quarta-feira, 14 de abril de 2021

O buraco falou

Telmo Azevedo Fernandes

Já sei que me vão dizer “ai tu ainda o ouves?!”, “não tens nada mais interessante para fazer?” e uma série de expressões semelhantes…

Mas sim, assisti à comunicação ao país de hoje do presidente da república a propósito da 15ª renovação do estado de “indigência”.

E daquilo que também acompanhei da entrevista de Sócrates na TVI, considero que este último teve um discurso intelectualmente mais honesto do que Marcelo. É para verem ao que chegamos!…

Marcelo comparou propositadamente a covid-19 com a gripe espanhola de 1918. E fê-lo de uma forma vil e nojenta, com o propósito de enganar os portugueses, mantê-los assustados e dispostos a acatar ordens imbecis dos políticos.

Não há outra forma de dizer: Marcelo mentiu materialmente.

Em 1918 Portugal tinha 6 milhões de habitantes. Estima-se que tenha morrido de Pneumónica cerca de 2% da população. Acresce que mortalidade por gripe espanhola atingiu sobretudo as idades entre os 15 e os 40 anos. Os óbitos presumidos por pneumónica entre 1917 e 1919 são de mais de 135.000 (em 6 milhões de pessoas).

Com a Covid19, até hoje, óbitos acumulados com PCR positivo são menos de 17.000, para uma população de 10 milhões. Acresce, como se sabe, que a esmagadora maioria das mortes foi de pessoas com mais de 70 anos, e grande parte destes em idade que ultrapassava já a esperança média de vida à nascença em Portugal.

A sorte de Marcelo é que já não está entre nós a gente que viveu durante a gripe espanhola e os sobreviventes da Guerra Colonial – também mencionada em termos comparativos pelo ocupante do palácio de Belém – já são demasiado velhotes. Caso contrário, as infâmias regurgitadas pelo homem da vichyssoise não ficariam sem uma resposta de uns e de outros, na primeira oportunidade que encontrassem Marcelo a mudar de cuecas nas praias da linha de Cascais.

Título e Texto: Telmo Azevedo Fernandes, Blasfémias, 14-4-2021

Um comentário:

  1. Se os militantes travestidos de ‘jornalistas’ tivessem, vis-à-vis dos governantes portugueses, dez por cento da valentia que arrogam contra Jair Bolsonaro, outros estariam governando Portugal. Com toda a certeza!

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