quarta-feira, 7 de abril de 2021

[O cão tabagista conversou com…] Carina Bratt: “Se tudo hoje, nos parece impossível, devemos ter em mente que o impossível é sempre possível. Basta a gente querer impossivelmente querendo.”

Nome completo:
Carina Bratt

Nome de Guerra: ‘Ca’

Onde e quando nasceu?
Em Curitiba, no bairro Cachoeira, perto da nascente do Rio Belém, que corta toda a cidade de Curitiba. Vim ao mundo em 1º de maio de 1989. Tenho 31 anos completos, quase às portas dos 32. Sou filha de Francisco Bratt, militar linha dura (já falecido) e Marcela Bratt, professora primária.

Onde estudou?
Comecei meus estudos na Escola Pública Municipal Romário Martins, igualmente no bairro Cachoeira, onde passei boa parte da minha infância, isto até os treze anos.

Onde passou a infância e juventude?
Dos quatorze em diante, em face de papai ser do exército, nos mudamos para Brasília. Coisa de um ano e meio depois, ele foi transferido para o Rio de Janeiro, ou, mais precisamente, para Deodoro, zona oeste do Rio de Janeiro. Papai ficava praticamente a semana toda na Vila Militar e nós, em Santa Cruz, onde minha mãe tinha uma irmã (minha querida e saudosa tia Walquiria), que morava em uma casa espaçosa, de muitos cômodos e quintal imenso, situada numa rua colada à Estação.

Estudei por um bom tempo na Escola Pública Municipal Joaquim da Silva Gomes, na Avenida Padre Guilherme Decaminada, e aí concluí a primeira fase dos meus estudos. 


Arranjei meu primeiro emprego de balconista, numa loja de roupas femininas em Campo Grande. Trabalhava de dia e estudava à noite. Posso dizer que foi em Santa Cruz, que vivi o albor da minha juventude e o meu melhor momento de beleza e encantamento.

Tempos depois, papai pediu transferência para o Espírito Santo e nos mudamos, mais uma vez, de mala e cuia, para Vila Velha.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?
Vários acontecimentos marcaram a minha infância e também a juventude. Alguns deles não merecem ser lembrados, entre eles, o meu noivado com o Alex, um rapaz mais velho que eu cinco anos, que trabalhava como motorista de ônibus na linha 901, que fazia os bairros de Irajá - Bonsucesso.

Com este cidadão, quase caí na besteira de me unir em matrimônio. Graças a Deus, consegui me livrar dele e sair inteira. Este e outros fatos, melhor que fiquem sepultados onde estão, ou seja, no passado.

O que traria à baila: a minha formatura, ainda em Curitiba, na série primária, as aulas de datilografia em máquina elétrica e a iniciação nos computadores. Naquela época, me formei em programadora. Existia uma linguagem que fazia muito sucesso, conhecida como Cobol. Foto.

Já em Santa Cruz, fui matriculada, por papai, num curso de inglês. O curso ficava num prédio perto de onde eu trabalhava. Foi também, nesta época, que concluí o ginásio e recebi o diploma. Também deixou saudades, aliás, muitas saudades, a morte prematura de tia Walquiria, irmã de mamãe, que veio a óbito, de repente, vítima de um infarto fulminante.

Com que idade começou a trabalhar na loja de roupas femininas? E depois, qual foi o próximo passo?
Se não me falha a memória, comecei a trabalhar na loja de roupas femininas, em Campo Grande, com dezesseis anos. Fiquei lá na função de balconista, por quatro meses. Não me dei muito bem com o público. Meu forte não estava nas vendas. Então, pedi à minha mãe, que era amiga de dona Luíza, dona do comércio. Ela acertou as verbas trabalhistas a que eu tinha direito e, daí em diante, me dediquei somente às aulas de inglês.

Foi um período muito pesado (pelo menos eu achava), para a minha idade. Saía da loja, às dezoito horas e corria para o inglês. O regresso, para Santa Cruz, se fazia por volta das 21h, pelos trens subúrbios da Central do Brasil. Os assaltos, naquele trecho, entre Campo Grande e Santa Cruz, aconteciam com muita frequência, em face de grupos rivais que circulavam embarcando entre as paradas de Tancredo Neves e o terminal de Santa Cruz.

O passo seguinte foi o de morar com minha tia Lili e meu tio José, irmão de papai, em Brás de Pina, na Rua Taborari.

Meu tio José tinha um escritório de contabilidade em Bonsucesso e, à tarde, dava aulas de natação no Clube Braz de Pina Country, na praça Anhangá. 


Eu amava as aulas de inglês e, para não deixar para trás o que havia aprendido, me transferi de Campo Grande para um curso avançado, em Bonsucesso.

Sempre estudando, me matriculei num preparatório para ingresso na faculdade. Meu sonho de consumo: estudar na SUAM, hoje UNI SUAM. 


Meus devaneios duraram pouco. Papai mais uma vez, levantou acampamento. Mudou de Estado. Fomos, então, para o Espírito Santo, onde passamos a residir na Prainha, em Vila Velha.

E aí, fica em Vila Velha até hoje, certo?
Sim. Fico. A gente, eu, o pai e a mãe, nos estabelecemos num novo começo de vida. Em Vila Velha mudei radicalmente a minha vida. Conheci o Aparecido, através da doutora Cíntia, uma amiga dentista, com a qual fiz amizade. Ela me falou que ‘um carinha, paciente dela, procurava por uma secretária’. Me passou o telefone. Liguei. O cara se chamava Aparecido. Marcamos um encontro. Fui. Uma semana depois, eu o levava para conhecer meus pais. Na ocasião, mamãe achou uma loucura, eu nova e sem experiência, ir trabalhar com um sujeito estranho que eu acabara de conhecer.

O Aparecido tinha idade para ser meu avô. Viajar com ele, jamais! Tanto perturbei meu pai, coitado (que fazia tudo por mim), que meu velhinho acabou concordando. Papai achava que o ‘filho depois que chega a uma certa idade e cria asas, quer voar sozinho’.

O fato é que, apesar dos protestos de mamãe, finalmente meu pai deu sinal verde. Lembro que um dia antes da nossa primeira viagem (voaríamos para São Luiz do Maranhão), o pai disse ao Aparecido: ‘Assinei, junto com a mãe dela, a autorização para o senhor viajar com a minha garotinha. Quero deixar uma coisa bem clara. Minha filha está indo em uma. Não quero que ela volte em duas. Não esqueça que ela só tem dezessete, logo fará dezoito. Perante as leis, ainda é menor. Aliás, para mim, não importa a idade que tenha, sempre será a minha pequena e inocente menininha. Outro detalhe, meu caro amigo: sou militar, nunca se esqueça deste detalhe. Se ela aparecer diferente, aqui em casa, o senhor sabe exatamente do que estou falando, irei buscar a sua pessoa no fim do mundo, se preciso for’.

Na verdade, meu pai sinalizava, que não queria que eu arranjasse uma ‘gravidez indesejada’. Dois anos e meio depois, infelizmente, papai veio a óbito. Diagnóstico: câncer. O 38º BI, na Prainha, fez uma homenagem de despedida muito bonita e inesquecível. Afinal, o seu melhor general de brigada, durante a vida inteira (e o tempo relativamente curto que se aquartelou em Vila Velha), levando em conta, a sua vida inteira sendo um homem sério, honesto e de reputação ilibada, a despedida do 38º BI foi merecida.

Com a morte de meu pai, continuei viajando com o Aparecido. Mamãe ficou sozinha. Hoje, a autora dos meus dias mora numa quitinete que comprei para ela e, sempre que consigo parar no Espírito Santo, meu lugar preferido é ao lado dela.

Qual o trabalho que se seguiu ao da loja de roupas?
O trabalho que se seguiu depois da loja de roupas (eu não chamaria propriamente de trabalho, mas de um pontapé começo de experiência), em Campo Grande, no Rio de Janeiro. Depois dele, passei a ser a secretária de Aparecido. Inicialmente cuidava de seu escritório de advocacia, dos clientes que vinham pagar e entregar documentos para abertura de novos processos, acompanhar os feitos existentes via site do tribunal de Justiça. Em paralelo, as intercalações com as viagens.

Depois, assumi a sua agenda de viagens, marcando entrevistas, cuidando das nossas estadas nos hotéis para onde viajávamos, aí incluindo toda a logística como aluguel de carros em cada cidade para onde voávamos, o abrir e fechar de contas, a requisição dos bilhetes aéreos etc.

Com o passar do tempo o Aparecido resolveu passar todos os seus processos para uma colega com a qual dividia o escritório e se dedicou somente às revistas para as quais escreve, inclusive a Cão que fuma. Passamos a ficar mais tempo em São Paulo.

Aparecido tem uma casa em Aldeia da Serra, região de Barueri, e um apartamento na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio.

Neste interregno, ingressei na faculdade de Jornalismo em São Paulo, onde me formei. Nunca escrevi nada, nunca fui buscar meu diploma, não me sinto, a bem da verdade, jornalista. Devo deixar claro, desde que passei a trabalhar para o Aparecido, ‘meu patrão’, como o chamo carinhosamente, tenho a satisfação imensa de deixar claro, foi ele, que por iniciativa própria, fez a gentileza de bancar toda a minha trajetória, ou seja, dos dezessete, até os dias atuais. Resumindo, no tocante à primeira oportunidade que tive de mostrar meus trabalhos ao grande público, se deu com o senhor Jim Pereira, que me convidou para escrever para a sua revista. Estou na ‘Cão que fuma’ desde 25 de novembro de 2018. Desde então, venho publicando meus humildes trabalhos, que saem todos os domingos, num espaço que o ilustre e carinhoso Editor, deu o nome de: ‘As Danações de Carina’. Último artigo.

Ué? Aparecido é advogado? Qual a área de advocacia? Pergunto por que temo que o Cão possa vir a precisar…
A área de atuação dele é a criminal. Tem, ainda, alguns processos na área cível, mas ele gosta mesmo é do segmento criminal. Ganhou muito dinheiro com presos, os crimes se consubstanciavam nos mais diversos, exceto delitos onde menores estivessem envolvidos. Casos de estupro, por exemplo, ele nunca pegou, a não ser para defender a vítima que foi abusada. Caso o senhor precise de alguma coisa no ramo da advocacia, pode ter certeza de que ele estará pronto para lhe ajudar.

Descobri por acaso, nem sei onde precisamente, um “botão” para “denunciar” conteúdo do blogue… aí me lembrei do que acontece no Facebook, no YouTube, no Twitter…
O Aparecido é realmente advogado. Publicou, inclusive, um texto aqui no 'Cão', em 11 de dezembro de 2020. Faço referência aos ‘Anjos de asas cortadas’, onde ele explicou os motivos pelos quais parou de exercer a profissão.

As pessoas ligavam a qualquer hora do dia e da noite, pedindo que ele fosse à delegacia soltar bandidos que estavam envolvidos com assaltos, drogas, homicídios e até brigas entre marido e mulher. Na hora de pagar, vinha o famoso ‘empurrar com a barriga’. Sem contar que, na área criminal, os delegados pediam dinheiro para ‘aliviarem’ a barra, ‘os flagrantes...’.

A profissão de defensor é honrosa, bonita, porém, a maioria das pessoas só pensa em pagar, se o profissional ganhar a causa. Trabalhar para receber depois... Graças a Deus, o Aparecido deixou de vez este seguimento. Hoje ainda existem uns gatos pingados a seus cuidados, estes clientes que ainda sobrevivem, nada tenho a reclamar. Pagam rigorosamente em dia.

Imagino que, como filha de general – entendendo uma educação austera, amorosa, conservadora, lato sensu, você não será fotografada em “manifestações” como a da imagem abaixo… 


Certamente o senhor nunca me verá em fotos com poses obscenas, tipo esta que me enviou. Aliás, eu não gosto de ‘aparecer’ em frente às lentes das câmeras. Procuro fugir, sempre que posso, dos bisbilhoteiros de plantão. O senhor deve estar lembrado que, certa vez, lhe pedi que não publicasse fotos minhas em meus textos? Prefiro seguir no anonimato, sendo a versão feminina do Carlos Lombardi do Silvio Santos. Lembra dele?

Sou, pois, a sombra do Aparecido. Particularmente acho e entendo que é ele quem carece mostrar o rosto. Entendo mais, que agindo desta forma, preservo a minha individualidade, cultivo o meu mundinho só meu, sobretudo mantendo em segredo e acautelamento a vontade soberana de seguir agasalhada de pessoas que sempre arranjam um jeitinho de entrarem em nossas vidas privadas para falarem coisas que somente dizem respeito a mim e ao Aparecido. Por via idêntica, como filha de um general conservador, sempre procurei pautar a minha vida de forma calma... Deixando, sempre que posso e, em meio ao silêncio, os meus objetivos, longe, claro e, o mais distante possível dos olhares escusos e, principalmente, dos burburinhos e rumorejos, usque das ‘manifestações’ sem motivos lógicos. Enfim, considero uma falta de bom senso das pessoas.

Bah! Dois anos e alguns compassos! Alguém tá ficando ‘véio’, hein? 😁
Você acha que para ser Jornalista é necessário um diploma, noutras palavras, é obrigatório GASTAR dinheiro durante quatro anos (ou cinco?) para ser acreditada como tal?
Para ser Jornalista, tenho a impressão de que basta gostar de ler e de escrever. Ser Jornalista é entender o básico e estar linkada em tudo, notadamente nas coisas que estão rolando no mundo.

Tive a oportunidade de conhecer o escritor José Mauro de Vasconcelos, em sua casa. Ele morava na Raposo Tavares, quilômetro 22, na cidade de Cotia, perto de São Paulo. Autor de vários livros de sucesso, entre eles, o destacado e mundialmente conhecido ‘O Meu Pé de Laranja Lima’. Zezé, como gostava de ser chamado, não passava de um sujeito simples, de modos humildes. Grosso modo, tinha pouca leitura, mal sabia assinar o nome. Rodou o mundo inteiro montado, literalmente, num pé de laranja lima.


Luiz Fernando Veríssimo, autor de mais de uma centena de livros, nunca se formou em nada. Não tem diploma de nada e, no entanto, é um autor de grande prestígio, não só aqui no Brasil, como em vários países.

Para ser jornalista (no meu entendimento), não vejo a necessidade de ter em mãos um diploma. Eu e Aparecido conhecemos uma gama de profissionais que trabalham nos grandes veículos de comunicação – eixo Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília –, que nunca passaram, sequer, na porta de uma faculdade de comunicação social.

Ser formado, atualmente, para ter um diploma, é lustrar os bancos de faculdades e jogar dinheiro no ralo. Temos, para terminar, uma plêiade de profissionais que estão na mídia, atuando nas grandes redações das emissoras de rádios e televisões poderosas, e nunca ouviram falar em faculdade de jornalismo.

Não somos obrigados a nada. Acho que em qualquer circunstância, deve prevalecer, sempre a nossa vontade livre e soberana.

Das cidades onde reside, por mais ou menos tempo, qual a que mais aprecia?
Em face de meu pai viver pulando de galho em galho (devido à patente de militar), mudamos muito de cidades. Passamos por Brasília, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Belém do Pará... Todavia, a que mais me encantou, sem dúvida alguma, foi Vila Velha. Foi no Espírito Santo, ou na cidade de Vila Velha, que fincamos os pés no chão.

Também onde conheci o Aparecido e consegui um emprego que já dura um bom tempo. Me vanglorio, pois de Vila Velha veio a porta que se abriu para que eu conseguisse, igualmente, me formar numa faculdade e construir meu pequeno mundo.

Hoje tenho meu apartamento, meu carrinho, um emprego magnífico, estou sempre viajando e, a cada novo dia, renovo aquilo que gosto de fazer. Foi no Espírito Santo que consegui a proeza de poder dar de presente à minha mãe, uma quitinete, e ajustar uma pessoa de confiança para ficar com ela vinte e quatro horas.

Evidentemente, sempre que consigo uma brecha nas viagens, me dedico inteiramente à minha querida mãe. Tive momentos ruins? Sim. Muitos! Não nego, mas com as graças do Pai Maior, venho superando e dando a volta por cima.

A única ferida que não cicatrizou, foi a perda de meu pai. Até hoje sou dependente de uma saudade pesada, negra, obstaculosa, que me machuca a alma e me fere profundamente o coração.

Qual a sua opinião sobre o “feminismo”?
Bom, a minha opinião sobre o ‘feminismo’ talvez não agrade a todas as minhas leitoras e amigas depois que me lerem. Vejo o ‘feminismo’ como uma salada de frutas, ou seja, uma busca constante por várias coisas ao mesmo tempo. Entre estas coisas buscadas, a mais importante, a liberdade.

Também analiso o movimento pela ótica de uma luta ferrenha por mais respeito, por um lugar ao sol, e a quebra do sexismo, o aprimoramento da condição de igualdade entre os seres humanos, o direito do livre arbítrio, onde cada uma possa fazer da sua vida o que entender primordial...

Enfim, são muitos conceitos englobados dentro de um termo só. Alguns nem cabem nele, embora as pessoas diretamente envolvidas continuem tentando. O conceito circunda, semelhantemente, a igualdade e o respeito mútuo... Ou pelo menos deveria professar, como ponto pacífico esta ideia. Em face disto, se faz necessária uma mudança drástica e radical, enérgica e pujante.

Ainda vivemos atados a um cordão umbilical matricial, jazemos numa espécie de bolha controlada por robôs invisíveis. Como as avestruzes, grosso modo, na hora agá, no instante do ‘vamos ver’, damos um passo atrás e enfiamos a cabeça no buraco.

Percebo, a todo momento, que a sociedade aceita a violência contra a mulher e nada faz para amenizar este quadro horrível.

O ‘feminismo’ é, ou pelo menos deveria ser, um conflito (no bom sentido) um fervedouro cem por cento coeso, sério, que alertasse sobre os pensamentos de inferioridade em detrimento do sexo, da vida a dois, bem como a objetificação do corpo... Eu poderia falar horas sobre isto. Entendo que, ao longo da história da humanidade, apesar de algumas doidinhas se dizerem, ou quererem se passar por ‘feministas’ com ‘F’ maiúsculo, alertarem sobre alguns problemas endêmicos, como o movimento do trabalhador por salários mais justos, o voto, a luta por melhores empregos, a pandemia da homossexualidade, hoje, ‘feminismo’ livre, num primeiro momento, não passa de um choque para a sociedade machista, que entende a situação como um afronto mas que, no fundo, bem sabemos, não deixa de ser um grito desesperado de uma ”minoria” que continua afônica e sobretudo sem campo para levar seus objetivos à frente.

O ‘feminismo’ põe a nu, o maior dos logros: o de que as mulheres não são tão boas como os homens em quase tudo, principalmente nas coisas consideradas mais importantes, como, por exemplo, carregar um simples saco de cimento na cabeça.

A ‘feminista’, como regra número um, não deveria, jamais, se sentir intimidada. Todas, em meu modo de entender, têm o direito de interpretar este ideal à luz da sua experiência de vida e, na verdade (me corrijam, se seu estiver errada), foi em função disto que o processo teve início.

Eu mesma, como mulher, nunca consegui saber direito o que é o ‘feminismo’ em si. Algumas amigas me rotulam de ‘feminista branda’, quando me quedo a expressar sentimentos que, de alguma forma, me distinguem de uma imbecil que alguém queria fazer de tapete para ser pisado na sala de estar.


Tenho em mente que a discriminação começa na idade entre seis e oito anos. As meninas recebem educação diferente e, certamente, aprendem a ter expectativas contrárias da dos meninos. Este pequeno entrave, muitas vezes, leva a crer que as mulheres têm menos capacidade que os homens e, por isto, recebem, final do mês, um numerário abaixo do que era esperado.

Em via de mão única, li, outro dia, que trinta por cento de todos os crimes violentos, são agressões às esposas. As estatísticas de estupros parecem sinalizar que eles estão aumentando, embora, em geral, se aceite que o que está aumentando é a denúncia do crime e que o estupro, ou sexo à força é tão generalizado e frequente, desde que o mundo é mundo.

Quando minhas amigas me perguntam o que acontece com o ‘feminismo’, eu respondo com uma enxurrada de indagações: minhas queridas, vocês já ouviram falar de telefones celulares e da Lei Maria da Penha para casos de violência e estupro contra as mulheres? Alguma vez pararam para tentarem descobrir quais seriam os refúgios imediatos para mulheres espancadas? Por acaso existe, onde vocês moram, algum tipo de campanha de proteção e amparo para meninas, mocinhas e adolescentes? Se a resposta é sim, a coisa funciona como deveria?

A imprensa faz um estardalhaço tremendo para tornar bem ‘feminista’ o eixo central de libertação de todas nós. Para tanto, se utilizam de uma palavrinha simples e (o conceito) liberação relacionada a problemas da mulher.

Dias atrás, me mandaram um vídeo. ‘A esquerda feminista está furiosa e lunática’. Como se pode perceber, a coisa virou política barata. Esquerda, direita, direita, esquerda, quando, em verdade, as verdadeiras ‘feministas’ deveriam empunhar uma única bandeira, qual seja a do bem comum geral incondicional. Tipo uma sociedade alternativa.

A ‘feminista’ comum, a pura, a bobinha, ainda acredita na igualdade dos sexos e no fim da subordinação das mulheres, sob qualquer aspecto e por qualquer razão. Por aqui, de uns tempos para cá, pelo menos as amigas que conheço e fazem parte do meu grupo de relacionamento, ao menos fingem dar uma atenção mais elástica às preocupações do belo oposto, mas a coisa, em si, não flui como nos países desenvolvidos, quando uma mulher é acusada de ser ‘feminista’, o crime dela é o que há de mais tétrico e sinistro: a INTELIGÊNCIA.

Resumindo, pois a minha opinião sobre o ‘feminismo’, vislumbro que, atrás de um ajuntamento de mulheres rabugentas e frustradas, bem ainda, corajosas e de visão futurista, da vontade de vencer e fazer alguma coisa boa em prol de outras que sofrem discriminações as mais embaraçosas, existe sempre uma femi’SI’nista (parodiando, aqui, o Aparecido) ou ovelha negra, que faz das tripas coração, simplesmente para aparecer e depois se gabar: ‘EU SOU A TAL’.

O Brasil tem jeito?
Definitivamente, não. O Brasil está atolado até à raiz dos cabelos numa camisa de onze varas em vista da sua degenerescência padronizada legalizada e sem precedentes. Mal de saúde, cambaleia, o corpo inútil sobre as pernas que deveriam sustentá-lo. Sofre horrores nas mãos sujas de flibusteiros e safardanas que fazem de tudo para que a sua imagem, a cada dia, se faça mais negra e deturpada com respingos de total decadência em todos os quadrantes existentes na face da Terra.

Logicamente teria jeito, não fosse o avanço galopante da corrupção, a dilatação da pouca vergonha, da safadeza e do descaso, igualmente o aumento da bandidagem em face da falta de leis mais rígidas e severas, e sobretudo, da epidemia incurável que consome, a olhos vistos, a Brasília que deveria ser o nosso maior orgulho, uma vez que nossos representantes tentam vendê-la no câmbio negro, como o intocável ‘berço das grandes decisões nacionais’.

De berço, bem sabemos, Brasília não tem nada. Com relação às grandes decisões nacionais, até agora, as que conheço, só se prestaram para desabonar a sua honra, manchar a sua moral, e profanar o pouquinho que existia de uma ética que, há muito mergulhou num buraco enorme e sem volta.

Conhece Portugal?
Não conheço Portugal. Ainda não tive este privilégio. Pretendo, um dia, evidentemente desfrutar da sua hospitalidade.

Já estive na Malásia, ou mais precisamente em sua capital, Kuala Lumpur, em visita às Petronas. Também andei por Paris, na França, e desfrutei das gôndolas, pelos canais de Veneza.

Fiquei uma semana em Berlim, na Alemanha (o Aparecido escreveu um texto quando passamos por lá, ‘O Muro dos ventos uivantes’, publicado aqui na ‘Cão’ em 18 de outubro de 2017) e em Johannesburgo, na África do Sul.

A nível de Brasil, conheço todas as capitais. O único lugar que ainda não coloquei os pés, foi Fernando de Noronha, embora tenha visitado por duas vezes, a linda e acolhedora Recife.

O que mais almeja para o seu futuro?
Não muita coisa. Sou uma pessoa simples, de hábitos ingênuos, sem muitas ambições. Tenho o suficiente que dá para eu viver e cuidar da minha mãe, e de mim própria, sem me preocupar com dia de amanhã. Trabalho com o Aparecido, ele me paga um bom salário, para ser a secretária dele e cuidar da sua vida pessoal, sem contar que a Empresa para a qual ele presta serviços (uma das muitas publicações do ‘Grupo Globo’) é forte no mercado e, igualmente, esta empresa me assinou a CTPS, com um numerário que dá para eu seguir em frente sem preocupações. No mais, almejo, de coração, para o meu futuro e para o porvir de 'todas e de todos', que logo a gente consiga sair desta pandemia, de vez, para voltarmos a viver as nossas vidas de forma normal, sem os atropelos do brusco e do inesperado, retomando, de forma definitiva, à rotina do que fazíamos antes, viajando de um lado para outro, com dia certo para sairmos para o aeroporto, todavia, sem dia pré-estabelecido para colocarmos, de novo, os pés em casa. Estas férias meio que ‘forçadas’, em face de permanecermos em confinamento no Home Office e apartados do nosso habitual corriqueiro, já passou dos limites do tolerável. Virou uma fuzarca.

A quarentena nos tirou um pouco a liberdade do ir e vir, nos tolheu das corridas nos calçadões, nos privou dos banhos de mar, nos divorciou dos encontros com os amigos nos barzinhos... E, na mesma bofetada em nosso rosto, nos roubou a alegria do sorriso contagiante, nos proibiu de nos expandirmos, de termos uma vida normal, sem medo do que poderá nos ocorrer na próxima esquina, ou dentro de um carro de aplicativo ou supermercado. Me refiro, logicamente, ao medo mórbido da Covid-19.

A gente não sabe quem é quem. Eu me cuido, o Aparecido se cuida, nós nos policiamos, segundo a segundo, mas, tenho dúvidas, quanto aos demais que nos cercam, ou seja, se as pessoas com as quais (eu e ele) nos relacionamos (dentro do nosso básico necessário) têm esta mesma preocupação de tomarem os devidos cuidados, de seguirem à risca, com as devidas cautelas para evitarem uma surpresa que nos leve, num simples piscar de olhos, a necessitarmos, ambos, de uma internação imediata e não programada em nossas agendas.

Uma pergunta que não foi feita?
Tenho, para mim, que não ficou nenhuma indagação para ser esclarecida.

A derradeira mensagem:
Que todos se cuidem, se policiem, se amem, se falem mais, que digam uns aos outros, com mais frequência deixando a vergonha de lado, um gostoso e eloquente ‘EU TE AMO’. Procurem ficar mais tempo perto de seus pais, de seus filhos, de seus netos, de seus avós, de seus maridos e esposas. Família em primeiro lugar, sempre.

Não joguem fora a Felicidade que bate à sua porta. Não desperdicem o tempo com trivialidades que não levam a nada.

Esqueçam o ódio, apaguem a raiva, deletem a incompreensão. Se despreguem dos vícios, se desencravem das brigas fúteis, fujam dos problemas que poderiam ser evitados. Pensem que o anonimato da quarentena, a presença da pandemia, de certa forma, nos castigou a todos, entretanto, em paralelo, nos veio ensinar uma grande lição de vida. A da solidariedade ímpar que existe dentro de cada um de nós, uma palavrinha simples que estava adormecida, esquecida, abandonada e precisou um vírus desconhecido vir de longe, para nos fazer ver e não só ver, entender que tudo estava bem aqui, guardadinho, a sete chaves dentro de nós.

Devemos nos lembrar sempre, desde toda eternidade, o sol e a lua são os mesmos. Nunca mudam. Jamais mudarão. Gerações desaparecem, tornam a surgir e, novamente somem de novo. Contudo, eles, o sol e a lua, indiferentes, no palco majestoso do céu infinito, continuam o espetáculo.

Estou sinalizando o seguinte: se tudo hoje, nos parece impossível, devemos ter em mente que o impossível é sempre possível. Basta a gente querer impossivelmente querendo.

Agradeço ao senhor Jim Pereira, meu editor-chefe, pela oportunidade de ter trazido até os leitores da enorme família ‘Cão que Fuma’, um pouco de mim, da minha vida, daquilo que faço. Amei, de coração conversar com o ‘Cão Tabagista’. Fui pega no desconhecido do inesperado, como uma gatinha perdida na emboscada de uma insídia não programada.

Sem mais, desculpem meus errinhos, e me perdoem por qualquer coisa chata ou fora de propósito que tenha falado e, obviamente, algumas leitoras não venham comungar comigo dos mesmos objetivos aqui elencados. Acho que tudo nesta Terra faz parte de uma experiência. Inclusive a minha chatice. Aliás, por falar nela, por eu ser chata, por este mundo ser mais chato ainda, quero continuar sendo uma chata de galochas. A cada novo dia que chega, acreditem, eu me agarro mais fortemente nos cabelos compridos e sedosos do tempo que se esvai.

Obrigado, Carina! 😉

Conversas anteriores: 

4 comentários:

  1. O SAITE CARECIA DE UMA MUSA, PENA QUE NÃO HÁ UMA FOTO ATUAL MORENAÇA.
    POR DETESTAR LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO, EU SOU O MAIS CHATO DOS CHATOS.
    QUANTO AO DIPLOMA DE JORNALISMO, EU ACHO QUE VALE MAIS QUE O DIPLOMA DE ESPECIALISTA.

    SEGUNDO ESPECIALISTAS SE ABERTA NÃO TERIA VALOR:
    Quanto vale um lata de cocô? E se for de um artista?
    Pois uma latinha vinda do italiano Piero Manzoni, que morreu em 1963, pode chegar até 275 mil euros.

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  2. Passei para dizer às minhas amigas e leitoras e, em especial ao ilustre Vanderlei Rocha (Comentário de 08.04.2021 às 20:36, o seguinte:
    O olho do escuro tem pestanas frescas. Escuto o piscar doído, o assombro da pupila vasta varrendo miados fru-frus de vento...
    Tropeço de alguma estrela do céu, conversas planas de postes mascando nacos de noite. E o transformador, pelejando para acender a lâmpada.
    Em face disto, aos pingos, que tramam contra a maré, aos pingos que batem nos vidros e se trincam sem ruído, aos pingos como leves sulcos, com só no bojo o instante do vinco.
    Não adianta. A luz não se acende. O transformador se enfurece. ‘Droga -, diz ele -, num ímpeto: ‘A lâmpada está queimada’.
    Carina Bratt
    Do sítio Shangri-La, ES/MG
    Boa noite a todos.
    PAZ!

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    1. Bem KA, sou um ateu convicto e leio livros de várias religiões e outros tanto filósofos religiosos.
      Respondendo ao seu dito, uso um livro de Alan Kardec:
      Palavras despedaçadas por um mundo insano - Allan Kardec
      Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.
      O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito.
      Gosto de Vera lúcia de Oliveira.
      Já que me agradas com esse trecho, também vou deixar um para você.
      pelo fogo da fala
      pelo fogo das palavras
      pela sarça ardente das palavras
      pisando por rugas de telhas
      enquanto o coração crescia
      pelo fogo da fala
      pelo pavio secreto da língua
      pela fagulha ardente
      crescia meu coração
      como crescem as folhas
      que o vento arrasta no ardor da combustão

      os amantes
      estão na garganta da hora
      estão entalados no tempo
      estão no caroço da aurora
      estão no coração do vento

      Bom dia e agradeço pelo brotar de saudade do livro "Entre as junturas
      dos ossos" .

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  3. Muito boa a entrevista com essa jovem, bem esclarecida e inteligente na fala.
    Abraço,
    José Moletta

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