segunda-feira, 14 de junho de 2021

[O cão tabagista conversou com…] Margareth Brum: “Confio no povo brasileiro, vamos vencer mais esta."

Nome completo: Margareth Suzan Brum

Nome de Guerra: Margareth Brum

Onde e quando nasceu?

Rio Grande, RS.

Onde estudou?

Colégio Barão do Cerro Largo (Rio Grande) e Colégio Estadual Marechal Rondon (Canoas).

Onde passou a infância e juventude?

Minha infância foi bem divertida, tínhamos uma casa perto da praia do Cassino, em Rio Grande, minha cidade natal. lá passávamos três meses por ano, só nos divertindo. Eu tinha até cavalo para andar, ela era linda, cor de chocolate, de nome Marta Rocha.

Por aí dá para perceber sua beleza, já que a nossa miss Brasil mais famosa foi Marta Rocha.

Morar em Rio Grande, cidade desenvolvida, portuária e muito moderna para a época, era muito bom.

Perto das famílias de pai e mãe, com todos ao redor, era bom demais.

Boa parte deles morava em Pelotas, também os visitávamos sempre. Viajávamos para Montevideo, Argentina, veraneio em Punta de Leste... que não era tão famosa como hoje, mas era pequena e muito linda.

Na adolescência, foi tranquilo. Mudamos pra Canoas, perto de Porto Alegre. Custei a acostumar, mas foi por causa da época, adolescência, tudo é complicado. Mas com o tempo, novas amizades, muitos namorados, tudo voltou a ser só felicidades.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?

Minha infância foi sempre rodeada da família, da escola e amigos. Sempre muito curiosa, e o mundo me chamava muito a atenção.

Fatos que marcaram a minha adolescência foram dois: primeiro, a mudança de cidade, eu adorava novidades. Naquela época eu ouvia meu pai falar de Brasília, e eu sonhava... Mas acabamos em Canoas mesmo, que nunca foi meu sonho de consumo, mas a vida me levou.

E o segundo fato marcante foi que eu adorava cinema, ia sempre, todos os finais de semana, e lá comecei a sonhar com a aviação, pois tinha uma propaganda da PANAIR, que me levava em suas asas.  Então, o sonho se tornou realidade aos 19 anos. Aí começou outra fase da minha vida.

Você sabe que na infância e adolescência, as coisas do quotidiano são muito impactantes na vida das pessoas.

A família do meu pai era de fazendeiros em Rio Grande, tinham grandes plantações de cebola. Sempre nos finais de semana passávamos com eles. Era uma vida muito tranquila e cheia de novidades. Andávamos a cavalo. Participávamos da vida do campo, desde tirar o leite das vacas até participar das tosas das ovelhas, lembranças boas.

Meus tios eram filhos de imigrantes portugueses e alemães. Martins e Brum. Já da parte da minha mãe, eram de origem italiana. Chegaram ao Brasil e foram direto para Cruz Alta no RS, para meu bisavô construir uma ponte. Depois se mudaram para Rio Grande, mas eram uma família de mulheres fortes que trabalhavam muito, eram costureiras. E confeccionavam vestidos lindos, eram umas artistas, hoje seriam estilistas, com certeza.

Minha bisavó arrumava as noivas na sua casa.

Minha avó trabalhava com alfaiataria, sempre quando a visitava ficava encantada com o capricho das costuras, impecáveis. Ela nos passou muitos valores, tinha muita fibra e determinação.

Educou seus três filhos com muito orgulho e sacrifícios. A vida não era nada fácil, mas ela não tinha por hábito reclamar, bem ao contrário, demonstrava muito orgulho. Isso foi bem positivo, pois nos tornou resilientes, até hoje me sinto assim. Sempre grata a tudo dessa vida.

Era religiosa, sem ser beata, mas a missa era sagrada.

Meu pai era bancário e minha mãe professora, eram pais carinhosos, mas bem firmes na educação. Tenho uma irmã bancária também, apesar de ser formada em Veterinária. E assim foi minha vidinha de criança e adolescente.

Além do cinema, era cinéfila desde pequena, conhecia o mundo através dos filmes, já viajava.

Mas a parte escolar, com vários professores que contavam histórias maravilhosas sobre suas vidas, isso também me tocou muito.

Tinha uma professora de Inglês que estudou e foi babá nos EUA. Ela contava as peripécias por onde andou.

A outra, de Francês, era uma egípcia que tinha emigrado para o Brasil com sua família, o marido era engenheiro e veio trabalhar em Canoas, na fábrica de Vidros Viçosa, era francesa essa fábrica. Também nos contava a sua vida, maravilhosa.

E uma outra, de História, que viajava nas férias, tirava slides, e passava pra nós vermos a Europa. Era divino, eu amava, e na minha cabecinha de adolescente isso era demais de bom.

Por isso a importância dos mestres na nossa vida. Como valorizo essas pessoas que te transformam.

Você entra pra escola analfabeto e sai de lá doutor, não é maravilhoso? Uma homenagem a essa turma. Tenho vários professores na família.

‘Era religiosa’, não é mais?

Escrevi ‘era religiosa’ me referindo à minha avó.

Nessa sua época, não havia espaço nem tempo para mimimi vitimista.

Pois é, na minha época não se cogitava esse mimimi de hoje. Como tínhamos famílias grandes e convivíamos muito com eles, descobríamos na família os invejosos, mentirosos, oportunistas, generosos e os que amavam a família de verdade, fazendo o melhor para nós, recebendo muito bem e nos mostrando o real valor da vida.

Tínhamos base familiar, fomos jogados ao mundo com tudo isso e a vida nos transmitiu mais experiência. Por isso que ficamos fortes e encaramos muito bem as adversidades. Se existem dentro da família, imaginas na rua...

Quando começou a trabalhar?

Quando despertei para a Aviação nunca mais tirei da cabeça tal propósito, foi mesmo uma coisa que me tocou, coisa de destino, já estava decidido.

Como na época tinha que ter 21 anos, fiz a cabeça de uma amiga para ser aeromoça também. Ela foi primeiro que eu, um ano antes. Seu nome era Claridce.

Depois, meu pai me emancipou e com 19 anos ingressei na tão sonhada carreira.

Então, a RG foi o seu primeiro e único trabalho, certo?

Antes da aviação trabalhei pouco tempo numa agência de crédito dentro de uma loja. Mas foi algo muito rápido, foi só mesmo para conhecer a Claridce e ser um anjo da guarda pra ela, pois nos tornamos amigas e eu a influenciei a ser aeromoça. Meu sonho transferido.

A aviação foi o sonho realizado. Foi o complemento de minha educação escolar, pois as experiências que me proporcionou foram incontáveis. Parece que cada voo era um degrau a mais na cultura mundial. Aprendizado sem fim.

Desde a Ponte Aérea até os baseamentos em vários lugares diferentes, como Los Angeles, Hong Kong, que nos proporcionaram conhecer a cultura Asiática.

70% dos meus conhecimentos dedico à Aviação. É muita cultura, convivência social com os colegas a bordo e os passageiros, que sempre conversavam e contavam suas últimas viagens. Sempre aprendendo, eu adorava.

Lembra do seu primeiro voo?

Sim, lembro muito bem. Foi no ELECTRA ll, indo para Brasília. Estava muito ansiosa, e isso me deixou muito mareada, haja dramamine. Mas aos poucos fui superando, e parei com o medicamento, que me acompanhou por um longo período.

Quanto tempo ficou no Electra?

Fiquei no ELECTRA ll muito tempo, pois era um avião que cruzava o Brasil de Norte a Sul, tanto ia para Porto Alegre como pra Belém.

Voar 727 era promoção. Isso foi no ano de 1973, quando ingressei na Varig.

A aviação para mim foi um choque, era muita responsabilidade, muitos horários complicados, na madrugada...

Eu achei a hierarquia muito militar, era tudo muito sério e de muito compromisso.

Eu achava que só ia passear, conhecer pessoas e lugares diferentes, esqueci da parte do profissionalismo.

Éramos muito exigidos. Por isso quando tive meu filho, deixei a Aviação sem pesares. Fiquei fora dela quase cinco anos.

Quando voltei senti a diferença, era outra Varig, mais light. Sendo que eu também já estava mais amadurecida, tinha outro olhar, mais concentrada na profissão.

A segunda fase foi bem melhor, tudo fluiu muito bem. E seguiram-se trinta anos. Ao todo, foram trinta e quatro anos de total realização.

Então reingressou na Varig em 1978…

Reingressei na Varig em 1982.

E recomeçou no Electra?

Voando fixa na Ponte Aérea, para acostumar meu filho com a minha ausência, aos poucos.

E quando foi promovida para equipamento superior?

Fui promovida para a Internacional em 1986. E fiquei até 2006, quando a Varig "acabou".


Para nós ela nunca saiu de nossos corações, basta ver a convivência que ainda temos, parece que foi ontem.

Eu não senti o tempo passar, foram anos de muito trabalho, mas também de muitas experiências que nenhuma outra profissão nos daria. Sou sempre muito grata, orgulhosa da empresa, dos amigos e de tudo que nos envolvia.

Pudemos oferecer à nossa família vivências que seria difícil aqui no mundo exterior.

Tenho duas sobrinhas que seguiram a minha profissão. Me sinto muito orgulhosa.

Quais os pernoites de que mais gostava?
Puxa... difícil responder essa. Cada lugar tinha suas peculiaridades. Eu gostava de todos, quanto mais longo o voo, melhor; não gostava do bate-e-volta nem dos voos da Missa, eram insanos, não sei como tínhamos saúde para enfrentá-los.

E o ‘empurra’? Meu Deus, o que era aquilo? GIG-LAX-TKY, ERA PRA LEÃO, mas tinha a compensação: a diária, super boa. E Narita era uma gracinha, gostava de passear por lá.

Como passava o tempo nos pernoites?
Aproveitava muito os pernoites, conheci todos os museus, visitei todas as Igrejas, teatros; Opera, Paris, lindíssimo.

Fazia passeios, comprava, a diária era boa demais. Fazia uma boa refeição, já tínhamos os restaurantes costumeiros. Nossa, muito bom.

Conhecíamos muitos artistas, atletas. Senna foi um deles. Tive o prazer de servi-lo na First Class. Não comeu nada, somente água. E no café da manhã, uma manga cortadinha com carinho. Um gentleman. 

Quando a tripulação era alegre e bacana, fazíamos passeios inesquecíveis, como Andorra, que você estava junto, foi bem legal, né? E assim tivemos muitos passeios inesquecíveis.

Passou por algum perrengue na sua carreira?

Voo marcante foi NYC, chegando no dia 11 de setembro, trinta minutos antes dos atentados. Vimos as torres desabando, in loco, uma loucura...tivemos que pernoitar num motel no meio do caminho. No outro dia fomos para Manhattan. Este foi meu voo mais marcante, infelizmente.

Na sua opinião, a que se deveu a extinção da empresa?

O fim da Empresa nos dói o coração. Depois de lembrar de tantos momentos lindos, pensar que tudo acabou, mas nada é para sempre. Essa é a realidade da vida. Mas, para mim foi politicagem, muitos interesses, nossa política é suja... PT chegando... outros propósitos, e acabaram. Sem pensar na nossa bandeira representativa que era a Rosa dos Ventos, que levava para os quatro cantos do mundo, nossos compatriotas e demais nacionalidades.

Foi como se rasgassem a nossa bandeira, pois a Varig era muito respeitada, conhecida e preferida dos brasileiros.

Até hoje as pessoas não se conformam. Fim triste mesmo.

Você também recebeu o telegrama?

Graças a Deus não passei por esse momento doloroso, pois fiz "acordo” em fevereiro para sair. Estava bem balanceada, pois uma parte de mim não queria acreditar que a Varig ia falir, mas a outra, mais racional, me cutucava e dizia: sai logo se você quiser receber alguma coisa. E foi o que fiz.

Ainda consegui me aposentar pelo Aerus. Foi um momento complicado, qualquer decisão para o resto da vida é difícil. Mas foi o que fiz e acertei.

Sente saudades da empresa?

Eu não sou nada saudosista. Claro que lembro dos bons momentos, os mais chatinhos esqueci todos, nem adianta perguntar.

Como sempre, faço tudo que gosto bem profundo. Não tenho saudades. Foi bom, passou.

Hoje também adoro a minha vida ‘normal’, dormindo todas as noites na minha casa, indo à Academia, tendo a rotina que nunca tivemos, também sou feliz nessa nova jornada.

E o Facebook nos aproximou muito, então isso ajudou a nos aproximar. Muito bom essa tecnologia.

Saiu da RG em fevereiro de 2006, confere?

Sim, em 2006 me desliguei da Varig. Fiz o famoso “acordo das promissórias".

Portanto, estão na gaveta. Confere?

Sim, recebi a primeira, depois os burburinhos se intensificaram, culminando com o seu fechamento.

Sobre os “mais chatinhos”, diga aí só as iniciais… 😊

Sobre os colegas inoportunos, graças a Deus, eram uma minoria, mas eram bem desagradáveis, mas esqueci deles, nem lembro quem eram (risos).

Prefiro lembrar daquela vez que jantamos em Lisboa no restaurante do teu amigo. Nunca mais comi um bolinho de bacalhau tão delicioso. Ele nos alegrou com uma travessa bem grande cheia de bolinhos, que delícia!! Só lembro que era numa galeria, mas não sei mais o endereço.

Margareth, believe it or not, não consegui nem uma nublada lembrança desse jantar…  😧

O restaurante era de um amigo seu que trabalhou na TAP como comissário. Ele vinha nos apanhar no hotel.

😯 😯

O Rio de Janeiro continua lindo?

E o Rio de Janeiro é a minha cidade do coração, estou sempre lutando para melhorar as coisas por aqui.

Também é a minha.

Como vai passando o nosso Brasil?

Nosso Brasil é bravo. Apesar de tudo convergir para piorar as coisas, nós estamos lutando para não cair no fundo do poço. Nosso povo, acostumado a ultrapassar suas mazelas, não será essa esquerda debilóide que nos fará acovardar.

Confio no povo brasileiro, vamos vencer mais esta.

E estou apoiando o Presidente.

Me too. 😉

Uma pergunta que não foi feita?

Acho que falamos um pouco de tudo, sobre toda a trajetória Variguiana e um pouco da minha vida particular. Sempre faltará, mas o essencial para entender os porquês das escolhas foi dito e explicado.

A derradeira mensagem:

A vida está sendo bem generosa comigo, muitas conquistas junto a muitas batalhas.

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Sou bem assim.

Obrigado, Margareth! 😉

Conversas anteriores:

13 comentários:

  1. Ficou melhor do q imaginei,vc é um jornalista de raiz.Obrigada pela oportunidade de participar.

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  2. Só cuidado pra ninguém pegar estes dados, hoje em dia a internet tá cheio de bandido.

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  3. Oi Jom, oi Margareth!
    Viajei na entrevista, muito boa de ler.
    Parabéns para você querida colega, uma comissária tranquila, responsável e ótima profissional.
    Abraços.

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  4. Como vamos vencer esta quando a causa do nosso sofrimento é justamente esse bandido que se diz presidente? Meio milhão de brasileiros mortos pelo torturador-mor da nação.

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    1. A IMBECILIDADE NÃO TEM MEDIDAS, PELO JEITO ESSE PRESIDENTE ENGRAVIDA TODAS AS MULHERES DO MUNDO. MINHA MULHER DEVE TER PEGO COVID DO PRESIDENTE. ELA SE TRATOU COM HIDROCLOROQUINA, AZITROMICINA, IRVEMECTINA E ZINCO RECEITADA PELO POSTO DE SAÚDE DO RIO GRANDE DO SUL POR 5 DIAS. DIVIDIMOS A MESMA CAMA POR VÁRIOS DIAS, EU NÃO PEGUEI.
      A MÉDIA MUNDIAL DESTA PANDEMIA É DE 2%.
      https://www.poder360.com.br/coronavirus/brasil-8-posicao-ranking-mortes-covid/
      Quando temos o melhor presidente de toda a era republicana, ainda há imbecis que tem bandidos de estimação.
      A mula corrupta de 9 dedos de Garanhuns. machista e homofóbica, que destruiu uma das maiores empresas do mundo ainda tem adeptos da seita pseudodemocrática e protofascista do globalismo mundial.
      Infelizmente esse tipo de pessoa não conhece a história do Brasil.
      17 milhões de mulheres sofreram agressões ou mortes no Brasil somente em 2020.
      Como o governo Jair Bolsonaro paga 18000 mil reais para cada prefeitura por morte de COVID. não há mais os 1000 mortos por dia de ataques do coração que era a média diária de 2019.
      A fome e o LOCKDOWN AUMENTARAM A POBREZA E O NÚMERO DE CRIMES NO BRASIL POR CULPA DE GOVERNADORES E PREFEITOS.
      OS IDIOTAS QUANDO ESCREVEM, FEDE.

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    2. Vc precisa se informar melhor, o BOLSONARO é o melhor presidente do Brasil,e ele vai ganhar denovo...

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  5. Eu também confio, Margareth.
    cd

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  6. Peço desculpas a Meg Brum, talvez não se recorde de mim, mas voamos muito juntos.
    Simples e decidida e muito educada, suas fotos aparentam que continuas a mesma.
    Meu desabafo foi simples, eu não gosto que misturem desapegos com individualidades.
    Eu continuo sendo grosseiro com a burrice.
    Só houve um brasileiro digno na presidência do Brasil que lembra muito o nosso imperador dom Pedro II que coloca o Brasil em primeiro lugar e esse presidente é Bolsonaro. Engraçado que só as pulhas são contra.
    Foi uma bela didática de vida que a MEG nos mostrou.
    Peço grandes desculpas pelo meu desagravo a um comentário que jamais deveria ser feito em sua entrevista.
    Bolsonaro não destruiu a VARIG, foram os corruptos dos governos e do colégio deliberante.
    Já colocaram os arreios de nós todos que não conseguimos mais cavalgar com galhardia nosso tempos muito em vividos.
    Abraços a Margareth Brum

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