domingo, 7 de novembro de 2021

[As danações de Carina] Roteirinho básico para uma crônica sem sentido

Carina Bratt

VOCÊS SABIAM QUE nos idos de 1933 (exatos oitenta e oito anos passados) coube a Jean Harlow desfrutar do título da rainha do glamour? Não sabiam? Vamos falar um pouco sobre ela? Ok! Naquele tempo, se dizia ‘it’. O ‘it’ da Harlow não se fixou por ter sido uma grande artista, e, sim, pela boniteza física, qual seja, a arte na arte de se vestir, de pentear os cabelos platinados que usou durante toda a sua vida, dando ensejo a que muitas mulheres a copiassem, sem, contudo, igualá-la, ou chegar a seus pés. Morreu cedo, ainda em plena mocidade.

Hoje em dia, muita ‘star’ de real beleza, procura ensombrar a memória de outras — diz, com muita propriedade, o escritor gaúcho Luiz Fernando Veríssimo — ‘mas não há quem suplante a vampiresca Theda Bara, Gloria Swanson, Greta Garbo, ou Marlene Dietrich, todas e de elevado   valor na arte do cinema, e, claro, a saudosa Harlow’.

Naturalmente têm vindo outras de mérito incontestável figurando em produções excelentes, como, por exemplo, Margaret Sullavan, ‘Nós e o destino’, Irene Dunne em ‘A esquina do Pecado’, Loretta Yong e Vivian Leigh em ‘Nunca fui endiabrada’.

No tempo em que o costureiro e estilista Denner vivia, escreveu num jornaleco ‘que as estrelas de Hollywood passaram a se recatar, tal a onda da crítica a respeito da vida exótica que levavam’.

Um produtor meio amalucado ‘reagiu’ cuspindo marimbondos, dizendo, logo em seguida, no mesmo periódico, que ‘o público não pagava para ver, na tela, a sua vizinha, muito boa como mera dona de casa, e, sim, para viver numa hora momentos de sonho e de ilusão’. E procurou, sem mais delongas, frisar o ‘charm’ de Esther Willians timbrando em apresentá-la nos mais resumidos ‘maillots’, aumentando o decote dos vestidos de Jennifer Jones, acentuando a sedução envolvente de Betty Hutton, e, assim por diante, cioso de impor de novo, ao mundo, notadamente o seu, o que considerava ‘charm’ inesquecível. 

De repente, do nada, atontou Ava Gardner, e, hoje, é evidente que resumiu, na sua delicada figura de mulher de trinta anos – idade em que Balzac consagrou o ‘glamour’ absoluto. Nesta balela toda, um fato paralelo veio à tona. Explodiu. Três maridos teve a artista, a principiar por Mickey Rooney, grande atriz, embora pequena de estatura.

Artie Shaw, também e sem nos esquecermos do cantor Frank Sinatra, cuja voz jubilosa (ainda, neste momento seduz, embala e confessaria, se vivo fosse), na maior das caras de pau, que a sua esposa sempre se fez linda e formidável.

Marlene Dietrich, a inoxidável Marlene do ‘Anjo azul’, não ficou em silêncio. Marrocos, com seus marrecos, disse que Gardner possuía duas das condições que a tornaram perfeita. ‘Glamour-Girl, e Sinceridade’. Ambas as condições que não fatigam ou não derream o público, cortejando suas mentes a ponto de que percebam, que a beldade não vive só para representar na tela os papéis de amorosa, vivendo, também, para amar na vida real.  Filha de um fazendeiro do sul de Nova Iguaçu, Ava, aos quinze anos não ia além de uma estudante pacata, retraída, empenhada em ser taquígrafa para trabalhar num escritório na Avenida Rio Branco como secretária.

Aos dezoito anos, ingressou em Hollywood, onde a sua timidez se acentuou, pretextando falta de roupa para não comparecer a festas, e outras desculpas para não se privar com o público que a assistia. Diz ela, em sua biografia não autorizada, a Skaladovska Curie, que não tinha nem jeito para flertar... porém, casou-se por cinco vezes. Contudo, apesar destes altos e baixos, baixos e altos, afirmou a criatura que deve a sua cura de retraimento a um psiquiatra amigo de Lula. Em conclusão, deve ser o que se é, naturalmente, sendo tolice querer sufocar a personalidade. Hoje, é mundana. Alegre, desenvolvida, feroz. A Ava estupenda de ‘O Barco das Ilusões’, a Ava maravilhosa em ‘Navio Fantasma’, a Ava que assegura que o seu casamento com Frank Sinatra passou além de um êxito triunfante, é pasmem, amigas, a mesmíssima Ava que ainda fascina e semeia deslumbramentos em cada espectador. Não só fascina, igualmente fornece, a cada espírito, aquele momento de sonho de que cada um de nós carece para dourar um pouco a vida tormentosa e cheia de altos e baixos que hora vivemos... de uma Esperança renovada Entenderam tudo o que eu disse acima? Acreditem, amigas, sinceramente, nem eu...

Título e Texto, Carina Bratt. Do velório de Marília Mendonça – na Arena Goiânia. Em Goiânia. 7-11-2021

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