quinta-feira, 24 de junho de 2021

[Viagens & Destinos] Olivença pertence a Portugal, mas fica na Espanha

Foto: Luís Torres

Olivença (em castelhano: Olivenza) é uma cidade sede do município de Olivença da zona raiana, cuja demarcação é objeto de litígio entre Portugal e Espanha. Reivindicada de jure por Portugal, esta integra atualmente a comunidade autónoma espanhola da Estremadura e a província de Badajoz. Tem 430,1 km² de área e em 2019 tinha 11 963 habitantes.

Apesar do desentendimento entre Portugal e Espanha sobre a Questão de Olivença, o tema não tem provocado atrito nas relações entre os dois países ibéricos.

Tratado de Alcanizes, de 1297, estabelecia Olivença como parte de Portugal. Em 1801, através do Tratado de Badajoz, denunciado em 1808 por Portugal, o território foi anexado à Espanha. Em 1817 a Espanha reconheceu a soberania portuguesa subscrevendo o Congresso de Viena de 1815, comprometendo-se à retrocessão do território o mais prontamente possível. Porém, até aos dias de hoje, tal ainda não aconteceu.

Assim continuam por colocar os marcos delimitadores de fronteira entre a confluência do rio Caia com o rio Guadiana e a confluência da ribeira de Cuncos com o rio Guadiana com a numeração de 802 a 899 correspondentes ao território de Olivença.

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O município de Olivença tem 430 km², está situado na margem esquerda do rio Guadiana e tem uma forma aproximadamente triangular, com dois dos seus vértices no Guadiana. A cidade de Olivença dista 23 km de Elvas, 24 km de Badajoz, 236 km de Lisboa e 424 km de Madrid.

A ligação a Elvas e ao restante território português é feita por uma ponte sobre o Guadiana construída em 2000 ao lado das ruínas da Ponte da Ajuda.

Foto: Luís Torres

O município de Olivença inclui hoje duas vilas e quatro aldeias: S. Francisco e S. Rafael (vilas); e Vila Real, São Domingos de Gusmão, São Bento da Contenda e São Jorge da Lor (aldeias). Nossa Senhora da Assunção da Talega ou Táliga, outra povoação do antigo território de Olivença, é um município separado desde 1850. Pelo contrário, a aldeia de Vila Real, hoje parte de Olivença, era freguesia do concelho de Juromenha, atualmente integrado no concelho do Alandroal. 

português oliventino (também conhecido como português de Olivença) é a variedade dialetal da língua portuguesa própria das povoações de Olivença, Talega e das aldeias contíguas.

Atualmente o português em Olivença e em Talega não goza de reconhecimento por parte da Espanha, que administra o dito território desde a Guerra das Laranjas. Portugal, contudo, não reconhece a soberania espanhola sobre a região e afirma que esses territórios lhe pertencem. Já não se fala em Talega.

Fruto dos dois séculos de administração espanhola e isolamento do resto de Portugal, o português oliventino é agora uma fala moribunda; os jovens já não o falam, restando apenas alguns idosos. O português deixou de ser a língua da população a partir da década de 1940, processo acelerado pela política de castelhanização implementada pela Espanha franquista.

É claro, óbvio ululante, que o Estado Português é pragmático sobre esta questão da pertença de Olivença, isto é, não vai, jamais irá, ‘inventar’ um confronto com a Espanha por causa deste aprazível e histórico pedacinho de terra (não sei porquê, me lembrei da Argentina e as Malvinas, em 1982). Além do mais, deixa eu dizer (escrever) uma coisa: com a posse/integração plena e irrestrita por Portugal, quem irá visitar Olivença? É…

Atualmente, junho de 2021, as placas das ruas informam o nome atual da rua em castelhano, e em baixo o antigo nome em português.

E sobre o português oliventino, observei, como dizer? uma ofensiva cultural em prol do mesmo. Nas vitrines das lojas e em outros locais, placas informam a palavra em português oliventino, em destaque, e em castelhano e português. Veja como se diz presunto (presunto cru) em oliventino:


Texto: Wikipédia e JP, 24-06-2021
Fotos: JP

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Um comentário:

  1. Curiosamente, na última edição bimestral da revista “Conflits”, na matéria “Litígios que têm a vida difícil” eis que se lê:
    Litígios menores, mas bem reais
    (…)
    Mais pacífica, mas bem real, a questão da pequena cidade de Olivença, anexada pela Espanha em 1801, que Lisboa não reconhece a soberania espanhola, invocando o artigo IV do tratado de Cadix de 1810 e o artigo 105 do tratado de Viena de 1815.
    Do seu lado, Madrid invoca o tratado de Badajoz que fixa o rio Guadiana como fronteira entre os dois países ibéricos.
    (…)

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