terça-feira, 9 de março de 2021

Por que tamanha obsessão CONTRA a cloroquina e outros medicamentos baratos? (Não só na França)

BIG PHARMA, LE MONDE DES CONFLITS D’INTERÊTS



Eugène Krampon

O fogo permanente da crítica midiática, política, “científica” contra o professor Didier Raoult e o seu protocolo médico mostra o quanto é perigoso de perturbar e de questionar a imagem e os interesses financeiros do lobby farmacêutico mundial.

Um relatório de 2016 preparado pela Câmara dos Comuns inglesa sobre a indústria farmacêutica afirmava: “As grandes empresas estão cada vez mais focalizadas no marketing, mais do que na pesquisa, e exercem uma influência invasiva e persistente, não somente sobre a medicina e a pesquisa, mas sobre os pacientes, a mídia, as administrações, as agências reguladoras e políticos.

A indústria farmacêutica determina não somente o que é para pesquisar, mas como pesquisar e, sobretudo, como os resultados serão interpretados e publicados. A indústria está fora de controle. Seus tentáculos se infiltram em todos os níveis. É necessário impor-lhe grandes transformações.”

Um outro relatório de 2008 (já…) emanado da Assembleia Geral das Nações Unidas tinha uma tonalidade similar: “As grandes empresas deveriam assumir suas responsabilidades perante a saúde pública e não somente perante os seus acionistas, o que não é o caso atualmente, particularmente no que concerne às suas políticas de pesquisa-desenvolvimento, e à implantação de políticas anticorrupção e anti-lobbying e ética dos testes clínicos.”

O tema COVID-19 não ilustra literalmente estas afirmações?

A CAUSA RAIZ

O professor Raoult não é um iluminado, cujo cérebro teria sido atacado pelo sol e pelo pastis marselheses. Como escreveu Mediapart, desta feita bem inspirado, é “um gigante da pesquisa em infectologia, ele e as suas equipes acumulam recordes mundiais”. Seu único erro? Ter sido o primeiro a fazer testes de despistagem em massa e, sobretudo, a tratar os doentes da Covid, desde o início da infecção, com a hidroxicloroquina (4,34 € o pacote) e a azitromicina (um antibiótico vendido a 7,37 € a caixa), velhas moléculas, baratas, que não rendem nada à indústria farmacêutica que procura uma nova molécula, forçosamente onerosa para os pacientes, mas muito suscetível de render milhões.

Uma estratégia oposta à do professor Raoult que quis, antes de tudo, tratar rápida e eficazmente os doentes, sem esperar um remédio miraculoso, reutilizando um medicamento já disponível, de posologia conhecida e efeitos secundários mínimos.

O que lhe valeu numerosas críticas e algumas ameaças de morte, a mais séria veio do Serviço de Infectologia do Hospital Universitário de Nantes, dirigido por François Raffi, campeão todas as categorias dos beneficiários do maná da Big Pharma com 541 729 €, sendo 52 812 € pagos pelo laboratório Gilead Sciences, que conseguiu comercializar o Remdesivir (um antibiótico inicialmente desenvolvido contra o vírus Ebola), graças a uma autorização da União Europeia de julho de 2020, antes mesmo de qualquer estudo demonstrativo da eficácia, cujos testes preliminares foram interrompidos porque uma grande proporção de doentes desenvolveu importantes efeitos secundários, como graves insuficiências renais.

Só que, se o protocolo Raoult custa, mais ou menos, 12 €, o tratamento com Remdesivir custa 2083 €… Taí a causa raiz do problema.

A CARGA SOBRE RAOULT! 

Desde que o professor Raoult entrou em cena, vimos levantar-se uma míriade de médicos, cientistas, amplificados pela imprensa, querendo nos convencer do charlatanismo do “druida da Canebière” (rua de  Marselha, foto abaixo).

Encabeçando estes atiradores, o famoso Conselho Científico nomeado em 17 de março último para esclarecer as autoridades quanto à gestão da crise. Dos seus dez membros, oito são ligados a conflitos de interesses provados com a indústria farmacêutica! Eles não são os únicos, pois que nos palcos televisivos pululam também muitos médicos que, antes de tomar a palavra, deviam ter a honestidade de nos dizer para quem trabalham.

Vamos citar alguns dos mais emblemáticos:

  • Christian Chidiac (Alto Conselho de Saúde Pública) recebeu 16 563 € de Gilead Sciences, mas também somas importantes dos laboratórios Pfizer, MSD, Novex Pharma, ViiV Healthcare, AbbVie, Eumedica.
  • Bruno Hoen, diretor de pesquisas do Instituto Pasteur, teve assento no conselho de administração de Gilead, remunerado com 52 000 €.
  • A papisa dos palcos televisivos, Karine Lacombe, chefe do serviço de doenças infecciosas do Hospital Saint-Antoine, em Paris, recebeu 212 209 € dos laboratórios (sendo 28 412 de Gilead).
  • Jean-Michel Molina, professor no hospital Saint Louis, recebeu 184 994 € de Big Pharma (sendo 26 950 de Gilead e 22 864 de AbbVie).
  • O midiático Yazdan Yazdanpanah [foto] (que juntamente com Jean-François Delfraissy constitui o estado-maior do Conselho científico do Palácio do Eliseu) é diretor de Reacting, um consórcio científico proveniente do INSERM (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica) que pilota vinte projetos prioritários, Discovery, por exemplo, embolsou desde 2012 133 695 € da parte de AbbVie (que comercializa o Kaletra, vendido a 433,72 €) e de Gilead (onde ele participa do Conselho de administração).
  • Bruno Lina, virologista no Hospital Universitário de Lyon, membro do Conselho científico do Eliseu, é estreitamente ligado à Sanofi que se posicionou sobre a vacina anti-covid, mas também à Seegene que tomou posição sobre os testes de despistagem.
  • Jean-Philippe Spano, chefe do serviço de oncologia do hospital Pitié Salpêtrière, está ligado financeiramente à Gilead e ao laboratório Roche.

ESTRANHOS ACIONISTAS

Olhando mais de perto, descobre-se que estes grandes laboratórios farmacêuticos (Gilead, AbbVie, Sanofi, Novartis, Pfizer, Merck, Roche, Johnson & Johnson) têm entre os seus acionários o gestor de ativos BlackRock que, com Vanguard, é das maiores sociedades de gestão de ativos do mundo, controlada por Larry Fink.

BlackRock está também no capital da Apple, Microsoft, Facebook, McDonald’s, Siemens…  e cuja participação é de mais de 5% do valor do CAC40! (CAC 40, cujo nome deriva da expressão Cotation Assistée en Continu, é um índice bolsista que reúne as 40 maiores empresas cotadas em França.).

É associada à Altice, a casa-mãe de BFM TV, que passa os dias batendo no professor Raoult. Compreendemos bem por quê…

Texto: Eugène Krampon, Réfléchir & Agir, nº 8, Hiver 2021
Tradução: JP, 9-3-2021


Mais informação:
EurosForDocs, une base de données d’utilité publique

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