terça-feira, 2 de novembro de 2021

[Livros & Leituras] Por ladrar noutra coisa – Diário de uma bitch

Zaya foi maltratada, abandonada e presa a uma árvore, resgatada e colocada no canto mais recôndito de um canil, onde os pitbulls e os outros cães "perigosos" são deixados até a morte os levar. Mas um volte-face do destino levou até aquele lugar um ser bondoso e extremamente belo*, que a adotou.

Agora, com novos donos, nova casa, nova vida… tudo mudou. As relações com outros animais, o seu ódio de estimação por gatos, a vida como influencer, o estranho modo de viver dos humanos, tudo é relatado no diário que alimenta. Já que falamos em alimentar: para ela, biscoitos e bacon são vida.

Por Ladrar Noutra Coisa – Diário de uma bitch é um registo sarcástico e bem-humorado do mundo canino e humano, segundo o ponto de vista de uma cadela que, para além de comer e dormir, gosta de escrever coisas inconvenientes.

* O humorista Guilherme Duarte. Os adjetivos usados são da Zaya, podendo ou não ter havido suborno em forma de biscoitos.

A edição é da Porto Editora, 1ª edição: outubro de 2020. O autor: Guilherme Duarte.

É um livro para amantes de cães, in fact, para muito amantes, pois que xixi na cozinha, na cama dos donos... cocô na porta... sei não... acho difícil os amantes de cães ficarem contentes e felizes. Ok, a bichinha estava no canil, sem modos nem maneiras, portadora de um passado bem triste, mas, até onde sei, é possível treinar um cão a fazer as necessidades fora de casa, sem assustá-lo, muito menos maltratá-lo. Em menos de um ano.

No mais, só lembranças comparativas com o meu Bill. Que em casa é bem comportadinho – talvez mais do que alguns humanos que conheci 😉 –, na rua é uma Zaia: cães, de qualquer marca, são proibidos de circular. De existir até, porque só o odor de dois deles, já ativa os alto-falantes da ladração. 🐕

21 DE OUTUBRO Quarta-feira

Hoje apanhei os meus donos a chorar por causa de um filme. Era sobre um labrador muito malcomportado, chamado Marley, que (spoiler alert) morre no fim, e lá ficam os meus humanos num pranto de choradeira, que parecia que tinha morrido alguém da família, tipo eu. Até se agarraram a mim a chorar e tudo, feitos maricas.

Não percebo porque é que os humanos veem coisas tristes de propósito, só podem ser masoquistas. A nós, nuca nos passaria pela cabeça fazermos alguma atividade por vontade própria que nos fizesse ficar tristes e chorar. A vida já se encarrega disso muitas vezes. Era o mesmo que os cães atirarem os biscoitos pela sanita, de propósito, só para ficarem ali a olhar para aquela tragédia e começarem a chorar.

Os humanos são estranhos. Aposto que isto é coisa de privilegiados que têm uma boa vida; duvido que os humanos sem-abrigo gostem de ver filmes para chorar. Nunca vi um doente terminal a dizer: “Apetecia-me agora era ver um bom drama.”

Bem, mas eles lá viram aquilo e começaram a chorar com pena do cão, que nem é um cão a sério, por ele morrer.

Depois fui investigar e soube que usaram vinte e dois labradores diferentes para fazer o filme. Por isso, mesmo que tenham matado um para a cena final, é uma porcentagem pequena de morte para se chorar assim tanto. O mais giro é que o Marley só fazia merda, destruía tudo, roía tudo, não se sabia comportar em nenhuma situação.

Eu, ao pé do Marley, sou uma santa e a cadela mais bem comportada do mundo! Mesmo assim, quando morreu, os donos sentiram a falta dele e os meus donos choraram com isso.

Pode ser que o filme sirva para me darem valor. Espero que, da próxima vez que ralharem comigo porque destruí uma almofada do sofá, se lembrem de que eu vou morrer e que até da destruição vão sentir falta, e que comecem a chorar, em vez de me darem palmadas e me mandarem de castigo para a minha cama.

A opinião, sobre o livro, de Ana Carolina Paulino, no bloguemil e duas páginas”:
“Por Ladrar Noutra Coisa” de Guilherme Duarte

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