domingo, 12 de setembro de 2021

[As danações de Carina] Fumantes inveterados e seus fabulosos cigarros destruidores

Carina Bratt

‘Quer parar de fumar? Acenda um cigarro pelo lado contrário e vá tragar trabalhando num local altamente inflamável’.
Bruno Mazzeo

HÁ MAIS DE 400 ANOS, existiu um embaixador francês, em Portugal, ou mais precisamente um tal de Jean Nicot de Villemain (de onde aliás, veio o termo nicotina), que ofereceu à rainha da França, um singelo pé de tabaco. Foi esse sujeito, o criador do uso do cigarro e do charuto, sem nunca ter pensado nisso.

Com esse desenvolvimento, afirma Marcos de Souza Borges em seu livro Raízes da Depressão, que ‘a partir do plantio do tabaco, se alastrou vertiginosamente o vício dos fumantes em todo o planeta. Poucos sabem, entretanto, que o homem teve de lutar muito e, com desespero grandioso, para conseguir a liberdade de fumar’.


E esclarece:
‘Em linha paralela, os moralistas gritavam de todos os lados. Houve, mesmo, castigos severos para os que eram pilhados de cigarros na boca. Borges cita Abbas Pashá I, por exemplo, que encabeça a lista de algumas barbáries, conforme está no livro Portais Secretos, de Nilton Bonder. Segundo relatos enfaixados em seu livro, ‘Pashá cortava o nariz dos tomadores de rapé e queimava os lábios dos fumantes com ácido’.

Mais a frente, no mesmo maço, menciona ‘Urbano VIII, Papa, que ia pelo caminho mais curto. Fazia isso como descargo de consciência. Os excomungava e fim de conversa. Amurad IV, da Turquia, sem dúvida alguma se constituiu no sujeito mais severo. Gostava de cortar as cabeças dos incautos, só para ver a fumaça dos seus charutos sair em desabalada carreira do resto do corpo’.

Stanislav Grof aumentou a lista mencionando Jaime I, da Inglaterra. A criatura ‘mandava para a forca os amigos do fumo. Tirou de circulação uma leva de fazedores da fumaça maldita. Com o passar dos anos, o consumo do cigarro, cresceu à níveis estratosféricos.’ Hoje, segundo o humorista Marcelo Adnet, ‘temos mais políticos corruptos e desonestos na praça que cigarros e charutos falsos sendo comercializados de canto a canto desse país de malucos e retardados’.

Uma das causas mais tresloucadas, infelizmente, é que a mulher (logo a mulher) se voltou, ou melhor, ainda se volta cada vez com mais frequência e esmerada dedicação, para eles. Lloyd George, durante a primeira guerra mundial, teve de apelar para as dondocas francesas, no sentido de fumarem menos, a fim de não faltar cigarros para os soldados. Tal passagem está em Milagres do dia a dia de David Spangler.

Se tivéssemos, nos dias atuais, um Lloyd George, certamente ele pediria para as autoridades incompetentes do tal ministério da saúde e seus mais diversos cabides de empregos, que delimitassem as vendas de cigarros e charutos, evidentemente para não faltarem insumos para a mantença das mais diversas Cracolândias em pleno vapor e desenvolvimento em todos os quadrantes desse Brasil sem fronteiras.

Voltando, de novo, ao passado, houve nos Estados Unidos, um senador de nome Johnson, que chegou a apresentar um projeto multando, na época, em 25 dólares, as mulheres que acendessem cigarros em público. Quanto aos efeitos maléficos do fumo sobre o organismo humano, se trata, sem sombra de dúvidas, de um assunto muito debatido por médicos e cientistas.

Há trabalhos e compêndios espalhados com milhares de opiniões consideradas seguras sobre a matéria. Isso não é uma peleja de agora. Remonta de velhos carnavais. Coisa de sessenta e poucos anos passados, um professor conhecido nos meios acadêmicos como Ferdinando Accornero, docente de Neuropsiquiatria da Universidade de Roma, citado pelo médico indiano Deepak Chopra, MD em seu livro Dominando o vício, afirmou categoricamente o seguinte:

‘O fumo, como o café e o vinho pode ser um tóxico poderoso', e, em cima dessa sua ideia (para a época, meio amalucada) criou um decálogo para os fumantes. Vamos tentar elencar de forma simples, para que as nossas amigas e leitoras consigam entender.

Decálogo, nada mais é, que um conjunto de dez normas, ou dez princípios para serem seguidos à risca, como os dez mandamentos entregues à Moisés no livro do Êxodo.

1) Não fumar em jejum.
2) Não fumar ou fumar pouco pela manhã.
3) Não fumar caminhando ou quando se pratica exercício muscular.
4) Não fumar um cigarro até o último quarto. De preferência, se deve atirá-lo fora antes de chegar ao meio.
5) Não fumar no leito ou em posição deitada.
6) Não voltar a fumar um cigarro já utilizado.
7) Deixar transcorrer um razoável intervalo entre um cigarro e outro.
8) Não fumar em estado de excitação psíquica ou de excessiva preocupação.
9) Não fumar quando as vias respiratórias estiverem inflamadas.
10) Não fumar... sem controle, ou seja (deve o viciado controlar o número de cigarros consumidos diariamente).

Terminando as nossas ‘Danações’ de hoje, vamos voltar ao pensamento de Chopra. Desta vez nos debruçando em seu livro Sono Tranquilo. Ele leciona bailando que ‘ve o viciado em fumar descomedidamente como um buscador mal-orientado. É ele uma pessoa em busca do prazer, talvez até mesmo de uma espécie de experiência transcendente...’.

Arrozoa, no parágrafo seguinte, que ‘esse tipo de busca é extremamente positiva. O viciado insaciável procura nos lugares errados, mas ele está em busca de algo extremamente importante e, não podemos nos dar ao luxo de desconsiderar o significado desta busca’.

Ao final, observa que ‘inicialmente, pelo menos, o viciado em cigarros ou qualquer outra droga do mesmo naipe, espera experimentar uma coisa maravilhosa, algo que transcenda uma realidade cotidiana insatisfatória ou até mesmo intolerável. Não há por que sentir vergonha desse impulso’.

E arremata, pontofinaliando:
‘Pelo contrário, ele fornece a base para a verdadeira esperança e autêntica transformação’. O bom, o correto, o certo, minhas amigas leitoras, seria, no dizer popular ‘JAMAIS PENSARMOS EM FUMAR. HOJE, A GENTE ACENDE UM CIGARRO. AMANHÃ, ELE SIMPLESMENTE NOS APAGA’.

Título e Texto: Carina Bratt, de Vila Velha, no Espírito Santo. 12-9-2021

Anteriores
Da responsabilidade mútua do pai e da mãe 
A paciência feminina vista pelo lado prático 
[As danações de Carina] De quando minha vida tinha borboletas 
O que dizer a respeito do sexo frágil??!! 
Receita de domingo 
Ritual pra lá de superado 
Estopim implantado 

9 comentários:

  1. SOU HEDONISTA.
    Cada um deve fazer o que lhe aprouver e lhe deixa feliz.
    Pelo jeito que o mundo anda as mulheres tem que casar com homens no mínimo 10 anos mais novo que elas. Só assim terão satidfação sexual aos 70 anos, ou talavez seja, abandonadas por um mais jovem qaundo tiverem 50.
    Veganos e vegetarianos são pessoas nervosas, e não podem pegar diabetes.
    Carne gorda faz mal, porco nem pensar.
    Eu aceito a carga de burro ao fumar, mas o alcool mata tanto quanto arma de fogo no Brasil.
    Ainda tem os tais depressivos que tomam sintéticos, tais quais fluoxetina e outras piores que reduzem o tempo de vida.
    Neu avô fumou até 95 anos e morreu de câncer de próstata.
    Meu pai parou de fumar quando teve Parkinson, e morreu por deficiência de calcio
    nos ossos, num campo de concentração do SUS em direito a UTI porque não yinha vaga em 2006.
    Tenho 38 anos de casado com fidelidade minha plena. Fidelidade é uma coisa pessoal, coisa de escrúpulos, quem trai uma vez, trai sempre.
    Hoje levo a minha vida feliz, isso que importa.
    Morrer é uma bênção para a natureza, para mim o único deus que importa, não necessita de orações, apenas de cuidado e proteção.
    Ficar velho é uma merda mas tudo de bom, desde que não seja uma cruz a ser carregada pelos outros, iddo não é felicidade para ninguém.

    ResponderExcluir
  2. Como assim, "carne de porco nem pensar"?!

    ResponderExcluir
  3. No contexto veganos e vegetarianos odeiam carne de porco.
    Eu as adoro, só não como carnes de outros animais, jvali gosto muito.
    O fato verdadeiro é que todos vamos morrer, mas que se morra feliz. Certa vez já escrevi aqui:
    Quer fumar, fume. Quer dar o rabo dê.
    Faça o que lhe faça feliz, jamais dê conselhos sobre o seu modo de vida para ser feliz.
    Estou sem grana para comprar outro teclado mecânico.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Rochinha! Peço desculpa por não ter lido o seu comentário com atenção.

      Excluir
  4. O meu tio Zé Cachecol, irmão de meu falecido pai, é hedonista. Para os menos desavisados, a palavra vem do grego, ‘hedonikos’, que significa ‘prazeroso’, levando em conta que hedon nos remete ao ‘prazer’. Dizem os entendidos no assunto, que o termo foi criado pelo filósofo grego Aristipo de Cirene. Vem a calhar, pois tio Zé Cachecol (desde os dezoito, anos, hoje com 69 e já aposentado), sempre trabalhou como motorista de ambulâncias, no Rio de Janeiro. E ele conta, com muita propriedade, que o seu prazer maior não era ficar enrolado em volta do pescoço da tia Carminha, mas não outro senão o de acionar a ‘Cirene’ da ambulância com a qual trabalhava. Tivesse doente ou não, o tio voava de um hospital para outro, cortava sinais e fazia malabarismos e zigue-zague com a ‘cirene’ a todo volume. Epicuro, por exemplo, só para ilustrar, foi um defensor ferrenho do hedonismo. Ele acreditava, como também Aristipo, que o hedonismo é uma forma legítima da vida, ou seja, a vida deve se pautar pela busca constante dos prazeres naturais. E o tio Zé Cachecol, tinha um prazer quase sexual em percorrer as ruas e avenidas do Rio, com a ‘cirene’ da sua ambulância ligada. Hoje ele curte a vida, fazendo valer o seu sobrenome meio que estranho, ‘Cachecol’. Em outras palavras, vive o tempo todo no pescoço da tia Carminha. Adora carne de porco, principalmente de porca, mas se pintar um churrasquinho de lombo de javali, ou de boi, ou mesmo de vaca louca, não enjeita. Com relação ao seu prazer pela ‘Cirene’, tio Zé perturba a vizinhança de Bonsucesso, onde mora, toda vez que sai com seu Jeep Renegade azul (ele ama a cor azul). Tem um gozo quase jubiloso em perturbar a paz das pessoas nas ruas, perturbar o sossego dos vizinhos, rodando para cima e para baixo, com a ’cirene’ do seu Renegade a todo volume. Verdade que já foi preso algumas vezes, a ‘cirene’ apreendida, mas tio Cachecol não se emenda. Compra uma nova em substituição e manda instalar e sai de baixo, quando a criatura liga aquela droga barulhenta, em face do seu agrado, do seu contentamento jubiloso pelo som agudo e chamativo do treco enervante e irritável. Mas devemos respeitar esse seu desejo mórbido e fora do normal. Lembrando, claro, sem dúvida alguma, é a bendita ‘cirene’ que lembra seus antigos prazeres, dos tempos de condutor de ambulância. Para o tio Cachecol, a ‘cirene’ é o prazer que o mantém vivo. Tem pessoas que se deleitam e se sentem rejuvenescidas ouvindo Roberto Carlos; outras preferem Zeca Pagodinho; outras tantas a doce Carmem Miranda, cantando Belchior. Euzinha, por exemplo, tenho uma satisfação quase animal, quando ouço Marília Mendonça e suas sofrências. Minha ‘cirene’ interna, perdão, meu ‘eu’ interior se liga à toda altura, como uma sirene destrambelhada. Viajo na maionese. Sou, portanto, uma seguidora incondicional do Aristipo de Cirene. Amo o hedonismo. É o que me dá prazer, me faz sentir viva e com o coração pulsando pior que pipoca estourando. Melhor que fumar um cigarro atrás do outro e morrer de câncer de próstata.
    Carina Bratt
    Ca
    Em Vila Velha, no Espírito Santo

    ResponderExcluir
  5. EU SEI O UQE TE FAZ FALTA NA VIDA CARINA, SÓ QUE ELE NÃO COMPARECE.

    ResponderExcluir
  6. Deixa euzinha rir. Kikikikikikikikikikikikikiki. Nem poderia comparecer, caro senhor Vanderlei Rocha, em resposta ao seu comentário um tanto quanto vazio. Se o prezado está se referindo a 'ELE', deveria dar nome aos bois. Se a gracinha ou a piadinha de mal (ou seria mau??!!) gosto foi dirigida à 'ELE', realmente 'ELE não comparece. Nem poderia. Sou apenas e tão somente a secretária da criatura. Seu também seu braço direito. Seu braço esquerdo, a perna direita, a esquerda... inclusive a... E'ELE'me trata como se filha fosse. Sem mencionar o fato de que trabalhamos juntos faz bom tempo. Resumindo, se o amigo não gostou do meu texto, pare imediatamente de andar de trem. Saiba que nem Jesus Cristo agradou a todo mundo. Não seria eu, uma simples mortal, que agradaria a todos. O que na verdade me interessa é agradar a 'ELE'. Agradando a 'ELE', COMPARECENDO, ou não, acho que ninguém tem o direito de meter a colher ou furdunçar a minha vida. O que me faz falta na vida é os metidos a serem deuses do olimpo se acharem donos do mundos. Fica na paz. Juízo, caro senhor.
    Sua amiga e admiradora,
    Carina Bratt
    Ca
    Em Vila Velha, no Espírito Santo. Amém.

    ResponderExcluir
  7. EM TEMPO. Roberto Carlos tem uma música que vem bem a calhar. Sempre canto para 'ELE' COMPARECENDO OU NÃO. 'Tudo que é seu meu bem, também pertence a mim... vou dizer agora tudo do princípio ao fim...'
    Carina Bratt
    Ca
    Em Vila Velha Espírito Santo. Amém.

    ResponderExcluir
  8. Sempre soube onde se escondem somgreiros mexicanos, detesto Roberto Carlos, a maioria de suas letras foram de Rossini Pinto.

    ResponderExcluir

Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.

Se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-