Lula continuaria condenado se as patifarias que cometeu só alvejassem a Petrobras
Augusto Nunes
A Folha de S. Paulo, sempre gentil com o ex-presidente e ex-presidiário, assim resumiu a decisão do Supremo Tribunal Federal que confirmou a anulação das condenações impostas a Lula e a devolução dos seus direitos políticos: "A maioria dos ministros concordou que as ações contra o petista não tratavam apenas da Petrobras e que a competência da 13ª Vara Federal de Curitiba dizia respeito somente a processos com vinculação direta com a petrolífera". A pobreza do texto combina com a indigência do pretexto invocado por oito ministros para, na prática, absolverem um pecador juramentado.
Para esses juízes, portanto,
as condenações continuariam valendo caso Lula se limitasse a arrombar cofres da
Petrobras. Como as patifarias das quais participou se estenderam a outros alvos,
teve o prontuário zerado e pode disputar um terceiro mandato presidencial. O
Brasil não é mesmo para principiantes. E o STF está acima da compreensão dos
melhores profissionais.
Responsável pelos processos vinculados à Operação Lava Jato encaminhados ao Supremo, o ministro Edson Fachin passou alguns anos produzindo despachos, pareceres e decisões. Só agora descobriu que os casos deveriam ter sido examinados pela Justiça Federal de Brasília, não a de Curitiba. Nesta quinta-feira, o que é também chamado por seus integrantes de Pretório Excelso só completou o serviço.
Os ministros fazem questão de
ressaltar que Lula não se tornou inocente. Apenas deixou de ser culpado. Esse
monumento ao surrealismo avisa que pode ser consumada na próxima semana, a
chicana perfeita. Basta que a maioria do Timão da Toga aprove a decisão da Segunda
Turma que colocou sob suspeição o juiz Sergio Moro. Nessa hipótese, os
processos contra Lula serão atirados ao lixo. O Petrolão se transformará numa
invencionice da direita moralista. E ficará estabelecido que o maior esquema
corrupto da História nunca existiu.
Título e Texto: Augusto
Nunes, R7,
17-4-2021, 9h15
Relacionados:
‘STF tornou-se um tribunal ideológico’, dispara Lasier Martins
Ana Paula Henkel: ‘O Supremo atropela a Constituição’
STF se comporta como uma ditadura de terceiro mundo
15 de abril: Opinião no Ar, com a Procuradora Thaméa Danelon
Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes estão cada vez mais iguais
Confissão
A Lava Jato e o suicídio moral do Supremo
‘Supremo dá cavalo de pau jurídico a cada mês’, diz senador
A alegria da mídia portuguesa:
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.
Se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-