terça-feira, 5 de janeiro de 2021

A força do gigante


Aristóteles Drummond

Conversando e convivendo com estrangeiros de experiência e cultura empresarial, histórica, é comum observar o otimismo em relação ao Brasil – embora com comentários irônicos, sem perder a ternura, quanto às nossas limitações como sociedade amadurecida e informada.

A base da simpatia é a maneira de ser do povo brasileiro, alegre, cordial, despretensioso e trabalhador.  A aposta no potencial econômico tem bases sólidas. Mercado interno, potencial de crescimento.

Percebe-se na análise do investimento estrangeiro, que este vem se retraindo naqueles que visam o curto prazo, nas aplicações financeiras que devem fechar o ano no negativo de alguns bilhões de dólares, mas há o crescimento naqueles que maturam no médio e longo prazo. São investimentos de grande monta, em quase todos os setores, exceto o financeiro em que, na verdade, o sistema bancário de varejo hoje possui apenas um banco estrangeiro entre os dez maiores.

Uma imaturidade do brasileiro, da elite política e empresarial, é que a pauta da sociedade constatável na leitura dos meios de comunicação é absolutamente inútil, fútil, longe do que possa interessar a uma população de 230 milhões de almas.

Destas, boa parte ainda está na economia informal, sem qualificação para o trabalho, com problemas na área da saúde, da habitação e da alimentação.

O Brasil vive discutindo a sucessão nas casas legislativas, a obrigatoriedade ou não da vacina, qual o melhor imunizante e a vida pregressa dos filhos do presidente, quase todos detentores de mandatos populares anteriormente à eleição presidencial

As operações espalhafatosas da Polícia Federal, sob proteção judicial, são emoções semanais. Incêndios na época seca, tradicionais aqui e no resto do mundo viraram uma novidade explorada politicamente.

O governo Bolsonaro, apesar de ele ser um colecionador de declarações e atitudes polêmicas, vem realizando uma importante, singular e espetacular mudança na economia e nos costumes viciados que envolvem a vida pública no país.

O país pouco sabe que a malha ferroviária está sendo duplicada com grandes ganhos na economia nos próximos anos, que a abertura da cabotagem vai permitir menores custos no acesso de muitos produtos aos centros consumidores e permitir o aproveitamento de negócios até aqui inviáveis pelos custos dos transportes.

As estradas, por outro lado, estão com suas obras restabelecidas, na rede entregue à gestão privada como nas públicas federais.

São dezenas os aeroportos que estarão nos próximos meses expandindo a malha aérea, via aeroportos concedidos, com ganhos econômicos e de qualidade de vida da sociedade.

O Brasil voltou a ser o principal produtor de café do mundo, e de qualidade; o açúcar é a vedete do momento; o etanol brilha, da cana, como do milho; o biocombustível avança; somos líderes mundiais no mercado da carne, da proteína animal.

Pouca gente sabe que a maior empresa no mercado argentino é nossa, como no Uruguai e nos EUA, onde duas das três maiores são brasileiras. Líder na soja, ultrapassando pela primeira vez os EUA.

Estamos na liderança do minério de ferro e no petróleo, nos próximos dez anos devemos estar entre os cinco maiores do mundo. Nossa capacidade no refino, a ser modernizada com as vendas de ativos da Petrobras, nos fará presença de destaque no mercado mundial.

É uma pena que o subdesenvolvimento prevaleça nas mentes e no comportamento dos setores mais influentes do país, sejam eles públicos ou privados. São elitistas, egoístas e alienados.

Mas o povo não é bobo…

Título e Texto: Aristóteles Drummond*, o Diabo, nº 2296, 31-12-2020
Digitação: JP, 5-1-2021
* Jornalista brasileiro, Comendador da Ordem do Mérito da República Portuguesa

Um comentário:

  1. Campos Neto é eleito melhor banqueiro central de 2020 pela Banker
    O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, foi eleito o presidente de Banco Central do ano pela revista britânica The Banker, especializada em finanças. O anúncio foi feito na quinta-feira (31). O prêmio Central Banker of the Year, em sua sétima edição, homenageia os funcionários que mais conseguiram estimular o crescimento e estabilizar sua economia.

    Campos Neto foi premiado na categoria Global e Américas. A publicação cita que poucos países foram afetados pela pandemia do novo coronavírus da mesma forma que o Brasil.

    Categoria Global e Américas
    A revista, do Financial Times, cita que poucos países foram afetados pela pandemia do novo coronavírus da mesma forma que o Brasil. Em meados de dezembro, cita, o número de mortes relacionadas à covid-19 no País ainda era o segundo maior do mundo, depois dos Estados Unidos.

    A The Banker pondera que enquanto no início de 2020 as expectativas eram que a maior economia da América Latina teria contração de 9%, as projeções foram sendo revisadas "drasticamente" no final do ano para cerca de metade disso.

    Menciona que a estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de recuo de 9,1% para declínio de 5,8% em 2020, enquanto alguns analistas acreditam que a contração será inferior a 4,5%.

    Conforme a publicação, muito desse cenário "promissor" se deve ao trabalho do Banco Central do Brasil. Segundo a revista, a instituição monetária respondeu à crise tomando medidas sem precedentes e eficazes para garantir que a liquidez não secasse no sistema financeiro. Destaca que o BC tomou outras medidas específicas para que as empresas, em particular as pequenas empresas, pudessem continuar a operar.

    No geral, acrescenta a publicação, o programa de liquidez do BC brasileiro representou impressionantes 17,5% do PIB, e foi acoplado a outras medidas que liberaram capital das instituições financeiras que, segundo o banco, tinham potencial para aumentar o crédito pelo equivalente a até 20% do PIB.
    (…)
    CNN Brasil, 3 de janeiro de 2021
    https://www.cnnbrasil.com.br/business/2021/01/03/campos-neto-e-eleito-melhor-banqueiro-central-de-2020-pela-banker

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