem. Você não vai conseguir me tirar à bosta da cabeça do sério. Farei seu jogo. Por onde começamos?
— Pelo preço que você quer por sua alma.
— Se não me engano você ficou de fazer uma proposta e até agora, nada de pitibiriba.
— Desde que liguei não faço outra coisa a não ser provar que sou o diabo. Você é um cabeça dura. Não quer acreditar, nem ceder. Não seria mais fácil se me dissesse o preço? Já teríamos terminado com essa ladainha.
— Desista, meu amigo
— Nem pensar.
— Vai perder seu tempo.
— Tenho todo o tempo do mundo. Lembre-se: atazanei o Filho do Homem por quarenta dias no deserto.

— E se deu mal. Bem feito para você.
— Aquela criatura é dura na queda.
— Também sou.
— Não desisto fácil. Diga o que quer. Dinheiro à rodo, fama, sucesso permanente, carros importados, avião particular, passaporte para conhecer o mundo de ponta a ponta, as melhores mulheres. Por falar em mulheres num estalar de dedos faço chegar aí na sua sala meia dúzia de ninfetas de virar defunto na sepultura.
— Nada disso preenche meus vazios. Quero sair de casa e topar com o elevador me esperando sem precisar apertar o botãozinho. Chegar no ponto e a minha condução de ir para o serviço pintar de primeira. Entrar no banco para depositar o dinheiro do patrão e não ficar uma hora e meia mofando na fila.

— Prossiga...
— Ao tomar um buzu para voltar para casa, no fim do expediente, encontrar um lugarzinho vago para descansar o corpo cansado. Levar a mão no bolso e sentir o peso de alguns trocados para comer uma pizza ou um pãozinho de queijo com refrigerante bem gelado. Ter condições de ir visitar minhas filhas e poder dar a elas tudo o que me pedirem. Poder pagar um plano de saúde, escola, comprar roupas, manter em dia meu aluguel, a geladeira farta, o gás para cozinhar uma panela de arroz ou fritar um bife...
— Você pensa pequeno. Não almeja dar passos maiores? Que tal o luxo, a soberba, o planeta inteiro aos seus pés, e claro, essas besteirinhas que você acabou de mencionar: elevador a disposição, dinheiro da pizza, refrigerante e outros blá-blá- blás... vão de lambuja. Pela alma: quanto?

— Conhece aquele ditado: “O pouco com Deus é muito”?
— Conversa para boi dormir.
— Desliga, cara. Tenho mais o que fazer. Procure algo para ocupar seu dia. Vá ao cinema, arranje uma namorada, compre um bom livro, ponha um CD da Marília Mendonça para tocar. Faça qualquer coisa, mas me esqueça.
— Robeão, vamos fazer o seguinte: vou dar um tempo. Deixarei você na geladeira por um espaço bem folgado. Até lá, pense. Medite. Raciocine friamente. Não faça besteira. Nem entregue a sua alma ao primeiro fariseu que bater a sua porta vendendo salvação. Espere por mim. Eu sou a sua salvação. Aguarde, pois, pacientemente minha volta. Vendendo sua alma para mim, as suas preocupações e seus dissabores cessarão imediatamente.

O diabo fez uma breve pausa.
— Você verá o que é viver bem, o que é estar tranquilo e em paz consigo mesmo, com seus amigos, com seus familiares, enfim, você será um novo homem. Vou desligar. Da próxima vez que falarmos, quero a sua resposta definitiva. Nada de meios termos, nada de lenga-lengas. Para provar que realmente sou o diabo, dois fatos marcantes acontecerão antes do relógio marcar as seis horas da tarde de hoje. Até.
— Alô, alô, espera aí, cara, que fatos são esses? Filho de uma boa mãe. Desligou na minha cara.
Olhei para o relógio do mostrador do vídeo. Quase duas da tarde. O melhor que tenho a fazer é tirar uma boa soneca. Diabo. Diabo é a vaca da mãe dele. Querendo me fazer de besta.

Caí na cama e ferrei no sono. Acordei com fortes batidas na porta da sala. É o meu vizinho, correndo pelo corredor, feito um louco. O prédio está pegando fogo lá no décimo segundo andar. Olho, sobressaltado, pela janela. Embaixo, carros de bombeiro estão estacionados ao longo da rua. Ao redor, por toda a calçada, uma multidão de pessoas espia, aflita, para o alto. Uma fumaça preta chega até meus olhos. Visto uma camisa, boto uma calça, pego alguns documentos, a carteira de dinheiro, saio com o tênis sem amarrar e como tantos outros deixo correndo o apartamento. Cinco horas da tarde. Na rua, a salvo, avisto Camila, minha filha tentando abrir caminho no meio da massa humana.

— Pai, pai, ainda bem que você está aqui. São e salvo. Ia subir no nosso apê de qualquer forma para ir ao seu encontro. Saí correndo do hospital logo que tomei conhecimento do incêndio. A televisão está mostrando de cinco em cinco minutos.
— O pior já passou. O fogo está controlado. Espere ai: você disse que está vindo do hospital? Que foi fazer no hospital?
— Está preparado? Você não imagina o que aconteceu.
— Fale de uma vez. O que aconteceu?
— A Fernanda foi atropelada por um motoqueiro e neste momento está no CTI, ou UTI, sei lá.
Fernanda é minha companheira. Moramos juntos há três anos.
— Para qual hospital a levaram?
— Das Clínicas.

Sem perder um segundo eu e minha filha alcançamos a avenida transversal. Faço sinal para um taxi. Ela grita o endereço para o motorista. O sujeito sai à toda.
Quinze minutos depois estou com o médico que atendeu a Fernanda.
— E aí, doutor, como ela está?
— Acho melhor que o senhor se sente.
— Doutor. O que houve? Fale, pelo amor de Deus?
— O que a Fernanda é sua?
— Esposa.
— Paulinha — grita o médido. Pede a uma funcionária da recepção um copo de água e o traz para mim.
— Não quero beber nada. Doutor, por favor, não sou nenhuma criança.

— Sinto muito.
— Sente muito o quê? O que houve, doutor?
— Ela faleceu... digo, a sua esposa, dona Fernanda, veio a óbito assim que deu entrada nesta unidade. Fizemos o impossível, mas infelizmente dona Fernanda não resistiu.
— Não, não, não, não, nãoooooooooooooooooooooooooooooooo...
Meus olhos nesse momento, cruzaram com um relógio pendurado na parede. Os ponteiros marcavam, cravados, cinco horas e cinquenta e nove minutos.

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de São Paulo, Capital. 12-11-2021

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