terça-feira, 13 de dezembro de 2022

[Livros & Leituras] Sobre a Liberdade

Normalmente associado ao liberalismo econômico e à não intervenção do Estado, o filósofo e economista britânico John Stuart Mill (1806-1873) desenvolveu um pensamento profundamente humanista e deu ao indivíduo uma proeminência inédita.

O clássico ''Sobre a liberdade'' foi iniciado em 1854 como um ensaio curto sobre a relação entre autoridade e individualidade, mas a complexidade do assunto fez com que fosse publicado somente em 1859, com uma extensão bem maior.

Até então, nunca ninguém se detivera sobre o conceito de liberdade pessoal, pensando- o minuciosamente perante as questões da sociedade. Partindo da individualidade como um dos elementos imprescindíveis ao bem-estar de cada um, passando pela liberdade de crença, de expressão, de associação e das minorias, o autor problematiza de forma fascinante este e outros temas, como a religião, os regimes tirânicos e a democracia.

Uma obra atemporal instigante, que deve ser lida por todo e qualquer cidadão.

 

Um trabalho importante

Alexandre C.

Uma ode, um encômio à liberdade. Neste pequeno livro Mill é categórico ao descrever o antagonismo central no plano político-social: agentes com maior predisposição a mudanças e experiências sociais contra agentes menos predispostos a mudanças abruptas. Essa descrição mais ampla nos permite alocar de uma forma mais genérica os atuais conflitos entre o que entendemos por direita e esquerda. Estas correntes sempre dialogaram e se enfrentaram, assumindo vertentes como individualismo e sociocentrismo, esta última mais voltada a um dirigismo que invariavelmente avança sobre o espaço do indivíduo e o primeiro respeitando essa esfera particular, estabelecendo limites. 

O que Stuart Mill faz aqui é uma ampla defesa do respeito a estes limites, e como isso é feito: 

- através de reflexões de como pensar estes limites;

- o que é fundamental e auto evidente;

- o que depende de bom senso;

- o que cabe estar na lei;

- o que apenas o desagravo social já é suficiente para constranger.

- a defesa de minorias contra a maioria (já estava tudo aqui, toda aquela filosofia barata do século XX pulverizadora de conflitos com base em releitura Marxista era dispensável, caso tivesse sido adotada a sofisticação de Mill ao invés do quase esoterismo destes teóricos radicais);

- a defesa da liberdade de opinião, que é fundamental e inviolável, além de ser fundamental para o desenvolvimento humano em todos os aspectos: material e espiritual;

- um exposição acerca do conceito de verdade e uma reflexão sobre as pessoas que se arrogam possuidoras de seu entendimento, quando o tempo demonstra que não eram detentoras de verdade alguma;

- Não é feita uma relativização da verdade ou negação da mesma, ele apenas busca demonstrar como as vezes é árduo e longo o caminho que a humanidade leva para incorporar entendimento ou o que quer que seja que se aproxime mais disso. Há um certo ceticismo da parte de Mill sobre a máxima de que a verdade vencerá e que isso é uma questão de tempo. Ele apenas a apresenta como uma "concorrente" com uma certa vantagem, por ser ele mesma, mas que isso não é garantia apodítica de que irá prevalecer;

- Mill defende que até a mais simples verdade deve sempre receber opiniões contrárias, pois caso isso não aconteça, em algumas gerações ocorrerá uma espécie de atrofia intelectual que reduzirá muito a capacidade das pessoas de defender até o ponto mais trivial.

Esse tipo de leitura seria de grande valia para os defensores do "libertarismo", um ideário prosaico e cheio de incompreensões acerca do conceito de liberdade. O mesmo pode-se dizer dos fervorosos adeptos de políticas baseadas no dirigismo centralizador e invasivo.

Alexandre C., Amazon, 3-5-2019

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