domingo, 5 de setembro de 2021

[As danações de Carina] Da responsabilidade mútua do pai e da mãe

Carina Bratt

PERCEBO QUE A MAIORIA das pessoas assevera que a educação do lar, como um todo complexo, deve ser uma obra sistematicamente materna. Visto por esse prisma, se mostra evidente, que é sempre a figura da mãe que está em maior contato com os filhos. O pai, por sua vez, preocupado com os seus negócios, ou com o seu emprego, além dos domínios da porta da garagem, pouco, ou quase nada, poderá fazer para contribuir e ajudar com a formação moral e espiritual dos seus rebentos.

Existe alguma razão mais fortemente robusta e consistente dentro dessa contribuição? A resposta é sim. Claro que este raciocínio da contribuição da formação moral não está totalmente desligado do seu contexto. E por que não? Porque o pai, considerado o cabeça da prole, ou o chefe da família, a ele, por conta disso, se enquadra, sem dúvida alguma, a obrigação emparelhada com a da sua esposa, uma parcela igual, considerada, por conta, de ser o ‘grande vulto’ nessa obra louvável e meritória que é, sem dúvida alguma, a criação o encaminhamento e a educação dos filhos.

No mesmo trilho, também é certo que existem muitos homens equivocados ao trato do tête-à-tête com as suas crianças. Como se explica tal fato? Uma corrente acha que cuidar dos pirralhos humilha e fere a moral e a dignidade, além de diminuir a sua honrosa masculinidade perante os amigos e colegas. Em passo idêntico, outra banda encara o seu posto de chefe de família como se qualquer coisa fora desses parâmetros fosse um melindre insuportável, ou uma mancha de difícil remoção. Em igual caminho, todavia entende as duas correntes, que o pai, presente ou não, é considerado o maioral, ou o ‘sexo forte’ e fim de papo.

Para essas correntes de pensadores contrários ao bom senso prático, pôr um filho no colo, cantar canções de ninar, ler historinhas para dormirem, ou dar banhos, trocar as fraldas, dar a mamadeira, ou lhes dedicar quaisquer outros pequenos e insignificantes gestos de carinhos, bolinaria diretamente com os seus brios e, pior, degeneraria as bases das suas masculinidades. Ledo engano! ‘Isso é trabalho exclusivamente feminino’, obtemperam os mais afoitos e retrógrados. Negativo! Quem disse tal asneira?! Com toda certeza, o Papa.

Certos pais preferem encarar (enquanto as suas consortes se cansam e se matam de trabalharem em face dos serviços da casa) essas incumbências, como um sacrifício pessoal e, por ser dessa forma, pugnam ferrenhamente pela ideologia de que somente as suas companheiras são as que não se devem se achar no direito de, final da noite, estirarem as pernas nos sofás, fumar um cigarrinho, ler os jornais, ou assistir qualquer novela idiota na televisão. Isso não seria suficiente para uma pausa? De forma alguma!

Esses pais, amigas leitoras, estão redondamente enganados. Não é dessa forma que a banda toca. Esses senhores, grosso modo, ‘pais meia boca’, ou ‘pais pela metade’ ou, ainda, ‘pais obsoletos’, estão totalmente fora do foco e da elegância de serem chamados de chefes de famílias Diria que estão à margem oposta do que é certo e errado, além de profundamente divorciados da realidade em que vivemos. É necessário que essas criaturas compreendam que o amor incondicional deve ser repartido em partes iguais entre os dois (pai e mãe), de forma alternada, porém, igual e sem desvios.

Está o casal incumbido dos deveres recíprocos, ou seja, ambos se entrelaçaram, com o advento do casamento, num único objetivo: irmanados no mesmo linguajar e idêntica meta, colaborarem para formarem e não só formarem, educarem os pequenos e a conduzirem, com a observação astuta, às índoles deles, para que saibam discernir, num futuro próximo, qual o verdadeiro sentido da vida e, logicamente, o ‘a depois’, se sustentarem por contra própria e o melhor de todo o esforço empregado: seguirem as suas vidas sozinhos.

O pai e a mãe carecem, na mesma visão, darem o exemplo amplo da harmonia no convívio do dia a dia, para que os futuros meninos e meninas se acostumem a achar e a vivenciarem, na rotina diária, o encanto e a maviosidade na vida que se inicia. Pai e mãe, a bem da verdade, possuem iguais responsabilidades perante as crias que contribuíram para serem colocadas no mundo. As lições de moral, de entendimentos, de dedicações e, de afetos, precisam ser ministradas e distribuídas pelos dois, numa perfeita cumplicidade e séria comunhão de ideias e pensamentos.

É meu dever lembrar a todos os papais que me acompanham, de um detalhezinho importante para justificar, o que acima foi dito, de modo definitivo e não pairar margens às dúvidas. Falo daquele velho provérbio que reza, como um mantra, a concepção imutável de que: a união entre o casal, faz a força e fará, certamente, quando seus pequenos resolverem, ou se darem conta de que existem outros horizontes à espera deles, além da porta da sala. Eles irão querer voar. Bater asas e deslancharem para espaços mais altos.

Título e Texto: Carina Bratt, de Salvador, na Bahia. 5-9-2021

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Ritual pra lá de superado 

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