sábado, 17 de julho de 2021

[Versos de través] A volta do boêmio

Adelino Moreira


Boemia, aqui me tens de regresso 
E suplicante te peço a minha nova inscrição. 
Voltei pra rever os amigos que um dia 
Eu deixei a chorar de alegria; me acompanha o meu violão. 

Boemia, sabendo que andei distante,
Sei que essa gente falante vai agora ironizar:
"Ele voltou! O boêmio voltou novamente.
Partiu daqui tão contente. Por que razão quer voltar?"

Acontece que a mulher que floriu meu caminho 
De ternura, meiguice e carinho, sendo a vida do meu coração,
Compreendeu e abraçou-me dizendo a sorrir:
"Meu amor, você pode partir, não esqueça o seu violão.

Vá rever os seus rios, seus montes, cascatas.
Vá sonhar em novas serenatas e abraçar seus amigos leais.
Vá embora, pois me resta o consolo e alegria
De saber que depois da boemia
É de mim que você gosta mais".


Texto: Adelino Moreira


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De joelhos 
Florbela Espanca 
Conto de fadas 
Angústia 
A mulher

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